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Capa do romance Seu Último Ato de Vingança

Seu Último Ato de Vingança

Ricardo me salvou da ruína, mas em dez anos de casamento, sua crueldade e traições me levaram à beira da morte. No nosso aniversário, ele entregou o colar dos meus sonhos e a sinfonia final do meu falecido irmão para sua amante, que os tratou como lixo. Agora, diante da minha partida, ele implora perdão e destrói quem me feriu. Ele quer redenção, mas meu plano final exige algo muito maior que seu arrependimento: cobrarei sua devoção total e sua própria vida.
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Capítulo 3

O caos explodiu ao meu redor. Suspiros, gritos, uma cacofonia de medo e confusão enquanto as pessoas se dispersavam, sua compostura elegante estilhaçada. Ricardo, com o rosto como uma nuvem de tempestade, já estava puxando Amanda para cima, seu braço protetoramente ao redor dela. Ele não me lançou um olhar enquanto a manobrava pela multidão, desaparecendo no meio do pânico. Ele se foi, absorvido pelo caos, me deixando sozinha no chão de mármore frio.

A dor na minha cabeça era um martelo implacável, cada batida ecoando o vazio no meu peito. Meus membros pareciam pesados, sem resposta. Minha respiração vinha em arquejos irregulares, as luzes brilhantes acima girando em um vórtice aterrorizante. A sensação de estar presa, sufocada, me dominou. Minha fobia, adormecida por tanto tempo, arranhou seu caminho para a superfície. Eu estava me afogando.

Assim que tentei me levantar, um chute forte atingiu minha lateral.

"Sua vadia!", Amanda sibilou, seu rosto contorcido de fúria, sua maquiagem perfeita borrada. Seu colar de esmeraldas, milagrosamente ainda preso em seu pescoço, brilhava desafiadoramente. "Achou que ia se safar com isso? Achou que ia estragar a minha noite?"

Outro chute acertou, este mais forte, logo abaixo das minhas costelas. Um suspiro escapou dos meus lábios, o ar sendo expulso dos meus pulmões. Meu corpo convulsionou, uma onda de náusea me atingindo novamente. Meu estômago se revirou, mas não havia mais nada para sair. Apenas espasmos secos e violentos que me deixaram fraca e ofegante.

"Ricardo!", engasguei, um apelo desesperado e cru escapando dos meus lábios antes que eu pudesse impedi-lo. O som era patético, até para os meus próprios ouvidos. Um grito desesperado pelo mesmo homem que acabara de me empurrar.

Os olhos de Amanda se aguçaram, um sorriso cruel se formando em seus lábios. Ela se ajoelhou ao meu lado, seu vestido de grife farfalhando.

"Ricardo? Ah, querida, ele se foi. E não vai voltar por você." Sua mão, adornada com um anel de diamante maciço, apertou minha mandíbula, forçando minha cabeça para o lado. "Ele me contou tudo. Sobre seu precioso irmão, Léo. Como você era inútil sem ele. Como você se agarra ao Ricardo porque ele te 'salvou'. Patético."

As palavras me atingiram mais forte do que qualquer golpe físico. Eram as palavras de Ricardo, distorcidas e cuspidas pela língua venenosa de Amanda. Minha mente cambaleou, uma torrente de memórias voltando, ameaçando me arrastar para o fundo.

O acidente de carro. O metal retorcido, o cheiro de borracha queimada e sangue. Léo, tão cheio de vida, tão vibrante, silenciado em um instante. E eu, a sobrevivente, presa nos destroços, vendo sua luz se apagar, incapaz de ajudar. A culpa era uma coisa viva, roendo minhas entranhas, me deixando oca, uma casca vazia. Meus pais, consumidos por sua própria dor, me afastaram, incapazes de olhar para a lembrança viva de seu filho perdido. "Você devia ter sido mais cuidadosa", minha mãe sussurrou, seus olhos desprovidos de calor. "Você era mais velha. Deveria tê-lo protegido." Suas palavras, como punhais, se torceram na ferida da minha culpa, infeccionando por anos. Eu estava completamente sozinha, à deriva em um mar de dor e culpa.

Então Ricardo apareceu, um farol na minha escuridão. Ele me encontrou, uma garota quebrada assombrando o conservatório abandonado onde Léo e eu costumávamos tocar. Ele ouviu pacientemente enquanto eu derramava meu coração, minha culpa, meus sonhos desfeitos. Ele viu a música em mim, os resquícios de um talento que eu pensei estar perdido para sempre. Ele me ergueu das cinzas, me deu um novo propósito, uma nova razão para viver. Ele era meu salvador, minha âncora, meu tudo. Ele me prometeu uma vida, um futuro, uma família. Ele prometeu me proteger.

E agora, ele havia traído essa confiança, não apenas com seu corpo, mas com minha ferida mais profunda e sagrada. Ele deu a Amanda a munição para me destruir, para zombar da própria base da minha existência. Ele zombou da memória de Léo.

Uma dor lancinante, mais aguda do que qualquer coisa antes, atravessou minha parte inferior das costas. Minha visão escureceu por um segundo. Meu corpo estava falhando, rapidamente agora. O tremor em minhas mãos havia se espalhado, todo o meu lado esquerdo agora um peso de chumbo.

"Juliana!" Uma voz, distante e abafada, cortou a névoa. Ricardo. Ele estava chamando meu nome, frenético.

Tentei responder, gritar, estender a mão. "Ricardo...!" Mas apenas um grasnido rouco escapou da minha garganta, mal um sussurro. Minhas mãos arranharam o chão polido, tentando encontrar apoio, tentando me mover.

O corpo de Amanda enrijeceu. Ela pegou meu celular de onde havia caído, sua tela rachada ainda acesa.

"Não se incomode, querida", ela sibilou, sua voz um triunfo baixo e astuto. "Ele está comigo." Seus dedos voaram pela tela, digitando rapidamente. Então ela pressionou o telefone contra meu ouvido. "Ricardo? Sim, querido, estou bem. Só um pouco abalada com a confusão. A Juliana? Ah, ela provavelmente está emburrada em algum lugar. Você sabe como ela é. Vamos embora, estou exausta." Sua voz era enjoativamente doce, uma performance para ele.

Ouvi a resposta abafada de Ricardo, depois o som distante de sua voz se afastando, recuando. Ele estava indo embora. Ele estava realmente indo embora. De novo. Com ela. Ele nem mesmo me procurou.

Amanda tirou o telefone, um sorriso triunfante no rosto.

"Viu? Eu te disse." Ela jogou o telefone de volta no chão, onde ele pousou com um baque suave. Assim que ela se virou para sair, a tela piscou, uma nova mensagem de texto de Ricardo aparecendo.

"Ju, onde você está? Não brinque comigo. Venha para casa. Precisamos conversar."

Olhei para a mensagem, depois para as costas de Amanda se afastando, seu vestido brilhando enquanto ela desaparecia. Uma risada amarga e quebrada borbulhou do meu peito, seca e áspera. A ironia foi um soco no estômago. Ele queria conversar agora? Depois de tudo isso?

Meus olhos arderam, mas eu não choraria. Não agora. Não por ele. Eu vi o padrão, claro como o dia. Seu ciclo de traição, seu remorso fingido, suas tentativas manipuladoras de me puxar de volta para sua órbita. Ele era um mestre manipulador, e eu era apenas sua boneca favorita. Meu coração endureceu, transformando-se em gelo.

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