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Capa do romance Sempre sua Luce

Sempre sua Luce

Emma Smith é uma mulher excêntrica e audaz que enfrenta um passado obscuro enquanto protege seu irmão, envolvido em lutas clandestinas. Em busca de estabilidade, ela cruza o caminho de Sean, um homem sedutor e misterioso que surge como seu salvador em momentos críticos. Contudo, ele esconde segredos perigosos e pode ser o grande vilão. Emma está em um dilema: Sean é a chave para sua origem, mas se apaixonar por ele pode destruir seu coração para sempre.
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Capítulo 3

Capítulo 9

O idiota do meu chefe

- Não vai me falar mais sobre você? Estou esperando. – Pergunta.

- Falar o que de mim Sean? Acredite, não tenho nada de importante

a dizer.

- Eu Duvido.

- Tudo bem, por onde eu começo a falar sobre a minha

"extraordinária" vida. – Debocho sorrindo. Não queria falar sobre o

orfanato para ele, mas então sobre o que falaria? Realmente não

tinha tanta coisa assim para dizer...

- Você pode começar a me dizer no que você trabalha lá na

empresa. Sei que é no 9º andar, mas o que a senhora faz?

- Ah, sou secretária no setor comercial de novos clientes. Trabalho

para o Senhor Maxon, na realidade eu posso até dizer que trabalho

por ele na maior parte do tempo. – Dei uma risadinha porque isso

realmente era engraçado, eu trabalhava por ele quase todos os

dias, na realidade até hoje o que eu mais fiz foi trabalhar no lugar

daquele cara. Ele mais dorme do que trabalha.

- Como assim? – Sean parecia mesmo interessado no que eu

estava dizendo e pode até parecer loucura, mas olhando em seus

olhos pude sentir que podia confiar nele.

- Bom, - suspiro - que fique aqui entre nós, mas, por exemplo, você

sabe daquela conta milionária que pegamos com a Goldman

Sachs?

- Sim, eu ouvi falar – pude sentir que ficou um pouco nervoso,

agitado no momento. Não entendi sua reação - o que tem ela?

- Pois então, quem fechou e assinou todos os papeis foi o Senhor

Maxon, mas eu que fiz todo o planejamento. Vi que os clientes que

compravam seus empreendimentos eram de alto escalão e que

precisavam de uma empresa como a nossa para cuidar tanto das

transações quanto trabalhar na melhoria da divulgação, e ver os

reais lucros que esse investimento pode ter. Fiquei cuidando desse

contrato durante meses, mas no final quem assinava o trabalho todo

era ele.

Sean ficou sério e em silêncio por alguns minutos pensando no que

eu havia dito. Fiquei tentando analisá-lo para tentar saber no que

estava pensando, mas não conseguia ver nada. Quando queria

Sean conseguia se tornar indecifrável, seu rosto era impassível.

Estávamos quase chegando então paramos mais uma vez em um

farol.

- Emma, isso é muito grave. Você deveria conversar com ele sobre

isso ou delatar esse caso. O que ele está fazendo com você é

extremamente errado, está te usando para obter lucros para si.

- E você acha que eu não sei? Mas ele é desse jeito mesmo, um

tremendo idiota, tem vezes que eu vou na sala dele e ele está

dormindo. Mas a coisa é mais complicada do que isso...

- Emma, responda-me sinceramente. O que você estava fazendo

até essa hora na empresa? Porque já está bem tarde e essa hora

ninguém mais deveria estar lá. – Sean agora me olhava sério e pelo

tom de sua voz pude sentir que ele não me pedia uma resposta.

Estava mandando mas de forma gentil, parecia realmente

preocupado ou somente curioso. Hesitei de início, mas acabei

cedendo,

- Eu estava fazendo uma pesquisa e criando a apresentação final de

lucros e estratégias para prospectar novos clientes, para a reunião

que Senhor Maxon fará amanhã.

- Emma, você ficou a noite toda fazendo a apresentação que ele

fará amanhã. Você não percebe o quão absurdo é isso? - ele

pergunta indignado.

- Se você acha isso absurdo espera eu te contar que ele nem me

paga por isso – comecei a rir, mas parei quando Sean parou o carro.

Havíamos chegado e eu nem percebi. Quando ele parou o carro

virou totalmente na minha direção exatamente igual como havia feito

quando começamos a nos beijar. No entanto, agora me olhava com

raiva, estava sério e parecia um pouco irritado.

- O que foi? - perguntei sem entender.

- Como assim? – disse cada palavra pausadamente.

Sua voz era tão séria e firme que nem consegui responder de

imediato. Ele não estava brincando. Seus olhos pareciam mais

escuros e frios, sua mão que estava no volante o segurava tão

firmemente que os gomos de seus dedos estavam esbranquiçados.

A outra estava novamente em minha coxa. Tive que me segurar

para não me derreter naquele instante, meu corpo todo se aqueceu

tão rapidamente que respirar normalmente, estava de novo, se

tornando meu maior desafio.

- Emma, responda-me. Agora.

- Você é bem mandão. - Tentei brincar para diminuir sua irritação,

todavia Sean estava impassível. Seu olhar ficou mais sério ainda e

suas sobrancelhas se união formando um "v" em sua testa.

- De qualquer forma você não entenderia, me desculpe, é mais

complicado do que você pensa.

- Experimente. - Sean disse me desafiando.

Respirei fundo. Mais uma vez. De novo só para garantir.

- O senhor Maxon não poderia me contratar, eu não sou apta ao

meu cargo – dei uma risada sarcástica – ou a qualquer cargo

daquela empresa, talvez para faxineira.

- Não acredito nisso.

O interrompi e continuei.

Se eu não falasse de uma vez talvez depois não fosse ter coragem

de fazê-lo.

- Eu não consegui terminar a faculdade. - Faço um movimento com

os ombros – Tranquei faltando alguns meses para me formar. Além

disso só fiz alguns cursos de secretariado e administração, nada

que me faça ser apta a trabalhar na Crawford. Ele já me conhecia

por uma amiga em comum, ficou sabendo que eu precisava de um

trabalho então confiou em mim. Por isso que faço tudo o que ele

pede, e fico feliz por fazê-lo, porque isso prova que mesmo sem

diploma eu consigo fazer um trabalho excelente como o que te falei,

que foi aceito pela presidência da empresa. - E estava dizendo a

verdade, me orgulhava muito disso.

Sean continuou em silêncio. Agora não olhava mais para mim e sim

para frente. Tirou a mão de minha coxa e voltou a sua posição de

motorista. Sofri em silêncio por isso e como ele não disse nada

continuei.

- Ele não paga minhas horas extras porque sabe que não vou

denunciá-lo ou algo assim. Preciso mesmo desse trabalho, não

posso perdê-lo Sean. Sei que se eu for ao RH a primeira coisa que

vão fazer é me demitir, além de que não posso provar minhas horas

extras, pois todo trabalho que faço é no computador pessoal dele, e

todas as planilhas, pesquisas e reuniões estão em seu nome, como

vou provar que fui eu que fiz tudo? Sou uma simples secretária

quem nem faculdade tem.

- Emma isso... isso é tão errado de tantas maneiras. Você não

pode...

- Sean o que eu não posso é perder o meu emprego - disse sendo

firme - Mas sabe de uma coisa? Eu até gosto de ficar na empresa

até tarde, faço isso desde sempre. Sério está tudo bem, só te disse

por que confio em você, não preciso que você faça nada e

principalmente não conte a ninguém! Preciso muito desse emprego.

Sean olhou para mim ainda com raiva e certa relutância em seus

olhos. Sei que não era direcionada a mim, mas a situação. Parecia

revoltado e derrotado ao mesmo tempo.

- Você promete? Promete não contar a ninguém? - perguntei.

Olhei diretamente em seus olhos, sei que era algo extremamente

difícil, porém era o que precisava fazer. Sean tinha que prometer

não dizer nem fazer nada, preciso demais daquele emprego. Mais

alguns meses e eu já posso me mudar do lar, ter meu próprio

cantinho. E para que isso seja possível eu aceitaria até engraxar os

sapatos do Senhor Maxon todo dia.

- Tudo bem, – disse a contragosto – não irei dizer nem farei nada.

Porém se esse tal de Maxon fizer algo mais absurdo que isso, não

me responsabilizo, Emma.

- Fechado? – perguntei.

Estendi a mão para um "high five" com soquinho, era assim que

fazia com Jason quando éramos pequenos. E aquele sorriso

esplêndido, que me fazia pensar em coisinhas e fazia minhas

pernas ficarem bambas, apareceu novamente. Sean mostrava certa

teimosia, mas quando sorri ele desistiu e bateu em minha mão.

- Fechado.

- Ótimo, sabia que podia confiar em você Sr. Riquinho que curte

comer lesma, - estendo o punho em sua direção - agora faltou dar

um soquinho, para fechar a promessa.

Seu sorriso se estendeu tanto que pude ver seus dentes. Seus

olhos agora estavam me encarando com carinho. Apertando minha

mão a levou até seus lábios e deu um beijo de leve no gomo dos

meus dedos.

- Sempre que precisar Senhorita Smith, - fechou o punho e deu o

"soquinho" - e não se sinta desvalorizada só porque não terminou a

faculdade, você é mais inteligente do que muitos engravatados

cheios de diplomas naquela empresa.

Capítulo 10

Eu, você e o dogburger

Senti borboletas no estômago. Ele não precisava me dizer, sentia

que podia confiar em Sean mesmo não sabendo o motivo. Sejamos

racionais, eu o conheci a menos de quatro horas isso é realmente

muito, muito estranho. Porém, quando eu olhava para ele parecia

ser algo normal. Natural, como se já o conhecesse.

- Chegamos, estamos no Bronx. Onde é que fica o tal do dogduder?

Estou ansioso para comer comida de verdade.

- Primeiro, é DogBURGER. - Ri de sua confusão - E segundo,

estamos bem perto. É só você continuar aqui nessa rua mesmo e

em frente virar na terceira à esquerda. É naquela rua ali com a

estátua engraçada da mulher nua.

- Ah sim, Afrodite.

- Bom, se você quer chamá-la assim, por mim tudo bem. – Respondi

sem entender.

- Não Emma – Sean gargalhava. Toda vez que fazia isso olhava

para mim como se eu não estivesse falando sério. Sua risada tinha

um som tão gostoso de se ouvir, era firme e contagiante. Ele

realmente ria de verdade, não era para me agradar nem nada. Além

de que quando ria ficava mais atraente, como se fosse possível.

Seus dentes brancos apareciam e sua boca que fora lapidada por

deuses se abria gloriosamente. Ele era um sonho, só podia ser –

aquela estatua engraçada é Afrodite, uma deusa da mitologia grega.

- Acho que sei qual é. Aquela do amor, não é?

- Exatamente. Acho que chegamos.

Paramos em frente ao Dog&Burger's. É um foodtruck simples, todo

laranja e decorado com umas lâmpadas pisca-pisca de natal. Sean

parou o carro ao lado do furgão, saímos e logo fomos pedir.

- Hey Tuck! – eu digo ao homem alto dentro do furgão, que estava

picando alguns alimentos na bancada do fogão. Tuck tem uns 32

anos, é alto, magro, tem os cabelos da mesma cor que os meus,

marrom cor de terra, e olhos castanho escuros.

- Oi m&m's! Qual o pedido de hoje? Deixa eu

adivinhar...- Tuck disse, fazendo piada.

- O de sempre, é claro! – ri.

- Pode deixar comigo. Quem é o seu amigo? – disse levantando a

cabeça na direção de Sean.

- Esse é o Sean, ele trabalha lá na Cruelford também.

- Cruelford? – Sean me olhou não entendendo a referência. Fiz um

sinal com a cabeça dizendo "te explicou depois" e virei para Tuck

novamente.

- Faz dois DogBurgers do jeito da M&M's ok. Completos!

Tuck sorriu e disse - É pra já! Querem algo para beber?

- Não quero nada, e você Sean?

- Uma cerveja, por favor.

Sentamos em uma das mesas ao lado do furgão, nela haviam

algumas flores pequenas, pareciam margaridas. Sean puxou a

cadeira para mim, o que eu achei bem estranho. Que homem faz

isso atualmente? Mas me lembrei que Sean devia ser um Anjo

divino que deveria estar perdido na terra, ou algo assim. Era beleza

e simpatia demais para ser real.

- Cruelford? – perguntou quando finalmente nos sentamos.

- Pois é, mas não me dê todo crédito. Jason que inventou depois de

ter recebido um esporro do Senhor Maxon e dos seguranças de lá

na última vez que tentou me visitar. Ele seduziu umas das

recepcionistas e subiu escondido para me ver, coisas de Jason. –

não consigo evitar rolar os olhos – Porque pedir para que eu

descesse para vê-lo seria normal demais para ele.

- Claro que seria – Sean sorriu sem mostrar os dentes – Você mora

por aqui?

- Sim, dá para ir a pé. Meu apê fica perto daquele prédio ali na

esquina, o verde.

- Estou vendo, fica bem próximo mesmo. Você mora com seus pais

e com seu irmão?

- Moro só com Jason, meu irmão de criação. – E mais umas 200

pessoas, mas isso era só um pequeno detalhe não é mesmo?

- E seus familiares estão no Texas?

- Não tenho família, só Jason mesmo. Somos órfãos – não queria

parecer triste, porém foi inevitável. Não era pelo fato de não ter

família, já havia me acostumado com isso, mas porque chegaria um

momento em que teria que dizer a Sean quem eu realmente era.

Uma estúpida garota esperança.

- Sinto muito. – disse sendo sincero.

- Não, tudo bem. Eu cuido dele e ele... bem, vamos só dizer que ele

precisa de mais cuidados que eu. Jason pode ser um pouco

inconsequente às vezes – ou SEMPRE, TODA SANTA HORA – mas

o amo do mesmo jeito. E você? Tem irmãos?

- Tenho uma irmã, Kara. Ela mora em Londres... – Reparei que

quando começou a falar de sua irmã Sean pareceu triste por um

momento – Minha mãe mora em Hamptons, com o marido. – Agora

parecia com raiva, não pude identificar o porquê, mas parecia ter

algo a ver com marido de sua mãe – e eu em Manhattan.

- Nossa te trouxe para bem longe de casa então. Aposto que você

não vai se arrepender.

- É certo que não vou. – disse me encarando com aqueles olhos

negros como a noite e esbanjando um sorriso malicioso que fez com

que meu corpo todo se estremecesse.

Desse jeito não vou conseguir sobreviver. Quando chegar vou ter

que tomar um banho com pedras de gelo para ver se consigo

apagar um pouco desse fogo todo que sinto perto de Sean. Ótimo,

agora imaginei Sean nu. Se vestido já é desta forma, nu então...

Imagine ele todinho como veio ao mundo, molhado tomando banho,

cheio de sabão. Tocando meu corpo todo com suas mãos grandes.

Ele tem mãos bem grandes, realmente. Aqueles braços fortes me

apertando contra seu peitoral bem definido. Eu agarrando e

arranhando suas costas largas. Seu olhar negro e intenso sobre

mim. Seus cabelos ondulados, negros e molhados tocando meu

rosto. Aposto que Sean deve ter um grande e majestoso...

- Pronto! Dois DogBurger's estilo M&M's – disse Tuck deixando

nossos lanches em nossa mesa, me trazendo de volta para a

realidade – Aproveitem.

- Obrigada Tuck. – disse meio sem graça.

Ele fez um aceno com a cabeça e voltou para o furgão.

- Agora você pode me explicar o que estou prestes a comer, Emma?

Porque a aparência é ótima, mas tem tantas coisas...- disse

encarando o lanche confuso.

- Eu te disse que com Tuck não tem miséria. Tem de tudo um pouco.

Expliquei a Sean detalhadamente o que ele iria comer. Se fosse o

Jason nesta posição ele nem questionaria, aquele come até pedra.

Mas gostei de ter que explicar a Sean como era um simples

sanduíche. Ele me olhava com tanta atenção que pareceu até que

estava explicando qual era a cura do câncer. Sean realmente nunca

comeu um sanduíche decente. Essa era a mais estranha,

comovente e fofa situação em que eu já estive.

O lanche que iriamos comer é o mais vendido. Parece um

sanduíche normal, só que com tudo de gostoso possível. Muito de

tudo. No lugar do tradicional hambúrguer ia um salsichão. De

complemento vinha uma porção de batatas fritas e nuggets. Esse

sanduíche era uma explosão de enfarte cardíaco, diabetes e

colesterol. A morte em uma mordida. Pelo menos seria uma boa

forma de morrer, pois é delicioso.

- Nossa, pelo tamanho imaginei mesmo que teria muita coisa. É

gigantesco!

- Sim – eu disse – espere até você provar.

Fiquei observando Sean comer seu sanduíche. Ele pegou com tanto

cuidado que parecia que poderia quebrar. Levou o lanche até aboca,

mas hesitou. Antes de morder me olhou.

Seus olhos me perguntavam se estava fazendo certo, comecei a rir

e acenei com a cabeça o incentivando a continuar, então Sean deu

sua primeira mordida.

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