
Senhor Arrogante - Amor sob contrato
Capítulo 2
Enrico Ferrari
Após o encontro no estacionamento
Após a discussão no estacionamento, dirigi-me ao meu escritório com passos firmes e decididos. Os funcionários que cruzavam meu caminho desviavam o olhar; minha expressão não deixava espaço para interrupções. Odiava estar atrasado, e o incidente com aquela mulher só havia piorado meu humor.
Hoje, Simona, minha secretária eficiente, estava encarregada de entrevistar algumas candidatas para a vaga de tradutora. Eu revisaria seus relatórios e escolheria a mais qualificada, como sempre fazia. Mas algo em mim queria quebrar essa rotina hoje.
Entrei na minha sala e afrouxei o nó da gravata, tentando aliviar a tensão que se acumulava em meus ombros. Liguei o laptop e peguei o celular, discando o número de Ethan, meu primo e melhor amigo.
— Até que enfim resolveu dar as caras! — ele atendeu com sua típica animação. — Enrico, você precisa desligar um pouco do trabalho e...
— Ethan, não te liguei para ouvir sermões — cortei, tentando esconder a irritação na voz.
— Por que esse mau humor todo? Foi a Selene de novo?
Suspirei, passando a mão pelos cabelos.
— Selene testa minha paciência diariamente, você sabe disso. Mas hoje de manhã algo mais aconteceu. Uma mulher estacionou na minha vaga e teve a ousadia de me chamar de "Senhor Arrogante".
Ethan riu do outro lado da linha, aquela risada leve que sempre me desarmava.
— Então ela já percebeu quem você é de verdade? — provocou.
— Não me enche, Ethan. Ela foi irritante, e eu já estava nervoso por outros motivos.
— Ela é bonita?
Fechei os olhos por um instante, lembrando das curvas dela, do olhar desafiador, dos cabelos caindo em cascata sobre os ombros. Uma visão que, apesar da contrariedade, me despertou sensações inesperadas.
— Sim, é bonita. Tem curvas que qualquer homem notaria. Mas tem uma língua afiada. Em poucos minutos conseguiu me tirar do sério.
— Interessante... — ele comentou, em tom malicioso. — Então, ela conseguiu atingir o inabalável Enrico Ferrari.
— Não viaje, Ethan. Não sou como você, que se deixou enfeitiçar por Camille.
Enquanto conversávamos, meus olhos corriam pelos currículos das candidatas à vaga. E então, como se o destino pregasse uma peça, lá estava ela: Antonella Caruso. A mulher do estacionamento era uma das candidatas.
— Camille é especial — ele retrucou, mas eu mal ouvi. Minha mente estava formulando planos.
— Antonella... — murmurei, quase para mim mesmo.
— O quê?
— Nada, Ethan. Preciso ir. Obrigado por confirmar sobre o helicóptero. Nos vemos mais tarde.
— Certo. Não se esqueça da festa na boate. Até logo!
Desliguei, ainda com um sorriso pensativo nos lábios. A ideia de entrevistar pessoalmente Antonella era irresistível. Nunca me envolvia nesse processo, delegava ao RH e a Simona. Mas desta vez seria diferente.
Chamei Simona e expliquei que assumiria as entrevistas. Pedi que deixasse Antonella por último. Eu queria saborear esse encontro.
Uma a uma, as candidatas entraram e saíram rapidamente. Suas qualificações eram adequadas, mas minha decisão já estava tomada. Meu interesse por Antonella ia além do profissional. Havia algo naquela mulher que despertava meu lado mais instigante.
— Senhorita Atrevida, mal posso esperar para nosso próximo encontro — murmurei, segurando o currículo dela entre os dedos, um sorriso se formando em meus lábios.
Antonella Caruso
Estava convencida de que minha sorte havia me abandonado. Encarar Enrico Ferrari, o "Senhor Arrogante", como meu entrevistador era a última coisa que eu esperava.
— Sim, sou Antonella. E você, pelo visto, é mesmo o Senhor Arrogante — respondi, tentando manter a compostura.
Ele abriu um sorriso que poderia derreter o gelo dos Alpes. Inclinou-se sobre a mesa, os olhos fixos nos meus.
— Senhorita Atrevida. Gosto disso. Tivemos um início turbulento, mas sejamos francos: você precisa do emprego, e eu preciso de alguém com suas qualificações. Não há por que prolongarmos o desentendimento.
Engoli meu orgulho. As contas empilhadas em casa pesavam mais do que minha vontade de retrucar. Respirei fundo e concordei.
— Tudo bem. Podemos seguir em frente. Somos adultos, afinal.
— Perfeito. Vamos começar do zero. Sou Enrico Ettori Ferrari, CEO das Empresas Ferrari. Prazer em conhecê-la, senhorita Antonella.
Ele estendeu a mão. Ao tocá-la, senti um calor inesperado, uma corrente elétrica que percorreu meu corpo. Seus olhos não desviaram dos meus, e por um momento, o mundo ao redor pareceu parar.
— O prazer é meu — respondi, com a voz ligeiramente trêmula. — Antonella Caruso.
Sentei-me diante dele, tentando manter a postura profissional. Enquanto ele analisava meu currículo, seus olhos ocasionalmente levantavam para me observar. Havia algo naquele olhar que me deixava inquieta, como se ele pudesse ver além das palavras no papel.
— Serei estritamente profissional e provarei que não sou o imbecil que você imagina — ele disse, com um meio sorriso.
— Nunca disse que você é um imbecil.
— Não precisou. Está escrito na sua expressão — retrucou, divertido.
Mordi o lábio, tentando conter uma resposta ácida. Ele era provocador, mas eu não podia me dar ao luxo de estragar tudo.
— Você tem disponibilidade para viajar? — perguntou, voltando ao tom sério.
— Sim, tenho. Mas imaginei que o trabalho seria fixo aqui na empresa...
— Não posso fornecer detalhes até decidir quem ocupará a vaga, senhorita Caruso.
Aquele sorriso enigmático retornou aos seus lábios. Eu precisava me controlar. Pensei nas contas, nas dívidas, na necessidade desse emprego.
— Quantos idiomas você domina fluentemente?
— Italiano, francês, alemão, inglês, espanhol e tenho um bom nível em mandarim.
— Impressionante. — Ele fez anotações, sem tirar os olhos de mim por muito tempo. — Está ciente do salário oferecido?
Assenti, e ele continuou:
— Tem alguma pergunta?
Hesitei por um momento.
— Sim... gostaria de saber quando o emprego teria início, caso eu seja escolhida.
— Deveria ser mais confiante. Que tal "quando eu for escolhida"? — Ele arqueou uma sobrancelha, provocador.
Não consegui decifrar se ele estava me encorajando ou simplesmente brincando comigo. Decidi ignorar.
— Preciso começar o quanto antes.
— Tem outros compromissos?
Ele parecia se divertir com a situação. Seu queixo erguido, a postura altiva, tudo nele exalava poder e segurança. Sentia-me desafiada.
— Nenhum. Apenas necessidade de trabalhar.
Ele finalizou suas anotações e fechou a pasta.
— Muito bem, acho que concluímos por hoje. Foi um prazer, senhorita Antonella. Em breve, entraremos em contato com o resultado.
Levantamo-nos ao mesmo tempo. Enquanto me acompanhava até a porta, senti novamente aquele olhar intenso sobre mim. Meu coração acelerou, e tentei disfarçar o nervosismo.
Ao estender a mão para me despedir, seus dedos envolveram os meus com firmeza, mas suavidade. O toque quente fez um arrepio percorrer minha espinha. Seus olhos fixos nos meus, um sorriso quase imperceptível nos lábios.
— Obrigada, senhor... — minha voz saiu quase como um sussurro.
— Enrico — corrigiu, a voz profunda ressoando em meus ouvidos. — Espero ter notícias suas em breve.
Ele piscou, e por um instante, todas as preocupações pareceram desaparecer. Afastei-me, sentindo o rosto corar. O que estava acontecendo comigo? Não podia me deixar levar por encantos superficiais.
Saí da sala com passos rápidos, tentando recuperar o controle. Meu coração batia descompassado, e minha mente estava uma confusão. Enrico Ferrari era um homem sedutor, inegavelmente atraente. Mas também era arrogante e provavelmente acostumado a ter todas as mulheres aos seus pés.
Mas eu não era como as outras. E algo me dizia que ele sabia disso.
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