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Capa do romance Seu Amor Fatal, o Amargo Fim Dela

Seu Amor Fatal, o Amargo Fim Dela

Após anos de dedicação, meu marido bilionário salvou minha vida, mas tudo era uma farsa. Descobri que ele protegia Carla, a mulher que destruiu minha família e agora esperava um filho dele. Transformada em vilã, sofri abusos físicos e humilhações sob seu olhar frio. Após ser culpada por um falso aborto, ele me forçou a saltar no oceano para recuperar uma urna vazia. Diante da crueldade do homem que amei, mergulhei nas águas geladas para selar meu destino.
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Capítulo 2

Depois de fazer os arranjos para a cremação da mamãe, dirigi sem destino. Minha mente era uma lousa em branco, limpa pela dor. Minhas mãos apenas guiavam o carro, meus pés apenas pressionavam os pedais.

Eventualmente, me vi estacionada do outro lado da rua do meu antigo colégio. O prédio de tijolos vermelhos parecia menor do que eu me lembrava. Através da cerca de arame, eu podia ver o campo de futebol coberto de mato.

Lembrei-me de mim aos dezessete anos. Pequena, quieta, com óculos grandes demais para o meu rosto. Uma garota que vivia na biblioteca e observava o mundo das arquibancadas.

Meu mundo naquela época tinha um sol, e seu nome era Caio Sampaio. Ele era o capitão do time de futebol, o presidente do grêmio estudantil, o garoto com quem toda garota sonhava e todo cara queria ser.

Eu o observava de longe, um segredo que guardava trancado no peito. Eu memorizava seu horário, seu lanche favorito, o jeito que ele passava a mão pelo cabelo quando estava pensando.

Ele nunca olhou na minha direção. Ele era uma supernova, e eu era apenas um grão de poeira em sua órbita.

Fechei os olhos com força, afastando a memória. Doía demais lembrar da garota que tinha tanta esperança.

"Helena? Helena Esteves, é você?"

A voz era calorosa e familiar. Abri os olhos. Uma mulher com um rosto gentil e enrugado sorria para mim da janela da pequena lanchonete ao lado do meu carro. Era a Dona Gabriela, que administrava o lugar desde que eu era estudante.

Minha garganta apertou. Eu não conseguia falar, apenas assenti.

"Querida, você parece pálida como um fantasma. Entre, vou fazer uma sopa para você."

Eu a segui para dentro como uma sonâmbula, afundando em uma cabine no canto mais distante. Era a mesma cabine em que eu costumava sentar todos os dias depois da escola, esperando por um vislumbre de Caio.

Dona Gabriela colocou uma tigela fumegante de sopa de tomate na minha frente. "Não te vejo desde o seu casamento. Você e aquele rapaz, Caio. Você finalmente o conquistou, hein? Eu sempre soube que você tinha uma queda por ele."

Eu a encarei, chocada. "Você sabia?"

Ela riu, limpando as mãos no avental. "Querida, você era um livro aberto. O jeito que você o observava, qualquer um com olhos podia ver."

Ela mencionou que ele não voltava desde que se formou. "Ouvi dizer que ele se deu bem com tecnologia. Bom para ele."

Peguei minha colher, uma pergunta queimando em minha mente. Ele realmente tinha sido tão alheio? Todos aqueles encontros "acidentais" que eu planejei, os livros que comecei a ler porque o vi com eles, o jeito que eu pedia o mesmo café preto que ele, mesmo odiando o gosto.

Depois que nos casamos, ele nunca falou sobre nossos dias de colégio. Nenhuma vez.

Peguei um pouco de sopa, mas o gosto era como cinzas na minha boca. Meu estômago revirou.

Senti uma onda de pena, não apenas pela mulher moribunda que eu era agora, mas por aquela garota esperançosa e tola. Nós duas havíamos desperdiçado nosso amor em um homem que não merecia.

"Falando no diabo e ele aparece!", a voz de Dona Gabriela soou do balcão.

Meu sangue gelou. Olhei para a entrada.

Caio Sampaio estava entrando, o braço firmemente em volta de Carla Santos.

"Caio, meu rapaz!", exclamou Dona Gabriela. "E esta deve ser sua adorável esposa! Parabéns pelo bebê!"

Minha mão voou para a boca para abafar um soluço. Dona Gabriela, sem saber, sorriu para eles.

"Sabe, sua antiga colega de classe, Helena, está aqui também! Deixe-me ir chamá-la..."

"Não!", a palavra me escapou, aguda e desesperada. Joguei algumas notas na mesa e fugi, deixando a sopa intocada para trás.

"Bem, isso foi estranho", ouvi Dona Gabriela murmurar enquanto a porta se fechava atrás de mim.

Caio estava muito ocupado ajudando Carla a se sentar na cabine - a minha cabine - para notar.

Das sombras do outro lado da rua, eu os observei.

"Ela está tão bonita como sempre", disse Dona Gabriela a Caio, obviamente falando de Carla. "Cuide bem dela, ouviu?"

Carla corou e se aninhou no ombro de Caio. Ele beijou sua testa.

A cena foi uma ferida fresca. Eu era o fantasma do lado de fora, observando meu marido construir uma nova vida nas ruínas da minha.

Eu era uma covarde. Não conseguia nem mesmo encará-los.

Lembrei-me de ter perguntado a ele, uma vez, no início do nosso casamento, se ele queria visitar nosso antigo colégio, talvez comer algo na lanchonete da Dona Gabriela.

"Por que faríamos isso?", ele perguntou, a testa franzida. "Não há nada para nós lá."

Agora eu entendia. Ele não queria ser lembrado do lugar onde sua grande mentira começou.

Um arrepio repentino percorreu a espinha de Caio, e ele olhou para a janela, seus olhos varrendo a rua. Ele não podia me ver, mas por um segundo, pensei que ele sentiu minha presença.

"O que foi?", perguntou Carla, dando-lhe um pedaço de torta.

"Nada", disse ele, balançando a cabeça. "Só... por um segundo, pensei naquele beco atrás do ginásio."

Ele comeu um pedaço da torta e seus olhos se tornaram distantes. "Eu estava apanhando feio daqueles veteranos. Eles me encurralaram depois do treino."

Ele tocou uma cicatriz fraca acima da sobrancelha. "Um deles tinha um cano. Ele me atingiu por trás. Pensei que estava acabado."

"Então, do nada, ouvi alguém gritar: 'Ei! Deixem ele em paz! Vou chamar a polícia!'"

Sua voz era suave, reverente. "Eu estava no chão, tudo estava embaçado. Mas vi uma figura, uma garota de uniforme escolar, parada no final do beco. Ela continuava gritando, me dizendo para aguentar, que a ajuda estava chegando."

Ele olhou para Carla, os olhos cheios de adoração. "Então eu acordei no hospital. E você estava lá."

Carla sorriu, uma imagem perfeita de inocência. "Eu vi eles te cercando. Fiquei com tanto medo, mas sabia que tinha que fazer alguma coisa."

"Obrigado, Carla", disse ele, a voz embargada. "Você salvou minha vida naquele dia."

O sorriso de Carla vacilou por uma fração de segundo enquanto seus olhos se desviavam para o beco que ele mencionou. Foi um lampejo de desconforto, tão rápido que quase perdi.

Mas eu não perdi. Porque eu estava lá naquele dia. Foi a minha voz que gritou por ajuda. Fui eu quem chamou a polícia de um orelhão e correu de volta, dizendo a ele para aguentar. Eu era a garota nas sombras. Carla tinha sido apenas a primeira a chegar ao hospital para reivindicar o crédito.

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