
Sempre sua Luce
Capítulo 2
Capítulo 3
Cruelford
Acabei indo de ônibus. Era "tarde" demais e peguei um trânsito
enorme no caminho, mas essa era a melhor alternativa. O metrô é
vazio e bem mais limpo, mas demorava demais e fica a uns quatro
quarteirões de distância do meu trabalho.
Para melhorar furei minha meia calça quando entrei correndo no
edifício Crawford. Ele é um dos maiores e mais altos da rua, todo
espelhado, com um quê de superioridade comparado aos outros ao
seu redor. No primeiro andar está a sua recepção toda em mármore
claro, uma cor próxima ao bege, e com muito vidro. Para entrar você
deve ter uma carteira de identificação com nome e cargo, mas só os
funcionários da plebe, eu como exemplo, precisam disso. Para os
chefes e empresários isso nem é necessário, só é preciso olhar para
o grande Rolex em seu pulso ou seu terninho impecável de marca.
Não sei nenhuma marca de terno cara, mas nem preciso, o que sei
é que qualquer que seja sua marca, só a gravata deve valer a minha
vida e mais um pouco, ainda ficaria devendo.
Entrei na recepção e passei correndo por Gabe, o recepcionista,
para conseguir pegar o elevador. Trabalho no 9º andar, o que é bom
porque a cozinha fica no 7º, e a maravilhosa e melhor máquina de
café do mundo fica no 12º, então nem preciso de elevador. Quando
cheguei ao meu andar já sabia que o senhor Maxon estava me
esperando, como sempre.
- Minha sala, agora! – Ele ama gritar comigo. Deve ter uns 45 anos,
loiro alto, sempre está de terno tons de cinza e até que dava um
caldo. Mas ele é tão irritante que consegue ficar feio.
Fui correndo para sua sala, no fim do corredor do departamento.
Quando entrei ele logo fechou a porta com tudo atrás de mim, dessa
vez eu até que senti um pouquinho de medo. Só um pouquinho.
- Senhorita Smith, estou cansado de tanto chamar sua atenção por
conta dos seus atrasos. A Senhorita trabalha para mim há um ano e
nesse tempo todo acho que nunca a vi chegar na hora, você sabe
qual é o horário que deve estar aqui na empresa? Às vezes penso
que não!
- Desculpa senhor Maxon, é que eu acabei me atrasando – ele era
tão irritante, não acredito que já o aguento há um ano.
– Isso eu já percebi senhorita! – disse ele, gritando. Não te disse,
ele ama gritar comigo.
- Sim, mas ontem fiquei até as 22h00 aqui na empresa, repassei
todos os relatórios da semana inteira. Fiz também suas planilhas de
custos e investimentos, está tudo com o departamento de
atendimento e pronto para entregar ao cliente. Sei que não justifica
o meu atraso senhor, mas não estou prejudicando o meu trabalho
aqui na empresa por chegar atrasada, eu sempre compenso em
horas extras. – Isso sem nenhuma bonificação, é claro.
- Disso eu estou ciente, sei muito bem o que cada funcionário em
meu departamento faz – não parece – Porém, como a senhorita
mesmo disse, isso não justifica os seus atrasos. Estou sempre
tentando te ajudar, sei que o seu passado não foi fácil, estou a par
dos problemas e dificuldades... – Blá, blá, blá como você é sofrida e
sua vida é uma droga, era só o que eu escutava. Sabia que como
sempre ele iria entrar com esse discurso da garota esperança,
estava até demorando – Enfim, vou te dar mais uma chance como
sempre, mas desta vez não desperdice! Vou ficar de olho em seu
serviço, qualquer deslize seu já sabe, RUA! – gritou ele, mas uma
vez.
- Sim senhor, pode deixar comigo e me desculpe novamente pelo
atraso, não vai mais acontecer. – Eu espero.
- Acho ótimo. Agora pode ir para a sua mesa, temos muito trabalho
a fazer.
Sai da sala do senhor Maxon com um sorriso bem falso no rosto. No
fundo ele está certo, tenho que parar de chegar atrasada, mesmo
fazendo todo o meu trabalho sem erros e até mesmo
antecipadamente, eu precisava deste emprego. Precisava demais.
Tinha que sair do lar o mais breve possível, logo iria completar 21
anos e devo ter meu próprio cantinho. Mais alguns meses
poderíamos, eu e Jason, estava economizando a mais de um ano
para que isso fosse possível.
Assim que cheguei a minha mesa comecei a adiantar o meu
trabalho, hoje não poderia ficar trabalhando até mais tarde como
sempre, porque ia sair com o cara mais gato do meu bairro, Joe
Davys. Quando estava quase encerrando o meu expediente o
senhor Maxon jogou uma pilha de pastas em minha mesa, fazendo
com que eu desse um pulo de susto.
- Bom, senhorita Smith, percebi que gosta de ficar após seu horário
então não terá problemas em recolher dados sobre novos
investidores e criar estratégias de como podemos conseguir mais
contas, não é mesmo? Preciso delas para amanhã às 07h00 na
minha mesa juntamente com uma apresentação, faça um trabalho
completo pesquisando sobre os nossos maiores concorrentes e
também mande uma cópia para o Senhor Dickens, em meu nome.
Quando você acha que não pode odiar ainda mais uma pessoa,
aparece o senhor Maxon mostrando que isso é extremamente
possível. Era realmente uma pena eu já ter idade para ser presa por
assassinato.
- Mas Senhor eu... – não consegui nem argumentar porque ele já
estava a caminho do elevador.
O ódio e raiva me fizeram terminar o trabalho em menos de duas
horas. Cataloguei todos os novos clientes, focando no motivo da sua
escolha por nosso sistema e quais benefícios se encaixam melhor a
cada um, montei sua apresentação, transformei em dashboards e
fiquei com uma cópia de tudo só por precaução.
O ponteiro do relógio que ficava em cima da minha mesa tocou,
marcando 19h00. Comecei a me apressar. Marquei com Joe às
20h00 lá no lar, eu precisava chegar cedo e ainda me arrumar, ou
tentar ficar apresentável pelo menos. Até que meu celular tocou
mostrando que eu tinha uma nova mensagem. Número
desconhecido avisava o visor. Mas eu já sabia a quem aquele
número pertencia.
Capítulo 4
Emma Smith versus A melhor cafeteira do mundo
Eram duas mensagens de texto de um número desconhecido.
Comecei a ler a primeira e com isso me sentei de novo em minha
cadeira. Estava pronta para ir embora, era quase a hora do meu
encontro. Já tinha arrumado todos os documentos, colocado na
mesa do senhor Maxon e do senhor Dickens e consegui tempo de
até adiantar o trabalho do dia seguinte. Mas o que estava escrito
nas mensagens fez com que minha pressa fosse embora.
Desconhecido: Esqueça nossos planos pra hoje à noite, isso foi um
erro.
Desconhecido: Vou sair com a Kate.
Fui do céu ao inferno em cinco segundos. Maldito Joe Davys.
Sabia que era ele, passamos a tarde toda trocando algumas
mensagens bobas que me esqueci de adicionar seu número na
agenda do celular. Sua primeira mensagem chegou às 16h00.
Desconhecido: Ansiosa para hoje à noite?
Nem precisei pensar para respondê-lo.
Emma Smith: Claro que estou, nunca fui em uma festa no Granni's.
Óbvio que isso não era verdade, o que mais me deixava excitada
ansiosa era sair com Joe. Ficaria feliz até se ele me convidasse
para ir ao lixão, mas não ia deixar isso na cara. Depois de alguns
minutos ele responde.
Desconhecido: Aí, essa doeu. Então você só está me usando,
senhorita Smith?
Ri discretamente de sua resposta, olhei para os lados para ter
certeza de que meu chefe não estava por perto e o respondi.
Emma Smith: Bem, se isso significar café e muffins de graça por
toda vida acho que estou sim, senhor Davys.
Imediatamente ele me respondeu.
Desconhecido: hmm... mas você só quer isso de mim, muffins e
cafés ilimitados?
Claro que não, estava querendo outras coisas meio indevidas para
se escrever por mensagem de texto. Então me fiz de inocente e
respondi.
Emma Smith: Não tenho culpa se o seu café e seus bolinhos são os
melhores da região! Tenho que me aproveitar disso.
Desconhecido: Sim, mas eu possuo outras coisas que são as
melhores da região. Você pode se aproveitar delas também se
quiser...
Ai ai, Joe, Joe.
Pode ter certeza de que eu sei. Ele era bem simpático e discreto,
mas já "corriam" boatos pelo bairro sobre seus relacionamentos e
paqueras. Diziam que na adolescência era mais agitado, mas que
Joe nunca foi um canalha com suas parceiras, sempre era muito
carinhoso e cavalheiro. Também tinham outros boatos por aí que
falavam de sua GRANDE pessoa, se é que você me entende.
Emma Smith: está tentando me seduzir, Davys?
Desconhecido: com certeza! então me diz, está funcionando?
Essa tinha sido sua última mensagem, antes é claro de eu receber
esta agora. Ele não só me deu um bolo como me trocou pela Kate?!
QUAL É O PROBLEMA DOS HOMENS?
O que mais me irrita não é nem não poder sair com Joe, ter a
chance de usar pela primeira vez minha perseguida (que até então
nunca foi devidamente "perseguida"), ser abraçada por aqueles
braços fortes, arranhar aquelas costas firmes e largas, aí e aquele
cabelo.
TUDO BEM, ESSA PARTE ME DEIXA MUITO, MUITO PUTA! Mas
Kate? Sério?! Esperava mais de você Joe Davys.
Depois disso acho que vou ficar mais um tempo aqui na empresa.
Ainda não quero voltar para o lar e José, o porteiro, sempre me
avisa quando vai fechar tudo. Algumas vezes ele até me
acompanha até o ponto, diz que é perigoso uma moça como eu
andar por aí a noite.
Já que não iria sair com Joe e estava cedo para ir embora decidir ir
ao 12º andar, onde fica a melhor máquina de café do mundo que
falei. Deixei minhas coisas em minha mesa e subi. Quando o
elevador abriu me surpreendi com o que vi. O andar inteiro estava
aceso como se todos os funcionários estivessem trabalhando ainda.
Fui direto na cozinha, peguei um copo e apertei o botão cappuccino.
Sem sucesso.
A máquina parecia estática, não mexia e nem fazia nenhum
qualquer barulho. Nada.
Juntei toda a minha raiva acumulada do dia como ter me atrasado
(de novo) para o trabalho, ter rasgado minha meia preferida no
caminho, receber o esporro do Senhor Maxon, o toco que recebi do
Joe sendo trocada por Kate, tudo isso e comecei a dar tapas na
máquina.
Dar tapas é eufemismo comparado ao que eu estava fazendo,
depois de uns segundos comecei a espancá-la mesmo. Estava
dando uma boa lição naquela maldita, escrota e estupida máquina
de café quando ouvi alguém parar atrás de mim.
- O que ela lhe fez para tratá-la tão mal assim? - Disse um homem
com voz grave atrás de mim.
E como se estivesse sido pega em flagrante fazendo algo estúpido,
o que eu estava fazendo mesmo, gelei.
Capítulo 5
O estranho do 12º andar
Fiquei parada, imóvel por um instante, com as mãos apertando a
parte de cima da máquina. Passei por um misto de sensações.
Primeiro foi o medo. Quem estaria a essa hora ainda aqui na
empresa e por quê? Ninguém nunca ficava até esse horário, pelo
menos até agora. Segundo foi a curiosidade. A voz era de homem
com certeza. Era uma mistura de firmeza, repreensão, mas também
comicidade. Ele deveria estar rindo ou achando engraçada a minha
discussão com a máquina de café.
Ou achar que sou uma louca mesmo.
- Acho melhor você dar um tempo a ela antes do 2º round, linda. -
disse o estranho.
Tomei coragem e me virei para olhá-lo. Acho que até senti uma
glória divina na minha cara, sem exageros. Se Deus mandasse
alguém para representar o sexo na terra era esse homem. Devia ter
uns 30 anos, não sei bem. Pele um pouco bronzeada, cabelos
negros ondulados estavam bagunçados e emolduravam seu rosto.
De início seu corpo foi o que chamou a minha atenção, todo grande
e forte, emanava certa segurança, conforto. Seu sorriso era de um
perfeito conquistador que faziam companhia a sua postura. Estava
debruçado no vão da porta, com as mãos apoiadas no batente, seu
corpo ocupava todo o vão.
Porém o que me enfeitiçou foram seus olhos.
Foi muito estranho. Sabia que nunca havia visto aquele homem em
minha vida, mas algo em seus olhos teimava me dizer o contrário.
Enquanto isso, minha mente e meu coração travavam sua própria
batalha. Não conseguia parar de olhá-los, eram como faróis me
chamando, cada vez mais. Tinham uma cor escura, tal qual carvão,
onde quase não se distinguia de sua pupila. Cílios e sobrancelhas
negras e grossas contornavam e aperfeiçoavam seu olhar, os
tornando cada vez mais enigmáticos.
Para muitos, até mesmo para mim, a beleza dos olhos estava em
sua cor como azul, verde ou amendoada, mas pela primeira vez
percebi o quão errado era esse pensamento. No momento não
conseguia pensar em um par de olhos azuis ou verdes mais bonitos
que os negros do estranho em minha frente.
Não reparei que minhas mãos estavam suadas até que as esfreguei
em minha saia plissada, fingindo tirar dobras que não existiam. Ele
também me encarava. Seu sorriso logo se desmanchou e agora
estava sério. Seus olhos estavam fixos nos meus e seu olhar era
incrédulo, como se estivesse com dúvida ou preocupado com
alguma coisa.
- O-o que – eu disse tentando voltar à realidade – O que você
disse?
- Oh, eu...– parecia que também estava perdido em seus
pensamentos. Limpou a garganta e continuou –...Perguntei o que a
máquina lhe fez, linda.
Sai do meu momento de êxtase e comecei a ficar irritada de novo.
Quem esse cara pensa que é? Odeio quando homens colocam
apelidos em mim sem motivo ou se quer me conhecer. Por que fica
me chamando de linda? Até aqui na empresa não fico em paz.
- Não te interessa! - respondi irritada - Quem é você?
- Calma, minha linda. Trabalho aqui como a senhorita, suponho.
Estava trabalhando até mais tarde em um novo projeto, sou... – sua
voz mansa e extremamente sedutora estava me tirando do sério.
- Não sou sua linda! Na verdade, não sou nada sua nem te
conhecer eu conheço! Se você me chamar de linda mais uma vez
juro que te dou um soco na cara!
Ele continuava a me olhar daquele jeito intenso, deixando-me cada
vez mais sem fôlego. Soltou o batente e começou a andar em minha
direção. Lentamente. Não conseguia pensar, falar, nem mesmo me
mover. Não sei por que estava tão irritada com aquele estranho,
mas ao mesmo tempo queria sentir suas mãos grandes e fortes em
mim, explorando meu corpo todo, saciando o meu desejo me
apertando contra o balcão. Não, não. O que está acontecendo
comigo? Preciso pegar alguém, a abstinência está me fazendo mal.
Ele continuou vindo devagar em minha direção até que começou a
abrir seu paletó. Depois foi a vez de gravata. Tudo isso sem nenhum
momento tirar os olhos de mim. Meu coração começou a disparar, a
respiração aumentou tanto que parecia que faltava ar no ambiente,
não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. O
desejo estava tomando conta e aqueles olhos quase negros
estavam me levando à loucura. Ele parou a uns 30 centímetros de
distância. Ainda me encarando passou a mão por de trás de minha
cintura e...
Tec!
- Você tem que apertar mais forte. – Seu sorriso malicioso estava de
volta. Comecei a encarar seus lábios e sua barba por fazer. Pensei
como deve ser senti-la no rosto, esfregando em meu pescoço, qual
seria a sensação dele me apertando seus lábios contra os meus...
Oh céus, eu me transformei em uma tarada!
- O... O-oque? – minha voz saiu fraca, quase inaudível. A gagueira
estava me dominado hoje.
- Eu disse que você precisa apertar mais forte. – seu tom de voz era
grosso e profundo. Ai meu Deus, apertar o que mais forte? Como
assim? Será que ele estava pensando o mesmo que eu?
- Apertar o-o que mais forte?! – Fiquei um pouco com medo de
perguntar. Tudo o que passava na minha cabeça não era nada
inocente, queria apertar muitas coisas daquele homem ou que ele
apertasse muitas coisas minhas, aí não sei!
Foco, Emma, foco!
Então ele passou a mão pelas minhas costas de cima a baixo e
parou perto do topo da minha bunda. Comecei a ofegar. Respirar
estava se tornando uma tarefa cada vez mais difícil perto dele. Até
que me puxou para o lado devagar e foi se aproximando cada vez
mais. Ele me apertou ainda mais, puder sentir seu corpo prensando
o meu cada vez mais. Em um momento fechei os olhos, me
concentrando apenas em suas mãos e o caminho que as
percorriam.
- Apertar a alavanca da máquina mais forte, ela costuma travar às
vezes. Se a senhorita preferir... – sussurrou baixinho em meu
ouvido, com uma voz rouca muito – ...posso ajudá-la com isso.
Nesse momento soltei um grunhido vergonhoso, que me fez
despertar e ser jogada de volta a realidade. Encarei seus olhos mais
não por muito tempo, estava confusa demais e aí então desviei o
olhar e vislumbrei a máquina ligada. Estava tão enfeitiçada que não
reparei que ele abriu o compartimento de cápsulas para ligar o
equipamento. Que vergonha!
Precisava sair dali imediatamente. O estranho irresistível estava me
olhando profundamente com um sorriso tentador. Libertei-me de
seus braços e comecei a andar rapidamente em direção ao elevador
até que ele me puxou pelo braço.
- Espere! Qual é o seu nome? – questiona.
Puxei meu braço um pouco forte demais e continuei andando mais
rápido agora de encontro ao elevador olhando para o chão. As
escadas não eram uma boa opção nesse momento, ficar em um
lugar escuro com esse homem não ia ajudar.
Então ele disse com uma voz firme e séria quase gritando:
- Eu perguntei qual é o seu nome, senhorita. Responda. – Comanda
petulante.
Apertei o botão do elevador e só aí olhei para trás. Ele estava
parado no mesmo lugar onde tinha me puxado quando pediu para
que eu esperasse. O elevador chegou. Não consegui tirar os olhos
daquele estranho executivo que me encarava.
Seu rosto estava sério e impassível, pude ver que me olhava em
dúvida. Ainda olhando para ele comecei a entrar lentamente no
elevador de costas. Agora ele estava se aproximando rapidamente
com uma expressão de raiva em seu rosto. Não sei bem se era isso
direito. Ele escondia muito bem suas emoções, ao contrário de mim
é claro.
- Eu? – falo baixo, desviando o olhar – Não sou ninguém, senhor.
Boa noite.
E as portas do elevador se fecharam.
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