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Capa do romance Shahnaz - Orgulho do Imperador

Shahnaz - Orgulho do Imperador

O temido Imperador da Pérsia, Shahanshah, foca em expandir seu império e preparar sua herdeira para perpetuar seu legado. No entanto, a Princesa Shahnaz rejeita casamentos arranjados e anseia por liberdade. Movida por um sonho secreto que desafia a vontade paterna, ela arrisca sua posição privilegiada para seguir seu próprio caminho. Com a chegada de Jahangir Azimi, sua trajetória muda drasticamente em uma trama repleta de segredos, perigos e um romance inesperado.
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Capítulo 1

O Narrador:

Durante uma extenuante e árdua batalha o Imperador Babar II morre e como não deixa herdeiros, é a ocasião propícia para o general Shahanshah tomar posse do império, uma vez que conta com o apoio da maioria dos nobres persas, mas para obter sucesso, há que debelar uma rebelião, situação que controla com maestria, demonstrando todo o seu poder e vigor.

Eis que durante seu reinado, Shahanshah trava muitas guerras para conquistar as províncias ao derredor e seu esplendor é maior a cada batalha vencida, a cada território, exército e povo conquistado.

É temido e admirado por todos, um Imperador impassível, irredutível e austero e gosta que seja assim, não pode fraquejar em nenhum momento.

Vive na capital do império, Persépolis, no forte ou palácio real, com a Imperatriz Vahsti, sua primeira esposa, com todas as demais consortes e concubinas, a Princesa Shahnaz, sua filha mais velha, de quem se orgulha muito e que se parece muito com o pai, o Príncipe Mirza, seu filho mais novo e sucessor ao trono, e também os outros filhos e filhas do harém real.

Estão nesse momento marchando para a Pártia para conquistá-la, Shahanshah segue com seus nobres à frente do exército e para a uma certa distância do inimigo.

A estratégia de avanço está decidida, os arqueiros estão prontos e na linha de frente, todos estão com as espadas empunhadas e os escudos preparados esperando apenas o comando do Imperador para o embate. E um breve aceno dele é o suficiente para que cavalos saiam à galope e homens se entrelacem em um confronto corpo a corpo, ouvem-se apenas o zunir e o tilintar de suas espadas no ar e o sangue percorrendo todos os espaços e se espalhando pelo chão, onde se podem ver pedaços de corpos...

Muitas horas depois as primeiras aves de rapina comendo os primeiros pedaços.

— Protejam o Imperador! – ouve-se dizer.

Mas Shahanshah não se importa e luta até conquistar um espaço para chegar até o rei inimigo, então inicia o confronto. Observam-se lanças, escudos e espadas à disposição de ambos, o embate começa com o tilintar das espadas, ambos se esquivam, mas apenas o Imperador consegue ferir o rei e fazê-lo perder sua espada e se aborrecer, então pega a lança e joga na direção de Shahanshah, que consegue desviar por muito pouco e volta a atacar o rei, que desta vez só conta com o escudo para se defender, até que é atingido por um golpe de misericórdia no pescoço, dando a vitória da guerra ao Imperador e o troféu, que é a cabeça do rei deposto.

— General Faridoon, mande um mensageiro na frente e avise que vencemos mais essa guerra e estamos retornando para casa. – o Imperador diz.

Todos festejam o restante do dia e da noite, afinal passaram dias em mais essa guerra, finalmente é hora de retornar para casa.

Princesa Shanaz POV:

Minhas damas adentram a minha alcova apressadas, em seus rostos expressões de urgência e contentamento, imagino que sei o motivo, mesmo assim lhes darei a alegria de perguntar.

— Vejo em seus rostos uma porção extra de felicidade essa manhã, o que as traz com tamanha urgência à minha presença?

— Princesa Shahnaz, o Imperador retorna vitorioso de mais uma batalha. – Lila diz.

— Ora, isso não é mais nenhuma novidade, meu pai sempre consegue o que quer, afinal é o Shahanshah. – digo.

— Nome tão apropriado para ele, não é? – Pari pergunta.

— Significa rei dos reis. – Lila diz e sorri.

— Assim como o nome de Milady, que significa orgulho do rei. – Pari diz e sorri.

— Agora vamos, não podemos tardar mais, o Imperador fará questão de ver Vossa Alteza na celebração da chegada. – Lila diz e me estende a mão direita.

As damas ajeitam meu vestido branco ligeiramente justo e com bordado largo azul e dourado na cintura ajustada, de mangas largas e compridas, minhas sapatilhas que quase não podem ser vistas pelo comprimento das minhas vestes, elas fazem questão de pentear meus longos cabelos negros e lisos, deixam soltos sob o véu, que os cobrem parcialmente, fazem uma maquiagem que ressalta os meus olhos, mas nos lábios passam um carmim, colocam as minhas joias, anéis, colar, pulseiras, brincos e coroa, agora estou pronta.

Saímos da minha câmara de vestir, atravessamos todo os meus aposentos e seguimos apressadas pelo enorme corredor que nos levará a escadaria central, então descemos e corremos até a entrada principal do palácio, que está defronte a um belo jardim, nos umbrais da porta e nas paredes de todo o edifício podemos ver esculpidas diversas artes persas, saber do meu povo, que demonstra todas as conquistas do grande Shahanshah em suas batalhas, além dos nossos deuses.

Toda a corte está posicionada para receber o Imperador e os soldados vitoriosos.

— Enfim chegou vitorioso o grandioso Shahanshah, como todo o nosso povo esperava e como o grande deus Ahura-Mazda, o criador da vida, previa. – o sacerdote Hormuzd diz e reverencia o Imperador.

Minha mãe, a Imperatriz Vashti, se aproxima quando tem a sua permissão, eu sempre vejo receio em seus olhos, faz uma reverência em silêncio e beija sua mão direita.

— Que a glória do Imperador prevaleça. – ela diz.

Vejo Mirza, meu irmão, caminhando em direção ao Imperador, o reverencia e saúda pela conquista na batalha, deixando-o ainda mais envaidecido, mesmo o Príncipe estando aborrecido por ter estado de fora dessa guerra por ser ainda menor de idade.

— E a minha Princesa, não vai me cumprimentar pela vitória? – pergunta o grande Shahanshah.

Toda a corte me observa de soslaio, me adianto e sorrio timidamente, mesmo que não possam ver por baixo do véu.

Tomo a mão direita do Imperador e a beijo.

— Que a glória do Imperador prevaleça e seja eterna – digo e ergo meu olhar em direção ao seu — Fico muito feliz com mais essa vitória, Majestade.

Vejo-o sorrir de satisfação, o grande Shahanshah é mesmo muito vaidoso, além de austero, rígido e impassível, sobretudo é um bom pai, pelo menos para mim.

O Imperador é cumprimentado por sua corte, que é composta por Babak, um conselheiro especial e homem mais velho, Ebrahim, o contador real, Omid, responsável pelas finanças, Sarod, responsável pelas questões que envolvem justiça, Fravardin, responsável pelas questões administrativas, Heydar, responsável pelas questões de comunicação, Payam, Sinbad, responsáveis pelas questões administrativas, financeiras, de justiça, defesa e comunicação e seus demais conselheiros e homens de confiança.

Após os cumprimentos, os guerreiros são dispensados e caminhamos para o interior do palácio para o banquete de boas-vindas para o Imperador Shahanshah, tudo está preparado com todo o zelo e dedicação desde o aviso do mensageiro, com a supervisão pessoal da exigente Vashti.

Nos acomodamos no grande salão dos banquetes, junto com toda a nobreza, o Príncipe Mirza, a Imperatriz Vashti e as demais esposas do Imperador Jaleh, a segunda, Atefeh, a terceira, Laleh, a quarta, Omid, a quinta, Arzu, a sexta. Estão ausentes as concubinas e os demais filhos. E esperamos pelo Imperador, que vai para a sua alcova por alguns momentos, de certo para se livrar da armadura e vestir-se de maneira mais adequada.

Logo após o banquete todos são convidados a ir ao templo do fogo de Ahura-Mazda para invocar a sua grandeza e poder, vamos fazer nossas orações diante do fogo sagrado.

Seguimos todos juntos com o sacerdote Hormuzd e agradecemos ao deus pela vitória do Imperador Shahanshah, só então retornamos ao palácio, afinal o Imperador precisa e merece um descanso, mas para a nossa surpresa, não é o que ele deseja.

Sigo sozinha para a minha alcova, vou até a janela e observo além dos muros do palácio, desejo um pouco mais de liberdade, conhecer um pouco além do império Persa ou pelo menos fora dessa fortificação aqui em Persépolis, como será a vida dos plebeus?

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