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Capa do romance Sete Anos de Mentiras, Meu Retorno Vingativo

Sete Anos de Mentiras, Meu Retorno Vingativo

Alina limpou cenas de crime por sete anos para pagar o tratamento do filho, apenas para descobrir que a doença era uma farsa. Beto, seu namorado, criou um experimento cruel para testar seu interesse financeiro. Até seu filho a rejeitou, preferindo a amiga traidora. Humilhada e descartada, eles não sabem que Alina pertence à poderosa família Diniz. Ao ligar para o irmão e revelar sua origem bilionária, ela inicia sua vingança contra quem a destruiu.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Alina

Deixei que ele me guiasse de volta para o hospital, meus pés se movendo como se estivessem atravessando cimento. Cada passo parecia uma traição à mulher que havia fugido deste lugar em agonia apenas uma hora antes. Mas eu tinha que ver. Eu tinha que ver tudo com meus próprios olhos, agora que o véu do engano havia sido rasgado.

O calor que eu costumava sentir ao caminhar por este corredor, a antecipação de ver o rosto de Lucas, havia desaparecido. Tudo o que restava era uma dor oca e ecoante.

Enquanto nos aproximávamos da sala privativa, ouvi o som de risadas. Risadas altas e felizes. Era o Lucas. Ele estava rindo com uma alegria despreocupada que eu não ouvia há meses. Uma alegria que ele nunca parecia ter quando eu estava por perto.

Beto abriu a porta, um sorriso largo fixo em seu rosto. "Olha quem eu encontrei vagando no estacionamento."

A cena lá dentro era uma imagem perfeita de felicidade doméstica. Júlia estava sentada no sofá macio, Lucas aninhado em seu colo, a cabeça jogada para trás em uma gargalhada enquanto ela fazia cócegas em sua barriga. Um livro de histórias aberto estava ao lado deles. Eles pareciam tão naturais, tão certos. Uma mãe e seu filho.

Quando os olhos de Lucas pousaram em mim, seu sorriso desapareceu. Não apenas se desvaneceu; ele se apagou, como uma luz sendo desligada. Seu corpo enrijeceu nos braços de Júlia.

"Ah", ele murmurou, sua voz mal um sussurro. "É você."

A alegria na sala evaporou.

No passado, eu teria corrido para ele, de braços abertos, desesperada por um abraço que ele teria dado a contragosto. Eu teria me ajoelhado, com o coração doendo, e perguntado o que havia de errado, por que ele parecia tão distante. Eu teria me culpado, culpado meu trabalho, meu cansaço.

Hoje, eu apenas fiquei ali, parada, com as mãos cerradas ao lado do corpo.

Lembrei-me de todas as vezes que o segurei quando ele chorava à noite pelo que eu pensava serem dores fantasmas de sua doença. Eu sussurrava promessas em seu cabelo, jurando que trabalharia mais, economizaria mais rápido, faria qualquer coisa para melhorá-lo. Eu vou conseguir o dinheiro, eu prometia. A mamãe vai consertar isso.

E minha recompensa por essa devoção, por sete anos de trabalho exaustivo e esmagador, não foi seu amor. Foi seu nojo.

Ele se contorceu para sair do colo de Júlia e se afastou de mim, escondendo-se um pouco atrás das pernas dela. O pequeno movimento foi uma rejeição tão profunda que roubou o ar dos meus pulmões. Ele estava aliviado por eu não estar me aproximando.

Apertei minha bolsa, meus nós dos dedos brancos, lutando para manter minha expressão neutra. A máscara de uma mãe calma e amorosa era a coisa mais pesada que eu já havia usado. Eu não conseguia mais nem forçar um sorriso. Meu rosto parecia de pedra.

"Lucas", eu disse, minha voz soando estranha e tensa. "Você não vai dar um oi para a mamãe?"

Ele espiou por trás de Júlia, seu rostinho emburrado. Ele balançou a cabeça, enterrando o rosto na saia cara dela. "Não quero."

Júlia acariciou seu cabelo, sua expressão uma mistura perfeita de simpatia e repreensão gentil. "Lu, seja bonzinho. Sua mãe está cansada. Ela trabalha muito por você." Ela me lançou um olhar, um que eu costumava interpretar como amizade solidária. Agora, eu via o brilho de triunfo em seus olhos. O desafio não dito.

"Ele só está um pouco tímido hoje", disse ela para mim, sua voz escorrendo uma doçura falsa. "Ele tem estado um pouco sobrecarregado."

Tímido? Meu filho não era tímido comigo. Ele sentia repulsa. Eu tinha visto em seus olhos.

Pensei no dia em que ele foi "diagnosticado". Eu era uma jovem mãe apavorada, e Júlia segurou minha mão, prometendo estar lá por nós, não importava o quê. Eu fiquei tão grata, tão comovida com sua lealdade. Eu até brinquei, em meio às lágrimas, que ela teria que ser a madrinha dele.

Ela não se tornou apenas sua madrinha. Ela se tornou sua mãe. Ela roubou meu filho de mim, bem debaixo do meu nariz, com biscoitos e conjuntos de Lego e um cheiro que não o lembrava de morte e decomposição.

De repente, Júlia ofegou, um pequeno som teatral. Ela se inclinou para frente, derrubando uma tigela de frutas da mesa de centro. Uvas e fatias de maçã se espalharam pelo chão branco impecável.

"Oh, que desastrada!", ela exclamou.

Imediatamente, Beto estava ao seu lado, ajoelhando-se para ajudá-la. "Você está bem, querida?", ele perguntou, sua voz carregada de uma preocupação que ele nunca demonstrou por mim quando eu chegava em casa com minhas próprias dores e ferimentos.

Eles se ajoelharam ali juntos, uma equipe perfeita, limpando uma bagunça que ela havia criado. Lucas correu para ajudar também, pegando cuidadosamente cada uva como se fosse uma joia preciosa.

Eu fiquei parada perto da porta, completamente ignorada. Eu era uma estranha na minha própria família. Um fantasma na vida pela qual eu sangrei.

Senti uma certeza fria e dura se instalar em meu peito. Não havia mais nada para mim aqui.

"Eu tenho que ir", eu disse, minha voz vazia.

Beto olhou para cima, a testa franzida de aborrecimento. "Alina, não seja assim. Apenas sente-se."

Mas eu já estava me virando. Eu não conseguia respirar naquela sala por mais um segundo. Estava me sufocando.

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