Capa do romance SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE AMAREI

SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE AMAREI

9.1 / 10.0
Criada no luxo para ser a esposa ideal da elite, Eleonora Torne vê sua vida perfeita ruir em 1945. Após a morte trágica de sua mãe por pneumonia e a depressão profunda de seu pai, a herdeira perde toda a estabilidade. Agora, a jovem de mãos delicadas precisa abandonar a inocência e encarar humilhações inimagináveis para sobreviver. Forçada a amadurecer rapidamente, ela enfrentará desafios árduos para garantir o próprio sustento em um mundo que não a protege mais.

SEMPRE TE AMEI E SEMPRE TE AMAREI Capítulo 1

A Carta

Carta encontrada décadas depois por membros da família de Eleonora Torne, a qual fizeram questão de nos informar o momento em que a jovem se apaixonou nos anos 50. 

Aqui vos conto um pouco de momentos marcantes da linda, mas também trágica história de Eleonora. 

Eleonora Torne nasceu no ano de 1927, em uma família bem sucedida, na qual nunca lhe  deixou faltar nada. Sua mãe, que assim como ela, também veio de uma família rica e sempre permitiu que Eleonora tivesse de tudo, menos a liberdade que moças daquela época não podiam ter, pois nem mesmo podiam ir ao portão de suas residências sem suas damas de companhia. No entanto, Eleonora e seus pais já estavam se acostumando com as modernizações que chegavam ao mundo, e continuaram a criá-la com os mesmos limites que eles foram criados. Ao longo dos anos, Eleonora teve o privilégio de, junto aos seus pais, se modernizar e se adaptar às mudanças que aconteciam rapidamente ao seu redor. Mas, no ano de 1945, seu mundo mágico e perfeito começou a desmoronar tão rapidamente que Eleonora não teve a chance de se preparar para tamanha transformações, e, apesar de ser tão jovem, enfrentou  com denodo as turbulências em sua vida.   

AQUI COMEÇA A HISTÓRIA DE ELEONORA TORNE. 

          TRÊS ANOS ANTES 

No funeral…

Em meio à dor, Eleonora e seu pai receberam em sua residência os amigos e vizinhos que compareceram para expressar seus sentimentos pela perda da família.

Enquanto o pai estava sentado em uma cadeira próximo totalmente catatônico, Eleonora permanecia debruçada sobre o caixão com o rosto colado à face fria da mãe, molhando-o com suas lágrimas.

    — Mamãe… — gritava desesperada.   

   — Não me deixe sozinha! Eu não quero ficar sem você, mamãe… não se vá, não me deixe sozinha… eu ainda não estou pronta, preciso de você. — Seu grito de dor, cortava a alma. 

   — Como vai ser sem você aqui comigo e o papai, mamãe? 

Eleonora estava desesperada e não queria se distanciar e deixar que o corpo fosse sepultado. Amparada pela amiga Iolanda, que tentava afastá-la, pois estava perto da hora de o caixão, que estava sobre a mesa no centro da sala, ser retirado. Alguns homens que ajudariam a carregá-lo já estavam posicionados próximos, mas Eleonora se recusava a sair, como se, permanecendo ali, ainda teria sua mãe consigo.

No canto da sala, um lindo rapaz observava toda aquela triste e emocionante cena, com os olhos lacrimejantes e o coração apertado ao vê-la daquele jeito. Ele desejava se aproximar e abraçá-la para confortá-la, contudo, sabia que não era o certo a se fazer e temia que Eleonora o rejeitasse.

Diante disso, preferiu se esconder novamente em sua covardia e medo de ser ignorado por Eleonora, que, desde o colégio, não o olhava, apesar dele demonstrar interesse com olhares afetuosos, seguindo-a de longe na esperança dela olhar em sua direção.

No entanto, isso nunca ocorreu. Eleonora sempre estava rodeada por seus amigos da alta sociedade, que se divertiam em fazer pouco caso de pessoas que se dedicavam de verdade aos estudos, diferentes deles e, também, costumavam tirar sarro de pessoas como ele, que sempre foi extremamente concentrado e tímido.

Aquela turma, assim como Eleonora, viviam sem preocupações, pois tinham tudo à sua disposição. Eleonora era uma boa moça, dedicada aos estudos, mas passava o tempo livre com aqueles que não eram dignos de sua amizade. Ela não se importava tanto com a vida, pois tinha pais que vieram de famílias bem sucedidas e lhe dava tudo o que desejasse. Mal sabia ela que, com o falecimento da mãe, a ruína estava bem mais próxima do que imaginava, pois aquilo era apenas um terço do que estava por vir. Logo, toda aquela pompa de riquinha acabaria e ela passaria por muitos outros momentos dolorosos, que a faria ver quem realmente eram seus verdadeiros amigos.

A Eleonora vaidosa, descontraída e extrovertida seria substituída por uma Eleonora humilde, que enfrentaria humilhações como nunca havia enfrentado, que sentiria o sofrimento em sua pele, apesar de, particularmente, nunca ter humilhado ninguém. No entanto, ela também nunca impediu que os seus amigos fizessem algo em sua frente e não os recriminava com receio de perdê-los, tendo em vista que, dessa forma, seria bem vista por todos. 

Uma menina inocente como Eleonora, agora precisaria enfrentar o mundo sem sua fortaleza ao seu lado; sua mãe. A senhora Torne sempre foi uma mulher muito forte, mesmo durante a doença, tentou fazer com que a filha se tornasse uma mulher capaz de lidar com tudo. Sua mãe queria ter tido mais tempo para prepará-la antes de deixá-la, apesar de nunca ter imaginado que sua filha enfrentaria qualquer dificuldade, pois teria o pai ao seu lado.

Após a morte da senhora Torne, ninguém poderia imaginar que o futuro de Eleonora seria trágico e que ela enfrentaria tudo sozinha, pois logo não teria nem o pai para ampará-la, diferente do que sua mãe imaginou. Eleonora teria que aprender a se defender da dura vida, que o chamado “destino” preparou com diversas armadilhas, a fazendo sofrer bastante, mas também a ensinando a ser mais forte e, então, prosseguir com mais maturidade.

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