
Sem espaço para arrependimentos
Capítulo 2
Momentaneamente assustado, Cary se recuperou rapidamente. "Claro que não vou me arrepender disso. Mas, já que você aceitou o acordo, a responsabilidade de explicar o divórcio para a vovó é sua."
Cary sabia perfeitamente que Demi só reconhecia Evelina como sua verdadeira neta por afinidade. Se a notícia do divórcio chegasse aos seus ouvidos, ele enfrentaria a fúria dela.
E, naturalmente, Cary esperava que Evelina assumisse a culpa.
Sem levantar o olhar, Evelina respondeu com calma: "Não vou explicar nada a ela. Nesses últimos três anos, paguei integralmente minha dívida com a Demi. Você não está perdidamente apaixonado pela Esme? Qual é o problema? Não consegue nem reunir coragem suficiente para enfrentar sua própria avó?"
Tendo crescido em um orfanato, Evelina devia toda a sua educação à generosidade de Demi.
Então, quando a família Gibson precisou urgentemente de uma noiva substituta, ela se ofereceu prontamente.
Ela não hesitou quando Cary perdeu a visão. Pelo contrário, cumpriu seus deveres fielmente, cuidou dele incansavelmente e administrou a casa sem queixas.
Ela tinha um único pedido modesto: um período de experiência de três anos. Se Cary não se apaixonasse por ela até o final, eles se separariam pacificamente.
Agora, finalmente, sua liberdade havia chegado.
"O amor verdadeiro conquista tudo," respondeu Evelina secamente, com um leve sarcasmo em suas palavras. "Espero sinceramente que seu conto de fadas perfeito dure para sempre."
Ao pegar as chaves do carro, seu caminho foi abruptamente bloqueado por Margot Gibson, a irmã mais nova de Cary.
"Evelina, ouvi dizer que você está se divorciando do meu irmão. Esse carro é propriedade da família Gibson — você não pode levá-lo!"
Evelina deu uma risada fria. "Eu mesma paguei por este carro. Sinceramente, Margot, você é tão descarada quanto o Cary."
Atraído pela comoção, Cary se aproximou. "O que está acontecendo aqui?"
Imediatamente, Margot reclamou, petulante: "Cary, a Evelina está levando o carro, e eu planejava usá-lo!"
A testa dele se franziu levemente. "Evelina, entregue as chaves para a Margot."
"De jeito nenhum," ela respondeu friamente. "Por que eu deveria?"
"Você é inacreditável!" Margot avançou para pegar as chaves.
De repente, uma mala velha voou para dentro do veículo, seguida rapidamente por vários fogos de artifício acesos.
Em instantes, faíscas voaram e uma fumaça densa subiu enquanto os fogos explodiam, fazendo Margot gritar em pânico.
"O carro é seu — eu não o quero," disse Evelina com frieza, sacudindo as mãos enquanto se afastava decididamente.
Tudo o que ela usou ou vestiu na casa da família Gibson ficaria para trás. Ela não queria nada que a lembrasse daquele lugar.
Ela rapidamente ligou para sua amiga mais próxima, Kristina Anderson.
Quando Evelina chegou aos portões da vila, um carro de luxo elegante e discreto a aguardava.
Kristina ficou de queixo caído. "Ora, se não é a própria Rainha Evelina!"
Fingindo espanto, Kristina esfregou os olhos. "Três anos, Evelina. Todas as vezes que te liguei, você estava ocupada demais cuidando daquele marido ingrato. Sinceramente, naquela época eu não sabia se tinha ido ao seu casamento ou ao seu funeral."
Avançando, Kristina abraçou Evelina com força. "Finalmente se livrou daquele idiota 'cego'? Ótimo. Agora vamos começar a viver de verdade."
Kristina estalou os dedos teatralmente. "Espere, não... preciso estocar fogos de artifício! Seu grande retorno exige uma celebração à altura."
"Você chegou tarde demais," disse Evelina com frieza, gesticulando casualmente por cima do ombro.
Naquele momento, um estrondo explosivo rompeu a noite tranquila. O carro velho explodiu em chamas espetacularmente.
Faíscas se espalharam brilhantemente, iluminando a escuridão em um show vívido.
"O que acha desse presente de despedida?" perguntou Evelina com um sorriso brincalhão, a sobrancelha arqueada maliciosamente.
Kristina caiu na gargalhada. "Aí está ela! A Rainha Evelina finalmente está de volta! Hora de comemorar!"
Deslizando para o banco do passageiro, Evelina deu um suspiro exausto. "Talvez outro dia. Eu só preciso desesperadamente dormir."
Ela passara os últimos três anos cuidando incansavelmente da recuperação de Cary, mal conseguindo descansar adequadamente. A fadiga agora pesava intensamente sobre ela.
Dentro da vila, Margot batia o pé furiosamente.
"Ela quase me matou de susto! A Evelina enlouqueceu? Ela destruiu o nosso carro! Cary, você tem que dar um jeito nela—"
"Já chega!" Cary interrompeu bruscamente.
A exasperação marcava sua voz enquanto ele repreendia: "É com esse chilique infantil que uma Gibson deve se comportar?"
Margot rapidamente mudou para um tom suplicante e magoado, dizendo: "Você está mesmo me repreendendo por causa daquela mulher? Espere até eu contar para a Esme — ela vai ver o quanto você mudou!"
"Não fale bobagens," retrucou Cary, irritado, embora, em particular, considerasse Evelina insignificante em comparação com sua irmã.
Ele rapidamente suavizou a voz para tranquilizá-la. "Você se esqueceu que Jasper Russell chegará em Aglonard em breve?"
A família Russell, uma das mais influentes de Ireah, dominava os círculos políticos, empresariais e militares, tornando-os intocavelmente poderosos.
E Jasper Russell, seu herdeiro mais novo, não era apenas extraordinariamente carismático, mas também administrava o imenso Grupo Russell. Seu menor gesto causava ondas na alta sociedade.
Mais importante, ele era o único solteiro entre os herdeiros Russell. Toda jovem rica de Aglonard e de outros lugares fantasiava em se tornar a Sra. Russell.
"Não me esqueci," murmurou Margot timidamente, corando profundamente com a menção de sua figura admirada.
Ela se agarrou afetuosamente ao braço de Cary, acrescentando com entusiasmo: "Ele está vindo para o tratamento ocular da sobrinha. Se a Esme conseguir curar a visão da senhorita Florrie Russell, ela se tornará indispensável para a família Russell — e inegavelmente valiosa para nós. Até a vovó terá que aceitá-la."
Cary acenou com a cabeça, pensativo.
O suposto talento médico de Esme havia atraído a família Russell para Aglonard, apresentando-lhes uma oportunidade perfeita para consolidar alianças poderosas.
"E se você ajudar a Esme durante a cirurgia e cair nas graças da senhorita Russell... talvez o próprio Jasper note você," ele sugeriu, encorajador.
"Ah, obrigada, Cary!" Os olhos de Margot brilharam enquanto os sonhos enchiam sua mente.
Mas os pensamentos de Cary divagaram inesperadamente. A imagem de Evelina se afastando com confiança, destemida e equilibrada, persistia teimosamente.
Ele a havia considerado simples, passiva e até mesmo entediante. Essa versão ousada e feroz dela era totalmente inesperada.
Talvez... ele precisasse reavaliar a mulher que havia ignorado por três anos.
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