
Sete Anos, Um Coração Partido
Capítulo 3
Assim que Luana terminou de falar, Sofia se aproximou deles, com os olhos marejados e uma expressão de pura inocência.
"Luana, me desculpe. Eu não queria causar problemas. O Bruno é tão gentil, ele só estava me ajudando. Eu fico tão nervosa com essas coisas."
Ela fungou delicadamente, e Bruno imediatamente se moveu para o lado dela, colocando um braço protetor em volta de seus ombros.
"Está vendo, Luana? Você está deixando a Sofia desconfortável. Ela não tem culpa de nada."
A defesa imediata e o gesto de intimidade dele foram como sal na ferida aberta de Luana. Ela olhou para Sofia, para a atuação impecável de donzela em perigo, e sentiu o estômago revirar.
Sofia então se virou para Luana, com um sorriso fraco nos lábios.
"Seu projeto de casamento é simplesmente divino, Luana. Você tem um talento incrível. Quando o Bruno me mostrou, eu fiquei maravilhada. É o sonho de qualquer mulher."
O elogio era uma faca disfarçada. "Quando o Bruno me mostrou". Então ele não só sabia do projeto em detalhes, como também o compartilhou com Sofia. A raiva de Luana se transformou em um gelo cortante. Ela olhou para Sofia, para suas roupas caras e seu sorriso calculado, e viu a manipulação por trás da máscara de fragilidade.
"Que bom que você gostou, Sofia." A voz de Luana saiu fria, desprovida de qualquer emoção.
Bruno olhou para Luana, e pela primeira vez, ela notou algo diferente em seu rosto. Não era apenas irritação, havia uma sombra de algo mais, uma familiaridade na maneira como ele olhava para Sofia, um carinho que ele raramente demonstrava a ela nos últimos tempos. Era um olhar que continha histórias, segredos que ela não conhecia. Aquele olhar confirmou suas piores suspeitas. Aquilo não era apenas um "favor para uma amiga".
Uma assistente se aproximou de Luana, com uma prancheta na mão, fazendo uma pergunta sobre o cronograma do próximo palestrante. Luana se forçou a sair de sua bolha de dor e a focar no trabalho. Ela respondeu à pergunta com clareza e eficiência, a voz firme, enquanto por dentro ela se desintegrava. Ela pegou seu rádio comunicador e começou a dar instruções para a equipe, a mente profissional assumindo o controle para salvá-la do colapso iminente. Ela repassou a programação, confirmou os horários, resolveu um pequeno problema com o som, tudo de forma mecânica, enquanto a dor no peito latejava em um ritmo constante, uma lembrança física da traição que acabara de testemunhar.
Enquanto Luana se ocupava, ela podia ver pelo canto do olho que Bruno não se moveu do lado de Sofia. Ele estava completamente focado nela, perguntando se ela precisava de água, se estava se sentindo melhor, se o tornozelo dela (que ela supostamente havia torcido dias antes) doía. Ele não olhou para Luana uma única vez. Não notou a palidez em seu rosto, nem a forma como suas mãos tremiam levemente ao segurar a prancheta. Para ele, Luana havia se tornado parte do cenário, uma profissional eficiente resolvendo problemas, enquanto o verdadeiro drama, o que realmente importava para ele, estava acontecendo ao lado de Sofia. A indiferença dele era mais dolorosa do que qualquer briga, era a prova final de que ela não era mais a protagonista de sua vida.
Você pode gostar





