Capa do romance Sete Anos de Mentiras, Meu Retorno Vingativo

Sete Anos de Mentiras, Meu Retorno Vingativo

8.6 / 10.0
Alina limpou cenas de crime por sete anos para pagar o tratamento do filho, apenas para descobrir que a doença era uma farsa. Beto, seu namorado, criou um experimento cruel para testar seu interesse financeiro. Até seu filho a rejeitou, preferindo a amiga traidora. Humilhada e descartada, eles não sabem que Alina pertence à poderosa família Diniz. Ao ligar para o irmão e revelar sua origem bilionária, ela inicia sua vingança contra quem a destruiu.

Sete Anos de Mentiras, Meu Retorno Vingativo Capítulo 1

Por sete anos, trabalhei como limpadora de cenas de crime, esfregando a morte para salvar a vida do meu filho. Finalmente juntei os R$ 1.250.000 para o tratamento experimental que curaria sua rara doença genética.

Mas, ao chegar no hospital, ouvi meu namorado, Beto, conversando. Não era sobre uma cura. Era um "experimento social", um teste de sete anos para provar que eu não era uma interesseira. Meu filho nunca esteve doente.

Minha melhor amiga estava no meio de tudo, rindo. Então ouvi a voz do meu filho.

"Não quero que a mamãe fedida volte. Quero a tia Júlia. Ela tem cheiro de biscoito."

Eles me humilharam na escola dele, me chamando de faxineira desequilibrada. Meu filho apontou para mim e disse a todos que não me conhecia, enquanto o homem que eu amava me arrastava para longe, me acusando de ser uma vergonha.

Meu amor não era amor; era um dado estatístico. Meu sacrifício não era um sacrifício; era uma performance. Eles viraram meu próprio filho contra mim para o seu jogo doentio.

Eles achavam que estavam testando uma faxineira pobre e simplória. Eles não sabiam que ele era Bernardo Yates, herdeiro de uma dinastia bilionária. E não faziam ideia de que eu era Alina Diniz, da família Diniz.

Peguei o telefone e liguei para meu irmão.

"Estou voltando para casa."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Alina

O último real que ganhei limpando a morte de alguém era o que deveria salvar a vida do meu filho.

Por sete anos, eu esfreguei os momentos finais e brutais da vida de outras pessoas. O cheiro de água sanitária e sangue estava tatuado dentro do meu nariz, um fantasma permanente nos meus sentidos. Trabalhei até minhas mãos ficarem em carne viva, até minhas costas serem um nó constante de dor excruciante, tudo por um número na tela. Hoje, esse número finalmente atingiu a meta. Um milhão e duzentos e cinquenta mil reais. O custo de um tratamento experimental que curaria a rara doença genética do Lucas.

O cheque final parecia pesado no meu bolso, um peso sagrado. Eu tinha acabado de limpar uma cena em um apartamento no centro, um fim solitário que deixou um gosto amargo na boca, mas não importava. Tinha acabado. Chega de ajoelhar em pisos frios e manchados. Chega de ver os contornos de giz de estranhos nos meus sonhos.

Minha picape velha chacoalhava enquanto eu dirigia em direção ao hospital, uma caixa azul brilhante com um kit para montar um foguete espacial no banco do passageiro. Lucas amava qualquer coisa relacionada ao espaço. Imaginei seu rosto se iluminando, suas mãozinhas montando cuidadosamente as peças de plástico. Em breve, teríamos todo o tempo do mundo para coisas assim. Em breve, ele estaria saudável, e eu poderia ser apenas uma mãe. Não uma faxineira. Não uma mulher constantemente assombrada pelo fantasma das contas médicas. Apenas... mamãe.

Estacionei a picape e puxei o retrovisor, tentando me ajeitar. Eu parecia acabada, mais velha que meus vinte e nove anos. Havia sombras permanentes sob meus olhos, e meu cabelo estava impiedosamente preso em um rabo de cavalo. Eu cheirava levemente a produto de limpeza industrial. Era um cheiro que eu nunca conseguia tirar completamente. Mas meu sorriso era genuíno, mais largo do que tinha sido em anos. Eu estava levando a melhor notícia de nossas vidas.

Eu queria fazer uma surpresa. Beto — meu Beto Sales, o homem que esteve ao meu lado durante tudo isso — provavelmente estava na sala de espera privativa que o hospital oferecia para pacientes de longa data. Júlia, minha melhor amiga, provavelmente tinha levado os lanches favoritos do Lucas.

O corredor para a sala estava silencioso. Conforme me aproximei, ouvi vozes através da porta entreaberta. Diminuí o passo, minha mão já alcançando a maçaneta, o sorriso congelado no meu rosto.

Era a voz de Beto, suave e confiante, não o tom cansado que ele geralmente usava ao discutir a saúde de Lucas. "Os dados do teste com placebo são conclusivos, Sr. Yates. O Dr. Evans confirmou. Os sinais vitais do Lucas permaneceram perfeitamente estáveis. Ele respondeu exatamente como uma criança saudável de seis anos responderia."

Meu sangue gelou. Sr. Yates? Teste com placebo?

Outra voz, clínica e desconhecida, respondeu. "Excelente. É um experimento social fascinante, Bernardo. Sete anos é muito tempo. Você está satisfeito com os resultados?"

Bernardo? O nome do meu Beto era Beto Sales. Pressionei meu ouvido mais perto da porta, meu coração batendo um ritmo doentio e pesado contra minhas costelas.

"Quase", disse Beto — Bernardo. "Ela provou que não é uma interesseira. Ela trabalhou em um emprego que faria a maioria das pessoas vomitar só para juntar o dinheiro. Ela não me pediu um centavo a mais do que meu 'salário' poderia cobrir."

Então eu a ouvi. Júlia. Minha melhor amiga. Sua voz era leve, brincalhona. "Então, o teste acabou? Você pode finalmente contar a verdade para ela?"

Um pavor gelado, agudo e sufocante, envolveu meus pulmões. Isso tinha que ser um engano. Uma piada horrível e doentia.

"Ainda não", disse Bernardo, e eu podia imaginar a inclinação arrogante de sua cabeça. "Acho que precisamos de mais seis meses. Apenas para ter certeza absoluta de que o caráter dela é sólido. Assim que ela entregar o cheque final, vamos observá-la por meio ano. Ver se ela se ressente. Ver se ela muda."

"Mais seis meses?" A voz de Júlia estava tingida com algo que soava como excitação. "Bê, você é tão cruel. Adorei."

Então, ouvi a voz do meu filho. Do Lucas. Clara e brilhante.

"Papai, a gente pode ir pra casa logo? Não quero que a mamãe fedida volte. Ela sempre cheira a produto de limpeza ruim."

As palavras me atingiram com mais força do que um soco. Mamãe fedida.

"Logo, campeão", disse Bernardo afetuosamente. "Só temos que esperar um pouco mais."

"Eu não quero ela", insistiu Lucas, sua voz se transformando em um choro manhoso. "Eu quero a tia Júlia. Ela tem cheiro de biscoito e me compra Legos novos. A mamãe só chora."

"Eu sei, Lu", disse Júlia, sua voz baixando para um arrulho meloso. "A tia Júlia vai ficar com você. Vamos nos divertir muito, só nós três."

"Só mais seis meses", repetiu Bernardo, sua voz firme, como um CEO fechando um negócio. "Então o teste estará completo. Veremos se Alina Diniz é digna de ser uma Yates."

Alina Diniz. Ele não me chamava assim há anos. Para ele, para todos nesta vida, eu era Alina Sales.

O foguete em sua caixa azul brilhante de repente pareceu pesar uma tonelada na minha mão. Eu cambaleei para trás, longe da porta, minha mão voando para a boca para abafar o som que tentava escapar da minha garganta.

Sete anos.

Sete anos da minha vida, do meu corpo se desfazendo, do meu espírito sendo moído até virar pó. Não era por uma cura. Era um teste. Um teste de lealdade. Um jogo elaborado e cruel orquestrado pelo homem que eu amava, minha melhor amiga, e abraçado pelo filho por quem eu sacrifiquei tudo.

A pilha de dinheiro que eu acumulei, cada real manchado de sangue e lágrimas, não era para um tratamento que salvaria uma vida. Era uma taxa de entrada para uma família que me observava como um rato de laboratório em uma gaiola.

Meu amor não era amor para eles. Eram dados. Meu sacrifício não era um sacrifício. Era uma performance.

Olhei para o kit do foguete em minhas mãos. Um presente para um menino que não me queria. Um símbolo de um futuro que era uma mentira.

Minha vida inteira era uma mentira.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e silenciosas. As risadas de dentro da sala, uma cena de família feliz, ecoavam no corredor estéril. Era o som do meu coração se partindo.

Eu me virei e fui embora, meus passos duros. Passei por uma grande lixeira cinza perto dos elevadores. Sem hesitar, levantei a tampa e joguei a caixa azul brilhante lá dentro. Ela caiu com um baque oco.

Acabou, pensei, as palavras um grito silencioso em minha mente. Não o teste. Nós.

Eu desisto.

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