
Shahnaz - Orgulho do Imperador
Capítulo 3
Jahangir Azimi POV:
Sigo para a área de treinamento e o general está me esperando, faço uma reverência para ele.
— Sou uma pessoa como você, não faça essa saudação para mim, rapaz. Você é o Jahangir Azimi? – o general diz.
— Sim, senhor. – eu digo com firmeza.
— Vamos começar vendo o quanto você pode correr, comece. – o general diz e eu começo imediatamente a correr por toda a área, confesso que eu pouco tempo estou cansado, mas continuo a correr, pedindo à Ahura-Mazda para que o general peça para eu parar, mas demora um bom tempo e quase me leva a exaustão.
Sinto alívio quando ouço sua solicitação para deter a corrida e o suor banha o meu corpo, tento recobrar o meu fôlego o mais breve possível, o faço com as mãos sobre os joelhos, mas os olhos atentos ao general e suas solicitações.
— Está cansado? – general Faridoon pergunta e eu nego, ainda resfolegando.
— Muito bem, então vamos para o segundo exercício. Quero que pegue o arco e as flechas e acerte os alvos. – diz, entrega o material e aponta para os alvos que estão bem distantes.
O que me deixa bem aflito, a essa distância, com as mãos trêmulas de cansaço, dificilmente acertarei, mas tentarei bravamente, afinal essa é a chance da minha vida.
— Você tem dez chances ou flechas, quero que acerte pelo menos sete no alvo. – o general exige.
Começo e erro a primeira, o que me deixa nervoso.
Acerto a segunda, terceira e quarta, erro a quinta e sexta, sei que não posso errar mais nenhuma e minhas mãos começam a tremer mais ainda, posso ser eliminado agora mesmo.
Posiciono a flecha com muito medo e acerto a sétima, oitava, nona e décima.
— Muito bem, cavalheiro! Me impressionou. – agora vamos para o teste físico.
Em seguida o general me submete aos testes de força, exigindo muito de mim e me levando novamente à exaustão.
— Agora o último teste, para isso pegue a sua espada e venha duelar comigo. – o general exige.
Iniciamos um duelo árduo, combatemos com nossas espadas e só podemos ouvir o tilintar e zunir delas no ar, nos esquivamos dos golpes um do outro e usamos nossos corpos para nos defender em alguns momentos, até que eu acabo perdendo para o general, por falta de atenção e sua espada vem ao meu pescoço, me fazendo perder a batalha.
— Muito bem, são excelentes golpes e duelo, vejo que está realmente bem-preparado, meu bom rapaz. – o general Faridoon diz.
— Esse é o seu parecer? - Me pergunto confuso e resfolegando.
Guardo minha espada e espero em uma posição respeitosa até que o general diga algo ou me dispense, o tempo parece parar diante do seu silêncio.
O general anda de um lado para o outro, de certo está pensando.
Então o vejo pegar uma espada e um uniforme e em seguida ser entregue a arma ser entregue na palma da minha mão direita.
— Cavalheiro Jahangir Azimi, te nomeio e integro a partir de hoje guerreiro do exército do império persa, vá à casa de seus pais, pegue os seus pertences e venha morar aqui no alojamento, aqui terá tudo o que precisa. – o general Faridoon diz finalmente as palavras que espero há todos esses anos.
Esperei a minha vida inteira por essas palavras!
— Prometo a minha fidelidade e lealdade ao Imperador Shahanshah e ao seu império, legado, família, hei de dar a minha vida por sua segurança e proteção, servindo com todo o meu empenho e dedicação. – ergo a espada e faço meu juramento oficial.
Junto o uniforme e a espada nova e guardo em meu alforge, me apresso para seguir para a casa dos meus pais para lhes contar as boas novas.
Monto em meu cavalo e saio a galope do palácio, em algum tempo chego em casa e não os vejo, certamente estão cuidando de nossas terras ou animais, cuido de arrumar minhas poucas peças de roupa e outros itens que me pertencem e busco por eles.
— Enfim meu filho retornou e pelo belo sorriso no rosto, vejo que vitorioso. – diz meu pai.
— Sim, pai, conquistei meu grande sonho e sou um guerreiro do exército persa. – digo com orgulho, vou até meu alforge e mostro a minha espada e uniforme.
— Parabéns, meu querido, você lutou muitos anos para realizar esse sonho, só lamento perder a companhia do meu querido e único filho. – minha mãe diz, já com derramando as primeiras lágrimas.
— Oh mãe, eu sempre virei vê-los e nunca deixarei que falte nada para nessa casa, hei de suprir todas as necessidades que sempre passamos, o salário é bom e trarei todo na sua mão para que possa administrar bem a nossa casa e viver com um pouco de luxo, como merecem. – digo e choramos nós três abraçados.
Enxugamos as lágrimas e minha mãe decide preparar algo para a nossa refeição, enquanto isso conversamos a respeito dos testes e avaliações aplicados pelo general.
Pouco tempo depois, comemos uma refeição quase que exclusivamente composta por verduras e legumes plantados e colhidos por nós mesmos, com raríssima carne, mas é o suficiente para nos sustentar nesse momento, afinal precisamos poupar para ter alimentos para a semana e o mês todo. Somos gratos pelo pouco que temos.
— Hoje a colheita foi boa, amanhã cedo preciso ir vender. – meu pai diz.
— E terá sucesso, meu pai. Agora tenho que partir. – digo.
Minha mãe chora e me abraça, meu pai me abençoa e me ajuda com o alforge e a posicionar os outros itens que estou levando comigo sobre a sela do cavalo.
— Vá e não se esqueça de quem é, dos seus valores, de onde veio, de seus objetivos. Um homem nunca deve ter mais ambição do que coragem, força e dignidade. – meu pai diz.
— Nunca me esquecerei dos seus ensinamentos, meu pai. Eles estão escritos na minha alma e os carrego em meu coração. Eu amo vocês e voltarei o mais breve possível. – digo, os beijo e monto em meu cavalo.
Deixo meus pais e uma nuvem de poeira atrás de mim, sigo a caminho do palácio em Persépolis, minha nova morada.
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