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Capa do romance SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE AMAREI

SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE AMAREI

Criada no luxo para ser a esposa ideal da elite, Eleonora Torne vê sua vida perfeita ruir em 1945. Após a morte trágica de sua mãe por pneumonia e a depressão profunda de seu pai, a herdeira perde toda a estabilidade. Agora, a jovem de mãos delicadas precisa abandonar a inocência e encarar humilhações inimagináveis para sobreviver. Forçada a amadurecer rapidamente, ela enfrentará desafios árduos para garantir o próprio sustento em um mundo que não a protege mais.
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Capítulo 3

Já na sala da senhora Filin, depois que entraram a senhora logo mandou que Eleonora sentasse, enquanto seguiu na direção de uma grande janela abrindo-a deixando o Sol adentrar, clareando e arejando todo o cômodo, em seguida a senhora sentou-se em sua confortável cadeira atrás de uma grande mesa de madeira maciça escura, olhando para Eleonora, falou: 

   — Então, senhorita Torne, em que posso lhe ajudar? — perguntou a senhora observando cada detalhe nos gestos da jovem sentada à sua frente. Aprumando-se melhor no assento, Eleonora começou a falar fluentemente com a voz firme pois queria passar uma boa impressão à senhora. 

   — Senhora, eu estou precisando muito de uma remuneração mensal, e não sei se a senhora já foi informada sobre minhas capacidades, mas minha amiga que incentivou-me vir até aqui disse-me que sou capaz de passar tudo que aprendi minha vida toda com a minha mãe que assim como eu, também aprendeu com minha avó e bisavó, mas a senhora pode ficar a vontade em fazer uma avaliação para certificar-se se sou mesmo capacitada.

— Certo. — disse a senhora observando-a com atenção.

— Senhorita Torne, desde que pousei meus olhos na senhorita, já estou fazendo essas avaliações, o seu comportamento, o jeito de como andar, falar,   se expressar e cumprimentar. O momento que a senhorita sentou-se, a sua postura, o tom de voz, sim, nesses pequenos gestos eu já lhes dou uma boa nota, claro que quero fazer uma avaliação melhor, e para isso, a senhorita terá que ficar um período em experiência no qual a senhorita vai estar expondo tudo que sabe acompanhada de uma pessoa altamente preparada para lhes avaliar, tudo bem para a senhorita? — disse a senhora sem tirar os olhos dos de Eleonora.

— Sim, sim senhora, pra mim está perfeito, e com certeza vou procurar dar o meu melhor e se a senhora tiver que me ensinar alguma coisa que eu não sei pode ficar a vontade, eu aprendo rápido e serei muito grata.

— Tá, certo, então quando a senhorita pode começar?

— Hoje mesmo se assim a senhora concordar. — disse Eleonora tentando manter-se calma e não expressar tamanha felicidade na frente da senhora. 

 — Certo, então, vou pedir que lhes mostrem tudo por aqui, assim a senhorita já fica conhecendo as salas, os dormitórios, os das alunas e uma área que os professores são proibidos de circularem, para preservar a privacidade delas. 

— Senhora, eu gostaria de lhe perguntar uma coisa, mas estou envergonhada.

— Então não fique e pergunte-me.

— Bom, e... e que... eu gostaria de saber se a senhora teria um lugar para eu dormir, assim facilitará-me, muito. 

— Sim, sem problema, mandarei que vejam um dormitório para a senhorita? E a senhorita pretende ficar direto?

— Sim, isso mesmo, se não tiver nenhum problema. — falou Eleonora já sentindo-se eufórica.

— Olha senhorita Turner, nós  temos, mas e sua família, vai permitir isso? — vejo que a senhorita é tão jovem. — disse a senhora olhando-a com apreço. 

— Eu não tenho família! — falou abaixando o olhar para as mãos entrelaçadas sobre o colo. —  meus pais já são falecidos, eu sou sozinha. —  disse Eleonora baixando os olhos se entristecendo ao lembrar-se dos pais.

— Eu sinto muito, quantos anos tens? 

— Vinte um, senhora, minha mãe já tem três anos de falecida e meu pai pouco mais de um ano e meio, de lá pra cá, sou sozinha. 

— Certo, então, a senhorita pode ocupar um dos dormitórios na área dos funcionários!  No entanto, não permitimos visitas e nem arruaças. 

— Por mim tudo bem, não sou de bagunça e nem tenho amigos, só tenho uma amiga que é a prima de sua amiga que me indicou. 

— Ok, então, está tudo acertado entre nós. —  disse a senhora levantando-se e esticando o braço para apertar a mão de Eleonora já de pé a sua frente.

***

Naquele mesmo dia, Eleonora começou como assistente nas aulas de uma pequena turma acompanhada de uma supervisora, que observava cada um de seus gestos, mas que no final tudo deu certo, a supervisora ficou bastante impressionada com tudo que viu Eleonora aplicar nas aulas naquele dia assim como nos seguintes. 

O mês passou e a supervisora terminou de avaliar Eleonora ficando bem satisfeita com tudo que presenciou, passando um relatório satisfatório para a senhora Filin, que com o que já tinha visto, foi o suficiente para contratá-la oficialmente Eleonora na escola. Como já estava instalada em um alojamento, Eleonora permitiu que uma família de quatro pessoas morassem em sua casa, a qual lhe davam uma quantia não muito alta, mas que servia para guardar para uma emergência. 

Dois anos passaram. 

Eleonora estava se dando muito bem na escola, tanto ensinava como também aprendia muito, diante daquelas moças mimadas e rebeldes, ela pode ver, como ela era antigamente quando junto a sua antiga turma se comportavam do mesmo jeito no colégio onde frequentou.

Uma tarde, Eleonora foi chamada pela a senhora Filin, para comparecer a secretária, quando chegou, bateu na porta, logo ouviu a voz da senhora mandando-a que entrasse, ela adentrou deparando-se com uma das suas alunas que tinha aprontado em sua aula no dia anterior, fazendo arruaças, e instigando outras alunas também a desafiar Eleonora.

— Boa tarde, senhora Filin, a senhora deseja falar comigo? —  perguntou Eleonora assim que adentrou na sala. Olhando para a jovem sentada à frente da senhora, Eleonora faz um leve gesto com a cabeça em cumprimento. 

A senhora Filin logo respondeu seu cumprimento, já a moça não falou nada nem tão pouco a saudou, simplesmente desviou seu olhar. A senhora então olhando para Eleonora, começou a falar.

—  Senhorita Torne, essa e a senhorita Buarque,  ela está aqui fazendo uma acusação muito séria a seu respeito.

— E mesmo senhora, me desculpe por não trazer o assunto para senhora, eu conversei com elas e algumas até prometeram que não iria se repetir, então não vi necessidade de lhe trazer um problema tão pequeno. 

— Do que a senhorita está falando? Há outros problemas no qual a senhorita Buarque esteja envolvida? — perguntou a senhora olhando surpresa de uma para outra. 

— Senhora Filin, por qual motivo a senhora chamou-me? Perguntou Eleonora vendo que a senhora não estava ciente do acontecido no dia anterior em sua sala. 

— Senhorita Torne, a senhorita Buarque, está lhe acusando de ter entrado no seu aposento e furtado um colar de pérolas.

— O que?! Como assim, eu jamais faria isso! E além do mais nesses dois anos trabalhando aqui eu nunca ultrapassei os limites estipulados no meu contrato, jamais fui a ala dos aposentos das alunas! A senhora pode confirmar com as zeladoras. —  afirmou Eleonora, confiante. 

— Sim, senhorita Torne, eu já fiz isso, e nesse exato momento eu ordenei uma busca ao seu aposento para ver se encontram o colar da senhorita Buarque.

— O que?! Então, a senhora acreditou que eu realmente peguei o colar?

— Senhorita Torne, eu prefiro aguardar o andamento da busca. — falou a senhora olhando-a séria. —  Pois mesmo que ela não quisesse acreditar naquela possibilidade, tinha que levar aquele assunto até o fim para assim saber o que estava acontecendo ali em sua escola.  

De pé com as mão suando de nervosa, Eleonora sentiu-se muito triste pelo que estava passando, pois em toda sua vida nunca colocou as mãos no que não lhe pertencia, mas não tinha outro jeito a não ser esperar se iriam ou não encontrarem o tal color em seu aposento, pois mesmo que tivesse certeza de não ter pego, algo lhe dizia que aquela moça astuta, não iria procurar a diretora sem ter arquitetado algo contra ela. Ser acusado por uma coisa que realmente não fez, era algo ilógico. E ainda por cima por uma aluna mau caráter como aquela garota, que desde que chegou estava empenhada em virar a paz daquele lugar em um desassossego, tanto nas salas de aulas como nos dormitórios das outras alunas. 

Uns minutos depois, elas ouviram batidas na porta.   

—  Entre! —  disse a senhora Filin, as duas zeladoras uma senhora já de idade que todas as alunas achavam severa e intransigente e uma mais nova, recém contratada que era o posto da primeira, entraram, a mais velha carregava um embrulho nas mãos que logo ao se aproximar em passos largos entregou a senhora Filin, que depois de assentir com a cabeça em agradecimento, olhou para Eleonora e a senhorita Buarque. Em seguida abriu o lenço de rosto, azul celeste de cetim, no qual Eleonora logo que colocou os olhos no embrulho reconheceu o lenço como seu.

A senhora Filin, abriu o lenço na palma de sua mão, onde todos presentes se depararam com o colar de pérolas no qual a senhorita Buarque havia descrito antes. Eleonora ficou olhando para o objeto atordoada, pois ela nunca tinha visto aquele colar em sua vida. A senhora Filin esticou a mão que estava segurando o colar na direção da senhorita Buarque e perguntou-lhe. 

— É esse o colar que sumiu do seu aposento? — ela sabia que a jovem iria afirmar é claro, mas era preciso dar-lhes corda, para dar continuidade em seu raciocínio.

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