
Segundo casamento, primeiro amor
Capítulo 2
O tom de Declan era autoritário, como se Kimberly tivesse cometido um roubo.
"Onde você está? Prometi a Valerie que ela poderia usar o colar no leilão. Traga-o de volta agora mesmo!"
Enquanto entregava o convite ao gerente do evento na porta, Kimberly retrucou ao telefone: "Esse colar foi um dos meus presentes de casamento da família Holden. Desde quando terceiros decidem como usá-lo? Ou a família Walsh caiu tão baixo que precisa se escorar nos presentes de casamento da esposa?"
Declan ficou atônito.
Nunca a tinha ouvido, aquela que costumava engolir tudo em silêncio, responder com tanta ousadia.
"Kimberly, estou te avisando pela última vez", disse ele, a voz carregada de severidade. "Devolva o colar imediatamente, ou vai se arrepender quando eu perder a paciência!"
No passado, aquele tom gélido significava que sua paciência havia se esgotado por completo.
Em seguida, vinha sempre o bloqueio e o silêncio, um tratamento frio que durava pelo menos um mês. Por mais que se humilhasse, Kimberly nunca conseguia arrancar dele um sorriso.
Ao se lembrar da vida anterior, em que se arrastara como um cachorro só para conseguir um pouco do afeto dele, sentiu apenas nojo.
"Então também vou dizer isto pela última vez", zombou ela, friamente. "Usar o presente de casamento da sua esposa para impressionar outra mulher? Declan, você é um diretor executivo ou mero gigolô?" "Pode ficar com raiva à vontade. Não me afeta nem um pouco."
E, com isso, desligou a ligação, deixando um Declan furioso do outro lado da linha.
Ele sempre fora o primeiro a desligar. Nunca ela.
Ao lado dele, Valerie disse, com voz hesitante e carregada de preocupação: "Declan, será que a Kimberly está chateada porque você me convidou para o leilão? É por isso que não quer me emprestar o colar?"
O comentário só atiçou mais a fúria de Declan.
"Ela só está fazendo esses joguinhos para chamar minha atenção", zombou ele. "Mal completou um ano conosco e já ficou tão manipuladora e ciumenta!"
Vendo a firme recusa de Kimberly em entregar o colar, Valerie, entre preocupada e irritada, adotou uma expressão de tristeza e mágoa.
"Deixa pra lá, eu não vou ao leilão. Se ela fica assim por causa de um simples colar, imagina se eu for como sua acompanhante!"
"Se ela quer fazer escândalo, que faça. A vergonha é da família Holden, não da nossa", respondeu Declan, ainda irado.
Após desabafar, afagou com ternura os cabelos de Valerie, murmurando: "Não se preocupe. Você vai usar esse colar de esmeraldas e será a estrela do leilão."
Os olhos de Valerie brilharam, e ela o abraçou. "Você é o melhor, Declan!"
Quando Kimberly entrou no local do leilão, um gerente profissional se aproximou para consultá-la.
"Senhora Walsh, posso perguntar qual item a senhora pretende doar para o leilão?"
Kimberly fez uma breve pausa antes de responder: "Gostaria de fazer a doação em meu nome próprio, e não em nome da família Walsh. Seria possível?"
O gerente surpreendeu-se inicialmente, mas recuperou-se rapidamente: "Certamente! O leilão respeita a vontade individual de todos os doadores."
Kimberly assentiu, os dedos tocando levemente o colar de esmeraldas que trazia ao pescoço.
"Estou doando este colar."
O gerente ficou espantado. Como profissional do setor, reconheceu de imediato o valor significativo da peça.
"Senhora Walsh, embora extremamente agradecidos pela sua contribuição, é importante lembrar que este leilão visa principalmente apoiar a caridade e fomentar laços entre as famílias da elite, incluindo os Howard, não funcionando como uma casa de leilões profissional. Este colar, confeccionado com materiais raros por artesãos de renome e de importância histórica, talvez seja... valioso demais para a ocasião. Não seria um desperdício doá-lo aqui?"
Kimberly esboçou um leve sorriso. Ela conhecia o valor do colar, um presente precioso de sua avó, e inicialmente jamais pensara em leiloá-lo.
Contudo, lembrava-se vividamente de como Valerie o leiloara, sem sua permissão, para causar uma grande impressão.
Naquela ocasião, a peça chamara a atenção de Renee Howard, a anfitriã do evento, que a adquirira pelo lance mais alto, facilitando uma parceria que elevara consideravelmente o prestígio da família Walsh.
Como proprietária legítima do colar, Kimberly fora taxada de louca por Declan ao tentar recuperá-lo. Ele a arrastara para fora à força e a trancara no carro.
Depois daquilo, nunca mais comparecera a nenhum evento.
Agora, em vez de permitir que outros se beneficiassem de seus tesouros, decidira assumir o controle.
"A caridade exige sinceridade genuína, e acredito que esta esteja alinhada com as intenções da senhora Howard ao organizar o evento", disse ela com clareza, conquistando um olhar de admiração do gerente.
"No entanto, tenho um pequeno pedido", continuou Kimberly, com um sorriso radiante. "Gostaria de apresentar este colar pessoalmente no palco, já que ninguém tem uma ligação mais próxima com ele do que eu."
O gerente surpreendeu-se com um pedido tão incomum, mas, considerando o caráter informal do leilão beneficente e o fato de Kimberly ser a doadora, concordou em atendê-la.
"Claro. Avisarei a senhora quando for sua vez de subir ao palco."
A conversa foi ouvida por duas pessoas numa sala privativa do segundo andar. Uma delas era um homem de terno cor champanhe, a camisa aberta exibindo um peitoral musculoso, que irradiava uma presença marcante.
"Uau, a senhora Walsh é generosíssima! Oferecer um colar tão deslumbrante e ainda apresentá-lo pessoalmente. Quem ganhar definitivamente a verá com outros olhos!"
Virou-se então para o outro homem, sentado no sofá e parcialmente envolto em sombras. "Acha que ela sabe que sua avó sempre quis esse colar?"
Chris Howard, neto de Renee, tomou um gole de vinho, rodando-o pensativamente no copo antes de responder, com suavidade: "Ela não é casada? Por que está aqui sozinha?"
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