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Capa do romance SEMPRE SUA LUCE.

SEMPRE SUA LUCE.

Emma Smith é uma mulher excêntrica e audaciosa que esconde um passado enigmático. Enquanto tenta garantir um futuro digno para seu irmão, envolvido em lutas clandestinas, ela conhece o sedutor Sean. Ele parece o salvador ideal nos momentos de crise, mas guarda segredos perigosos. Emma não suspeita que seu herói pode ser o vilão. Entre a necessidade de desvendar sua origem e o medo de se entregar, ela arrisca sofrer uma desilusão fatal ao lado de quem mais teme.
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Capítulo 2

- Tá! Só não demora muito.

- Por que você não se vira garota? Não percebeu que ele está

ocupado? – diz Kate e depois de dizer isso começou a tocar Jason

naquele lugar. Sim, nesse mesmo que você está pensando.

Nojento.

Não era obrigada a ficar ali presenciando essa cena, então ignorei o

comentário idiota e sai andando. Melhor chegar atrasada do que

ficar traumatizada vendo Kate enfiar a língua na orelha do meu

irmão.

No caminho acabei parando no Joe's, uma cafeteria pequena que

tem no bairro. Não é só porque fica aqui pertinho porque Joe faz o

melhor café da cidade! Gosto de vier aqui, me sentar e tomar café

tranquila, enquanto lia alguns livros que Joe deixava no balcão para

os clientes. Esse é um dos meus lugares preciosos, aqui eu não

preciso pensar nem me lembrar de nada. Joe já está tão habituado

comigo que não deixa ninguém se sentar na minha mesa e até

mesmo comprava alguns livros velhos no sebo para mim.

- Bom dia Ems, hoje eu vi que você se atrasou um pouco, está tudo

bem? – pergunta quando chego ao balcão.

- Nem me fale Joe, está tudo bem sim eu só me atrasei mesmo.

Sabe como é complicado lá no lar né, um banheiro só para gente

demais. – ri.

- Claro, - sorri de lado, quase me fazendo desmaiar - já deixei tudo

prontinho para você. O de sempre, não é mesmo!?

Joe é uma das pessoas que embelezavam o bairro, o lugar podia

não ser lá essas coisas, mas foi aqui que eu cresci e conheci as

melhores pessoas da minha vida, incluindo ele. Joe é negro de

olhos castanho escuros, forte (deliciosamente forte) e tem quase a

minha idade, uns 22 anos. Ele é lindo, tanto por dentro como por

fora (principalmente por fora) e nunca o vi sem um sorriso no rosto.

- Hmm... Como sempre o cheiro está ótimo Joe, você é um máximo!

– digo pegando meu pedido. Entrego o dinheiro a ele, pego um dos

seus livros em cima do balcão e quando estou saindo o ouço me

chamar.

- Oh.. Espera – diz passando os dedos rapidamente naqueles seus

lindos cachos, os bagunçando ainda mais – Emma.. Er.. Você vai

fazer algo hoje à noite? Sabe, quando sair do trabalho? – depois de

dizer isso me encarou com aqueles olhos escuros, que nem

jaboticaba, de um jeito pidão, mas muito, muito sexy.

- Acho. Acho que não, por quê? – digo fingindo não ligar e surtando

por dentro.

Para tudo! Joe vai ENFIM, ALELUIA, me convidar para sair?! Já

estava desistindo, sério! Sabe quantos brownies eu tive que comer

para que isso acontecesse? Muitos, milhares! Estou perto de virar

um bolinho ambulante e minha bunda super concorda com isso.

- Ótimo, eu tenho um par de convites para uma festa no Granni's.

Queria saber se você gostaria de ir comigo.

Ai Deus, com esses olhos aí meu querido vou onde você quiser

principalmente se esse lugar for o Granni's, que é simplesmente a

melhor balada da cidade. As melhores festas acontecem somente

uma vez no mês e só entra quem é convidado.

Mas é claro que eu respondi diferente.

- Ah... Pode ser. Me manda o endereço e o horário, ok?

- Ok, então está marcado! – responde com uma piscadinha.

Dei um sorriso tímido e fui saindo rindo internamente dessa situação

(uma risada interna bem histérica, diga-se de passagem). Esperava

por um convite dele há uns três meses, acho. No início fui lá não

porque o café era ótimo, mas porque o cara que o fazia era lindo.

Meu último quase namorado deve ter sido há uns dois anos, sem

brincadeira. Precisava de uma mudança na minha vida e como já

disse, conseguir essa proeza foi um grande sacrifício que se

consistia em muitos, muitos bolinhos.

- Calma.. Emma, espera! – disse Joe, tirando o avental e correndo

para me alcançar, já estava virando a esquina quando me

encontrou.

- O-oi, o que foi? – Nossa dessa vez foi bem rápido, já vai me

dispensar? Desistiu? Será? Ah.. mas eu nem estava querendo tanto

assim. Vou ao Joe's todo dia pelo café, claro que não tem nada a

ver com aqueles braços fortes que ele tem, ou aqueles olhos

penetrantes e extremamente sexys. Eu não preciso disso! Se eu

estiver carente é só chamar o Jason para sair comigo, claro que ele

vai me deixar sozinha nos primeiros instantes que encontrar uma

que se esfregue nele e...

- Ems, primeiro, como vou te avisar se não tenho o seu número?

Segundo, posso estar com avental e cheirar a muffins, mas sou um

cavalheiro. Te busco lá no lar às 20h00, pode ser? – Acho que ele

era o único homem que conseguia cheirar a muffin e ainda ser

gostoso demais.

- Ah S-sim... Cla-claro. Pode ser... Está ótimo... Perfeito... Tá bem

bom assim... Muito bom...

Ok, agora para de falar que nem uma retardada Emma, só sai

andando antes que o cara desista de verdade. Joe deu mais um

daqueles sorrisos esplêndidos, que me fazem pensar em coisinhas

(bem safadas) e voltou para a cafeteria.

Ai, preciso mudar.

Não a minha rotina, estou falando do meu jeito. Preciso ser mais

legal, mais solta, se não vou morrer seca, sozinha com 27 gatos,

todos com roupinhas e nomes estranhos como Jeremiah, ou Sir

Joseff. Essa ideia de como será meu futuro é fruto da exagerada e

irritante imaginação de Jason. Ele sempre me diz isso quando eu

recuso ir para casa com alguém do bar. Porque perder a virgindade

com um estranho bêbado de um bar do subúrbio é o sonho de

qualquer garota.

Claro.

Todo esse drama começou quando eu contei a ele que era virgem,

por mais incrível ou deprimente que pareça. Ele ficou rindo da minha

cara por uns dez minutos e depois que percebeu que era verdade

ficou abobado. O pior disso é que eu não sou uma virgem qualquer,

eu sou totalmente virgem. Acho que nem cheguei ao fim da primeira

base. Eu nem sequer sei o que se faz na primeira base.

Eu sei, eu sei... Decadente! Mas para ser sincera, eu nunca tive

vontade de entregar a minha estrelinha a ninguém ou qualquer outra

coisa. Pode ser que Joe mude essa realidade hoje à noite. Não me

julgue, não sou fácil! Apenas quero parar de ser a única virgem

patética no lar. Isso não é algo tão simples assim? Pelo menos todo

mundo fala como se fosse.

Enfim, já estou bem atrasada para o trabalho agora. Ao menos Joe

me deu uma boa notícia hoje, vou pensar nela quando eu quiser

socar a cara do meu chefe quando chegar à empresa. Ele vai

começar outro discurso da esperança lá e eu não estou nem um

pouco a fim de ouvir. Tudo bem, eu estou errada de chegar assim

tão atrasada, mas todos os dias, sem nenhuma exceção, eu faço

meu trabalho com extremo êxito e ainda continuo fazendo após o

horário. E você acha que ele paga minhas horas extras? Aham, se

eu fosse esperar por isso já estaria morta em decomposição. "Então

porque você fica após o horário Emma?" Você deve estar se

perguntando. Porque este era um jeito de evitar voltar para o lar,

porque no fim do dia eu não tinha nenhuma casa para voltar. Lar era

o nome do local, mas eu sabia que lá não era o meu verdadeiro

lugar. Esse era meu último ano lá, pelo menos esse é o meu

objetivo. Nem que eu alugue um lugar do tamanho de uma azeitona,

eu saio daqui! Preciso ter pela primeira vez a minha casa, o meu lar.

Capítulo 3

Cruelford

Acabei indo de ônibus. Era "tarde" demais e peguei um trânsito

enorme no caminho, mas essa era a melhor alternativa. O metrô é

vazio e bem mais limpo, mas demorava demais e fica a uns quatro

quarteirões de distância do meu trabalho.

Para melhorar furei minha meia calça quando entrei correndo no

edifício Crawford. Ele é um dos maiores e mais altos da rua, todo

espelhado, com um quê de superioridade comparado aos outros ao

seu redor. No primeiro andar está a sua recepção toda em mármore

claro, uma cor próxima ao bege, e com muito vidro. Para entrar você

deve ter uma carteira de identificação com nome e cargo, mas só os

funcionários da plebe, eu como exemplo, precisam disso. Para os

chefes e empresários isso nem é necessário, só é preciso olhar para

o grande Rolex em seu pulso ou seu terninho impecável de marca.

Não sei nenhuma marca de terno cara, mas nem preciso, o que sei

é que qualquer que seja sua marca, só a gravata deve valer a minha

vida e mais um pouco, ainda ficaria devendo.

Entrei na recepção e passei correndo por Gabe, o recepcionista,

para conseguir pegar o elevador. Trabalho no 9º andar, o que é bom

porque a cozinha fica no 7º, e a maravilhosa e melhor máquina de

café do mundo fica no 12º, então nem preciso de elevador. Quando

cheguei ao meu andar já sabia que o senhor Maxon estava me

esperando, como sempre.

- Minha sala, agora! – Ele ama gritar comigo. Deve ter uns 45 anos,

loiro alto, sempre está de terno tons de cinza e até que dava um

caldo. Mas ele é tão irritante que consegue ficar feio.

Fui correndo para sua sala, no fim do corredor do departamento.

Quando entrei ele logo fechou a porta com tudo atrás de mim, dessa

vez eu até que senti um pouquinho de medo. Só um pouquinho.

- Senhorita Smith, estou cansado de tanto chamar sua atenção por

conta dos seus atrasos. A Senhorita trabalha para mim há um ano e

nesse tempo todo acho que nunca a vi chegar na hora, você sabe

qual é o horário que deve estar aqui na empresa? Às vezes penso

que não!

- Desculpa senhor Maxon, é que eu acabei me atrasando – ele era

tão irritante, não acredito que já o aguento há um ano.

– Isso eu já percebi senhorita! – disse ele, gritando. Não te disse,

ele ama gritar comigo.

- Sim, mas ontem fiquei até as 22h00 aqui na empresa, repassei

todos os relatórios da semana inteira. Fiz também suas planilhas de

custos e investimentos, está tudo com o departamento de

atendimento e pronto para entregar ao cliente. Sei que não justifica

o meu atraso senhor, mas não estou prejudicando o meu trabalho

aqui na empresa por chegar atrasada, eu sempre compenso em

horas extras. – Isso sem nenhuma bonificação, é claro.

- Disso eu estou ciente, sei muito bem o que cada funcionário em

meu departamento faz – não parece – Porém, como a senhorita

mesmo disse, isso não justifica os seus atrasos. Estou sempre

tentando te ajudar, sei que o seu passado não foi fácil, estou a par

dos problemas e dificuldades... – Blá, blá, blá como você é sofrida e

sua vida é uma droga, era só o que eu escutava. Sabia que como

sempre ele iria entrar com esse discurso da garota esperança,

estava até demorando – Enfim, vou te dar mais uma chance como

sempre, mas desta vez não desperdice! Vou ficar de olho em seu

serviço, qualquer deslize seu já sabe, RUA! – gritou ele, mas uma

vez.

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