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Capa do romance Sete Anos, Um Adeus Cruel

Sete Anos, Um Adeus Cruel

Após sete anos de sonhos e planos, eu esperava Patrícia em um bistrô para pedir sua mão em noivado. Cercado por amigos, meu mundo ruiu ao ver uma foto dela ajudando outro homem em uma mudança. A humilhação foi pública e cruel. Ao confrontá-la, sua indiferença feriu mais que a traição; para ela, meu noivado era apenas uma festa esquecida. Joguei o anel fora, expulsei-a de casa e parti para a Europa, decidido a recomeçar longe de todo esse rastro de dor.
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Capítulo 2

O restaurante que Miguel escolheu com tanto cuidado estava impecável.

Toalhas de mesa brancas, taças de cristal brilhando sob a luz suave e um aroma delicioso de comida flutuando no ar. Ele tinha reservado o lugar inteiro, um pequeno bistrô charmoso que Patrícia sempre disse que adorava, para celebrar o noivado deles. Sete anos de namoro. Parecia uma vida inteira, e ele estava pronto para o próximo passo.

Seus amigos começaram a chegar, um por um, cada um com um sorriso, um abraço apertado e uma garrafa de vinho na mão.

"E aí, Miguel! Parabéns, cara!"

"Cadê a noiva? Escondendo o anel?"

Miguel sorria, cumprimentava a todos, mas seus olhos não paravam de mirar a porta. Ele olhou o relógio. Sete e meia. A festa estava marcada para as sete.

"Ela deve estar se arrumando, sabe como é," ele respondeu, tentando manter a voz firme.

Ele pegou o celular e ligou para ela. A chamada foi direto para a caixa postal. Ele franziu a testa. Estranho. Patrícia nunca desligava o celular. Ele tentou de novo. Caixa postal.

Uma hora se passou. A comida começou a ser servida, as conversas ficaram mais altas, mas a cadeira ao lado de Miguel continuava vazia. A ansiedade começou a apertar seu peito. Seus amigos percebiam, lançando olhares preocupados em sua direção.

"Ela não atende?", perguntou Léo, seu melhor amigo, em voz baixa.

Miguel balançou a cabeça.

"Isso não é do feitio dela."

Foi então que a namorada de Léo, Carla, que estava mexendo no celular, fez uma cara estranha. Ela se inclinou e mostrou a tela para Léo, que arregalou os olhos.

"O que foi?", Miguel perguntou, o estômago gelando.

Léo hesitou, depois virou o celular para ele.

Era uma foto no Instagram. De Patrícia. Ela estava sorrindo, ao lado de um cara que Miguel reconheceu vagamente. Tiago, um colega da faculdade dela. Eles estavam em um apartamento vazio, caixas de mudança espalhadas pelo chão. A legenda da foto, postada por Patrícia há menos de trinta minutos, dizia: "Ajudando o amigo Tiago na casa nova! Que comece a nova fase! 💪"

Miguel sentiu o ar faltar. Ele olhou para a mesa cheia, para os amigos que vieram celebrar seu amor, para a cadeira vazia ao seu lado. A humilhação foi como um soco no estômago. Ela não estava atrasada. Ela nem sequer estava vindo. Ela o tinha trocado para ajudar um "amigo" a se mudar.

Ele se levantou devagar. A sala ficou em silêncio. Todos os olhos estavam nele.

"Pessoal," ele disse, a voz surpreendentemente calma. "Obrigado por terem vindo. Comam, bebam, aproveitem. A conta já está paga. Eu... eu preciso ir."

Ele não esperou por respostas. Saiu do restaurante, deixando para trás os olhares de pena e a festa que deveria ser a mais feliz de sua vida. Na rua, o ar frio da noite bateu em seu rosto. Ele enfiou a mão no bolso e sentiu a pequena caixa de veludo. O anel. Ele o tirou, olhou para o diamante que tinha economizado meses para comprar e, com um movimento rápido e furioso, o jogou no bueiro mais próximo. O som minúsculo do metal batendo na grade foi o som do fim.

Ele caminhou sem rumo pelas ruas, o celular vibrando no bolso sem parar. Eram chamadas dela. Patrícia. Ele ignorou. Quando finalmente chegou em casa, o apartamento parecia frio e vazio. Ele se sentou no sofá, no escuro, e só então a raiva deu lugar a uma dor profunda e oca.

Finalmente, a porta se abriu. Patrícia entrou, sorrindo, como se nada tivesse acontecido.

"Oi, amor! Desculpa a demora, o Tiago precisava muito de ajuda com a mudança, coitado, ele não conhece ninguém na cidade."

Ela parou ao ver a expressão dele.

"O que foi? Aconteceu alguma coisa na festa?"

Miguel a encarou, a voz saindo baixa e cortante.

"Você tem noção do que fez hoje, Patrícia?"

Ela franziu a testa, confusa.

"Do que você está falando? Eu só ajudei um amigo. Você está com ciúmes do Tiago? Não seja ridículo, Miguel."

Sua falta de compreensão era mais dolorosa do que a própria ausência. Ela não via. Ela simplesmente não entendia a gravidade de sua escolha.

"Eu anunciei nosso noivado hoje, Patrícia. Para todos os nossos amigos. E você não estava lá."

"Ah, meu Deus! Eu esqueci completamente! Com a correria da mudança dele... a gente pode fazer outra festa, não tem problema!"

Era isso. Para ela, era apenas uma festa que poderia ser remarcada. Para ele, era o fim de tudo.

Nesse momento, o celular dela tocou. Ela olhou para a tela e um sorriso apareceu em seu rosto.

"É o Tiago. Ele está lá embaixo, acho que esqueceu a chave reserva que eu tinha."

Ela atendeu, a voz cheia de preocupação.

"Oi, Tiago! Já estou descendo! Fica aí!"

Ela desligou e se virou para Miguel, já indo em direção à porta.

"Eu volto já, tá?"

E então, Tiago apareceu na porta, que Patrícia havia deixado entreaberta. Ele tinha um sorriso arrogante no rosto.

"E aí, cara. A Patrícia me disse que você deu uma festa. Foi mal por ter 'roubado' a estrela da noite. Mas a ajuda dela foi essencial."

A provocação era clara, o tom de posse em suas palavras era inconfundível. Patrícia, ao lado dele, não disse nada. Apenas olhou para Miguel, esperando que ele "entendesse".

Miguel respirou fundo. A dor tinha se transformado em um gelo cortante. Ele não ia gritar. Ele não ia fazer uma cena.

"Saiam da minha casa," ele disse, com uma calma que assustou até a si mesmo. "Agora."

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