
Sete Anos, Um Coração Partido
Capítulo 2
Luana e Bruno estavam juntos há sete anos, um tempo longo o suficiente para que a paixão inicial se transformasse em uma rotina confortável, quase previsível. Para Luana, uma organizadora de eventos de sucesso, essa previsibilidade era um porto seguro, a base sobre a qual ela construía pacientemente o sonho de sua vida: um casamento perfeito. Mas para Bruno, parecia ser apenas uma zona de conforto da qual ele não tinha pressa em sair, e muito menos em oficializar. A conversa sobre casamento, antes cheia de promessas e empolgação, agora era sempre adiada com desculpas vagas sobre o momento certo ou a necessidade de mais estabilidade financeira, apesar de ambos terem carreiras bem-sucedidas. Essa estagnação deixava um gosto amargo na boca de Luana, uma sensação de que seu empenho e dedicação não eram correspondidos na mesma medida, mas ela continuava a esperar, a sonhar e a planejar.
A ironia do destino se manifestou da forma mais cruel possível. Luana estava em uma grande feira de noivas, um evento que ela mesma ajudou a organizar, circulando entre os estandes com seu profissionalismo impecável. Foi então que, no palco principal, onde aconteciam demonstrações e workshops, ela viu uma cena que paralisou seu corpo. Lá em cima, sob os holofotes, estava Bruno. Ele estava de joelhos, segurando uma caixinha de veludo aberta na direção de uma mulher deslumbrante. A mulher era Sofia, uma antiga colega de faculdade deles. O microfone transmitia a voz de Bruno para todo o salão, uma declaração de amor ensaiada, enquanto Sofia sorria, radiante. Luana sentiu o ar faltar, o barulho da feira se transformou em um zumbido distante em seus ouvidos, e o mundo pareceu girar em câmera lenta. Era o seu noivo, no tipo de cenário que ela planejava para si mesma, com outra mulher.
Quando a demonstração acabou e os aplausos diminuíram, Luana se recompôs e foi até os bastidores. Bruno a viu e seu sorriso vacilou por um instante.
"Luana! O que você está fazendo aqui?"
A pergunta era tão absurda que Luana quase riu.
"Eu trabalho aqui, Bruno. A pergunta é: o que você está fazendo aqui, de joelhos, para ela?"
Bruno passou a mão pelo cabelo, desconcertado.
"Ah, isso? A Sofia... o noivo dela é muito tímido. Ela me pediu ajuda para ensaiar o pedido, para que tudo saísse perfeito. Eu só estava ajudando uma amiga."
Ele falou com uma naturalidade que a ofendeu profundamente. Ele olhou para o projeto de casamento que Luana segurava nas mãos, uma pasta grossa com cinco anos de pesquisa, ideias e sonhos meticulosamente documentados.
"Você ainda anda com isso pra todo lado? É só um monte de papel, Luana. Relaxe um pouco."
Aquelas palavras atingiram Luana com a força de um tapa. "Só um monte de papel". Era o sonho da vida dela, reduzido a nada pela pessoa que deveria compartilhá-lo.
Luana sentiu uma dor aguda no peito, uma pontada física que a fez prender a respiração. Ela precisava manter a compostura. Havia clientes e fornecedores por toda parte. Ela forçou um sorriso tenso, acenou com a cabeça e se afastou, dizendo que precisava resolver um problema com a iluminação. Cada passo era um esforço, seu corpo parecia pesado, e a pasta em suas mãos, antes um tesouro, agora parecia um fardo inútil. Ela se escondeu em um canto escuro atrás do palco, o coração batendo descontroladamente, tentando respirar fundo para não desabar ali mesmo.
Minutos depois, Bruno a encontrou. A expressão dele era de pura irritação, como se a reação dela fosse um incômodo.
"Qual é o seu problema, Luana? Eu já não expliquei? Era só um favor."
A visão dele, tão indiferente ao seu sofrimento, acendeu uma chama de raiva dentro dela.
"Meu problema, Bruno? Meu problema é que você usou as palavras que eu sonhava em ouvir de você para outra mulher. Meu problema é que você está mais preocupado com o 'ensaio' do casamento dela do que com os nossos sete anos de relacionamento."
A dor no peito dela se intensificou, uma queimação que subia pela garganta. Aquele não era um ciúme comum, era a dor crua da traição e do descaso, e ela sentiu, naquele momento, que algo fundamental entre eles havia se quebrado para sempre.
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