
Senhor Arrogante - Amor sob contrato
Capítulo 3
Saí do escritório e fui direto para o carro, ainda com os olhos marejados. Meu dia tinha sido um completo fracasso. Dei partida no motor, frustrada, já me preparando mentalmente para uma noite de lamentações. No entanto, uma notificação no celular mudou tudo. Meu coração parou por um segundo ao ler a mensagem: O emprego era meu.
A incredulidade tomou conta de mim. Liguei para minha melhor amiga, Lola, com a voz trêmula de emoção.
— Você não está falando sério! — Ela praticamente gritou do outro lado. — Além de estacionar na vaga dele, você o chamou de "Senhor Arrogante"?!
— Sim! Eu tive a coragem de fazer isso. — Eu ri nervosa. — Não fazia ideia de quem ele era, e ele me irritou me chamando de "belezinha". Agora ele é o meu chefe!
Lola caiu na gargalhada.
— Como você não sabia quem ele era? Eu já vi fotos dele na internet. Enrico Ferrari é praticamente um Deus grego!
Revirei os olhos, mas um leve calor subiu pelo meu rosto ao lembrar de sua figura imponente.
— Eu trabalhei para a empresa antes, mas só conhecia o pai dele. Nunca cruzei com o Senhor Arrogante em pessoa — expliquei, tentando desviar a conversa do fato de que ele realmente era um homem impossível de ignorar.
— Bem, agora você conheceu o filho gostoso, né? — provocou Lola, divertida.
— Para com isso! Ele é meu chefe agora, precisamos manter a seriedade.
— Tá, tá, vou ficar quieta. Mas vamos sair mais tarde para comemorar e você me conta tudo. Não aceito desculpas!
— Está bem, às oito? — cedi, já sabendo que não tinha como escapar.
— Perfeito! E esteja preparada para todos os detalhes sobre esse Senhor Arrogante.
Ri, mas logo depois que desligamos, a realidade voltou a me assombrar. Como eu ia esquecer aquele olhar penetrante? Aquele sorriso torto que parecia um desafio? E a arrogância que ele carregava como uma segunda pele? Não importava. Agora, o que contava era o meu salário e a estabilidade que ele traria, pagando as contas que ainda me sufocavam.
Suspirei, tentando me concentrar, mas uma notificação do Google piscou na tela do meu laptop. Uma matéria sobre Pierre Alan, o cantor fracassado que eu um dia chamei de marido, surgiu no site de fofocas. Meu estômago revirou de nojo e amargura. Ele agora fazia shows beneficentes pela Europa, mas eu sabia que isso era uma fachada barata. As lembranças de nosso relacionamento tóxico voltaram com força total, e um misto de arrependimento e repulsa me envolveu.
Eu o havia amado, acreditado nas suas promessas vazias e perdoadas suas traições. Enquanto ele subia ao palco, todo tatuado e se exibindo para as fãs, eu estava nos bastidores, mais uma assistente do que uma parceira. Trabalhei duro para manter nosso relacionamento e nossa vida juntos, mas ele nunca me enxergou. Até o dia em que o peguei com a vizinha. Sem vergonha, sem preservativo. O golpe final na minha dignidade.
Mas agora, eu estava de volta. Tinha um novo emprego, uma nova chance de recomeçar e, pela primeira vez em muito tempo, sentia que estava no controle da minha vida novamente.
Passei o resto do dia organizando minhas coisas para o início no novo trabalho. Contei para minha irmã e ficamos horas em uma chamada de vídeo, compartilhando a felicidade e o alívio que o novo emprego trazia. Era a primeira vez em muito tempo que eu me sentia empolgada com o futuro.
Mais tarde, naquela noite, encontrei Lola na boate. O lugar estava cheio, a música alta, as luzes dançantes. Mas minha mente estava longe, pensando no meu novo chefe, o Senhor Arrogante. Percebi que, mesmo com a tentativa de relaxar, ele ainda ocupava meus pensamentos.
— Terra chamando Antonella! — Lola riu, me puxando de volta à realidade. — Esquece o trabalho por algumas horas e vem dançar. Hoje é só celebração!
Ela me puxou pela mão, me fazendo rir enquanto eu tentava acompanhar seus movimentos no meio da pista. Estava me esforçando para parecer sensual, mas os saltos altos me dificultavam um pouco. Quando finalmente encontrei o ritmo, olhei para cima, e meu coração deu um salto.
Na área VIP, cercado por mulheres deslumbrantes que se esfregavam nele, estava Enrico Ferrari. Ele parecia completamente à vontade, seu olhar poderoso vagando pelo salão até cruzar com o meu. Engoli em seco e virei de costas rapidamente.
— O que foi? — Lola perguntou, percebendo minha reação.
— Nada — menti, tentando me recompor.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, um homem esbarrou em mim. Era bonito e sorria de um jeito que fazia meu radar de alerta disparar.
— Desculpe, me empurraram — disse ele, inclinando-se para falar no meu ouvido. — Mas já que estou aqui, preciso dizer: você é linda. E essa dança me deixou louco.
Eu sorri, sem graça, mas quando ele tentou se aproximar ainda mais, me afastei. Ele, no entanto, insistiu.
— Que tal irmos para um lugar mais reservado? Na área VIP, talvez? Posso te mostrar como danço... no seu colo.
Senti sua mão deslizar em direção à minha coxa, e meu corpo inteiro se retesou de indignação.
— Dispenso seu convite — respondi, fria, virando de costas. Mas antes que pudesse ir embora, senti uma mão grosseira apertando minha bunda. Virei pronta para dar um tapa no idiota, mas não tive tempo.
Um soco rápido e preciso atingiu o homem, e ele caiu no chão, gemendo de dor. Olhei, chocada, e vi Enrico em cima dele, furioso, desferindo mais golpes.
— Fique longe dela, imbecil! Jamais ouse tocá-la novamente! — ele rugiu, o olhar feroz enquanto esmurrava o sujeito.
O caos tomou conta da boate. A música parou, gritos começaram, e a multidão se agitou. Alguém me puxou pelo braço e, quando percebi, já estava do lado de fora, ofegante. Lola estava ao meu lado, os olhos arregalados de preocupação.
— Você está bem? — ela perguntou, a voz tremendo. — O Enrico brigou por você. Isso foi surreal!
Olhei para trás e vi a boate cercada de policiais. Antes que pudesse processar o que havia acontecido, Lola me arrastou para dentro de um táxi. O silêncio entre nós era pesado, preenchido apenas pelas batidas rápidas do meu coração.
Enquanto Lola recebia notificações de notícias sensacionalistas, virei-me para ela, surpresa.
— Olha isso — ela disse, me mostrando o celular. As manchetes diziam que Enrico havia brigado por causa de uma ex-mulher ou por um funcionário, todas completamente erradas.
Quando finalmente cheguei em casa, estava exausta, mas meus pensamentos ainda estavam emaranhados. Despedi Lola, assegurando-a que ficaria bem, e entrei no meu apartamento. Tentei dormir, mas o tumulto da noite e, principalmente, Enrico, não me saíam da cabeça.
Enquanto eu me acomodava na cama, desejando que o sono me dominasse, o telefone tocou. Atendi, confusa, e uma voz grave e familiar atravessou a linha, fazendo meu coração disparar.
— Antonella...
Eu sabia exatamente quem era. Meu corpo inteiro reagiu àquela voz, que misturava autoridade e desejo. Era ele.
— Enrico — respondi, sentindo uma onda de adrenalina.
— Você está em casa? Está bem?
— Sim, estou... obrigada por perguntar — murmurei, a voz quase trêmula.
— Ótimo. Te espero amanhã às 7:30. Não se atrase. Eu não perdoo atrasos — ele disse, com aquela voz grave e sedutora que me fazia perder o fôlego.
Desligou antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, deixando-me com uma mistura de surpresa, excitação e confusão. Meu coração batia forte, e o sono parecia impossível.
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