
Sentenciado - Trilogia destinos livros 2
Capítulo 2
>>>>>RICARDO<<<<<<
Estou mais um dia em meu lugar favorito, Guarujá, litoral sul de Santos, da janela do quarto consigo observar boa parte da praia das Astúrias, consigo observar as pequenas pessoas passando indo e vindo pelo calçadão então com um olhar um pouco mais longe vejo o sol a pontando no horizonte e as ondas que parecem tão pequenas vistas do vigésimo segundo andar do meu apartamento.
Caminhando em direção ao meu armário e abrindo meu guarda roupa coloco um calção de corrida e um boné, pego em seguida a carteira e o celular que estão no criado mudo junto com meus fones de ouvido e sigo para a cozinha.
— Bom dia filho, vai correr ?!
— Bom dia, já estou indo mãe só vou tomar meu” pretinho”. — Lhe dou um beijo na testa.
— Filho, não dá pra colocar pelo menos uma camisa?!
— E poupar a mulherada da orla desse espetáculo aqui?! Não mesmo. — Lanço a ela meu sorriso sem vergonha.
— Rick, eu não sei de onde surgiu esse ego nas alturas que você tem.
— Isso é que dá a senhora afirmar desde que eu era pequeno “ Você é a coisa mais linda do mundo”.— Minha mãe revira seus grandes olhos verdes.
— Que horas a senhora vai pra Clinica?
— Daqui a uma hora mais ou menos, por quê?
— Quer que eu te leve ? Tenho a audiência do divórcio do Guilhermo, acho que finalmente ele vai conseguir se divorciar Vívian, vulgo invocação do mal.
— Meu Deus, Rick! Você sabe que seus padrinhos gostam dessa menina, por que fala assim dela?!
— Mãe, a garota é totalmente desequilibrada qualquer pessoa consegue enxergar isso com muita facilidade. Transformou os dias do meu amigo em um completo inferno. Até tia Helena percebe que esse relacionamento dos dois é totalmente tóxico e disfuncional, só tio Olavo insiste nessa palhaçada, tudo porque Vívian vem de uma família rica e bem sucedida.
— Mas não cabe a você se intrometer, Rick. Guilhermo já está caminhando para se separar dela e ele também já é bem grandinho, enfim filho, tem coisas que temos que decidir sozinhos. Você como amigo pode dar sua opinião caso seja isso o que o Gui te peça ou precise mas a um limite para tudo e ele deve decidir sozinho.
— Eu sei mãe, tanto sei que nunca me intrometi ou sequer falei o que pensava dela. Graças a Deus ele saiu dessa relação abusiva e ainda bem que convenci ele a entrar com o litigioso se não aquela mulher estaria até agora enrolando para dar o divórcio.
Tomo meu café forte e puro, me deliciando com o líquido quente que faz parte de todo o meu dia. E continuo conversando com a minha mãe, já estou quase saindo da mesa quando vejo meu celular tocando sobre o balcão. Minha mãe continua a comer suas frutas e eu me levanto para em seguida atender o telefone.
— Alô
— Alô, quem fala? — Pergunto.
— Oi Rick, aqui é Renata. — Coloco a mão na testa e tento puxar o nome em minha memória, mas sou péssimo para guardar nomes, ainda mais das garotas com quem eu durmo e só pelo tom de voz melodioso da garota sei que foi uma das minhas fodas casuais. Não quero ser um arrogante com a menina mas simplesmente não tenho a mínima ideia de quem ela seja então decido por dar corda pra ver se ela solta algo que me faça recordar dela.
— Ah, sim tudo bem linda? — Minha mãe revira os olhos e sorri com deboche estampado nos lábios. Dou com os ombros como quem diz “o que posso fazer “ e ela balança a cabeça em negação de um lado para o outro.
— Tudo sim… estou querendo saber se você vai aparecer lá na Beach Club, por esses dias? Vou sair mais cedo durante esta semana e bom… podíamos estender a noite. — Então me recordo dela.
A garçonete doida, que tomou uns copos de tequila comigo a algumas semanas atrás, eu estava em um dia ruim, estressado por conta do trabalho e de noites mal dormidas e acabamos dividindo uma mesa no bar, depois uns copos de bebida e no final da noite uma cama em um quarto de motel, tivemos um momento gostoso e antes que ela acordasse paguei a estadia o café da manhã e deixei um cartão caso precisasse de algo, agradeci pela noite casual e fui embora.
Como um bom colecionar que não repete figurinha. Eu também não durmo mais de uma vez com a mesma mulher. Primeiro porque elas sempre confundem e misturam sentimentos na jogada, por mais que digam que não, acreditem uma hora elas irão lhe cobrar algo que você não quer ter. Por isso sempre deixo claro, para as garotas com quem durmo que será apenas uma única vez. Segundo, porque ser livre é meu estilo de vida, quase um mantra e dormir com a mesma pessoa por mais que seja algo casual ainda sim, te insere em tipo de relacionamento inverso. Não! Realmente, isso não é pra mim.
Minha tia me chama de gigolô, ator pornô, garoto de programa, prostibulo ambulante entre outros elogios que só ela me dá. Sim! Tia Leninha me ama, mas ela assim como minha mãe, simplesmente não entende meu jeito livre, leve e solto de viver e acham que tenho que encontrar a “mulher certa” mal sabem elas que mesmo que essa tal mulher me existisse jamais ficaria com ela, enfim meu negócio é rotatividade e é com esse pensamento que dispenso a tal Renata, porque apesar de eu sempre deixar claro que será uma única noite elas sempre me ligam querendo mais.
— Olha gatinha, minha agenda esta bem lotada não vou conseguir te encontrar. Faz o seguinte deixa que eu te ligo mais tarde, quando estiver mais folgado, pode ser ?
A desculpa “deixa que eu te ligo mais tarde” sempre funciona para elas não me ligarem mais e também pra não dizer na cara dura que aqui elas só aproveitam o playgrand uma vez.
— Oh! Claro vou ficar aguardando. — Percebo que sua voz já perdeu a empolgação do início da ligação, mas infelizmente não posso fazer nada, prometi que teríamos uma noite gostosa e tivemos, repetir não estava no combinado.
Me despeço da tal Renata e minha mãe me observa com uma cara nada feliz.
— Que foi ?!
— Você é um cretino, Galinha mesmo, bem que sua tia diz, Ricardo.
— Mãe, eu só sou solteiro e preciso aproveitar isso da melhor maneira. E outra a culpa também não é minha se elas me acham tudo de bom e querem sempre repetir a dose. — Tomo mais um gole do meu café e pisco um olho sobre a xícara abrindo um sorriso sacana.
Minha mãe me analisa. Eu a ignoro.
— O que você precisa, Filho, é encontrar uma mulher incrível e que te faço comer o pão que o diabo amassou. — Da um risinho.— Que realmente te faça sentir alguma coisa, algo nunca sentiu e que te faça ir do céu ao purgatório em segundos. Quando você a encontrar tenho certeza que você vai se apaixonar perdidamente e vai lutar por isso, Rick.
Me incomoda que ela tenha tenta certeza sobre o que preciso. Ainda mais porque nunca me apaixonei desse jeito que ela fala então não tenho ideia se realmente seria assim como ela diz. Depois do que aconteceu conosco, de toda a confusão que eu a coloquei e do perigo que a fiz passar, de tudo que descobri sobre a minha própria vida, simplesmente me fechei não me acho digno de estar em algo tão precioso e profundo como o amor.
— Está bem dona Sophi, para de me rogar praga porque estou muito bem assim e outra caiu na vila, peixe fuzila! — Desconverso rindo, levantando colocando minha xícara na pia, me despeço dela seguindo para minha corrida matinal.
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