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Capa do romance Segredos da esposa negligenciada

Segredos da esposa negligenciada

Após três anos de total devoção a Colton, Allison recebe apenas o divórcio como gratidão. Decidida a recomeçar, ela abandona a fachada de esposa submissa e retoma sua identidade real: uma perfumista brilhante e líder de redes de inteligência e hackers. Enquanto Colton implora por perdão, surge Kellan. O magnata, que todos julgavam inválido, levanta-se para proteger Allison, desafiando o ex-marido e reivindicando seu lugar ao lado da mulher que ele desprezou.
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Capítulo 2

"Senhora Clarke, sinto muito! Não foi minha intenção!"

Kaelyn desceu as escadas apressada, o rosto dela uma máscara de preocupação exagerada.

"Talvez você possa simplesmente jogar tudo num saco por enquanto?", acrescentou, escondendo o desdém por trás de um sorriso doce. Kaelyn sempre desprezara Allison, vendo nela nada mais que uma pobre menina do interior que se agarrava a Colton para ter uma vida melhor.

Colton franziu a testa, frustrado. "Que desastrada!", ele resmungou, olhando para as roupas espalhadas.

A mala de Allison continha tão pouco — umas poucas roupas e quase nenhuma joia.

Ela nem sequer gastara muito do dinheiro que ele lhe dera ao longo dos anos. Vivia de modo simples, frugal, um reflexo de como jamais tentara se aproveitar da posição que tinha.

Mas amor não se força nem se finge.

"A bagagem da Melany tem prioridade. Jogue as coisas da Allison numa sacola de armazenamento", disse Colton com displicência, examinando a mala quebrada. "Amanhã peço à governanta que compre uma nova para você."

Allison soltou um sorriso fraco e amargo. "Essa mala foi a que roubei dos sequestradores quando estávamos fugindo para salvar a vida. Se não fosse por ela, teríamos nos afogado naquela época."

Por anos, cuidara daquela mala — assim como cuidara do casamento deles. E agora, tal qual o relacionamento, ela estava destruída.

Colton deu uma risada fria. "Essa história pode enganar meu avô, mas comigo não cola."

A lembrança do sequestro na infância era muito vaga, e ele sempre duvidara que Allison estivesse com ele naquela ocasião.

Virando-se para Kaelyn, Colton levantou a voz: "Ande logo e arrume as coisas dela!"

"Sim, senhor." Kaelyn começou a juntar as roupas de Allison com zelo, mas pisou nelas de propósito, sujando-as no processo.

Com um tom enjoativamente doce, zombou: "Senhora Clarke, a avó do senhor Stevens sempre diz que as pessoas são como roupas. Quando as roupas de alguém se mancham, não importa o quanto você lave, as marcas nunca somem de verdade."

Allison sempre fora gentil com Kaelyn, mesmo sem precisar.

Afinal, Kaelyn era parente distante da avó de Colton.

Anos atrás, quando Kaelyn cometera uma gafe que quase colocara a família Stevens em conflito com Kellan Lloyd, o filho mais velho da família Lloyd, fora Allison quem acalmara as águas. Ela negociara um acordo com Kellan, que estava paralítico, garantindo o terreno crucial para o projeto comercial da família Stevens. Na época, Kaelyn ficara tão grata que quase se humilhara. Mas agora, encorajada pelos ventos de mudança na família Stevens, agia como se nunca tivesse se curvado.

Tudo se resumia a uma coisa: o favor da avó de Colton esvaíra-se e, com ele, mudara também a atitude da família.

"Se as roupas ficam sujas, você tem razão", disse Allison, o olhar pousando em Colton, "é impossível limpá-las por completo." Deu de ombros, com uma casualidade final na voz: "Então, não vou mais precisar delas."

Nunca gostara daquelas peças sem graça e sem forma. Nunca lhe caíram bem.

"Mas quando as pessoas cometem erros", continuou, a voz agora fria e estranha, "precisam enfrentar as consequências."

O ambiente na sala mudou. Pela primeira vez, Colton olhou para Allison como se a visse por uma nova lente — a suavidade habitual dela substituída por uma frieza cortante. Até Kaelyn percebeu a mudança, mas rapidamente vestiu uma máscara de inocência, como se entrasse num papel que aprimorara. "Só sirvo à família Stevens, senhora Clarke", disse Kaelyn, a voz tingida de uma doçura fingida. "E como a senhora está divorciada..."

Pá!

Kaelyn não teve chance de terminar. A palma da mão de Allison atingiu sua face esquerda com tanta força que o estalo ecoou pela sala.

Os olhos de Kaelyn arregalaram-se em descrença. "Como você se atreve a me bater?"

"Porque eu quis."

"Se a senhora Stevens descobrir..."

Pá! Outro tapa, mais forte desta vez, fez Kaelyn tropeçar para trás. As duas faces estavam agora vermelhas e inchadas, espelhando-se perfeitamente.

O segundo golpe a derrubou, e ao cair no chão, o tornozelo dela torceu-se. Ela gritou, uma dor real, o rosto uma mistura de humilhação e fúria.

Lágrimas brotaram nos olhos de Kaelyn, rolando pelo rosto enquanto ela choramingava: "Senhor Stevens, ela passou dos limites!"

Mas antes que Kaelyn pudesse soltar mais queixas, Allison estava sobre ela de novo, a mão agarrando a garganta de Kaelyn enquanto arrancava o colar do pescoço dela.

"Isso é pela mala e pelas roupas."

O rosto de Kaelyn ficou vermelho quando o aperto de Allison se fortaleceu, transformando suas palavras em soluços.

"E agora, vou pegar de volta o que nunca foi seu."

O colar era uma peça modesta — um pingente de esmeralda cercado por diamantes —, mas não era o valor que importava. A gravação atrás deixava claro, sem margem para dúvidas, que nunca fora de Kaelyn.

"Você... você está cometendo agressão!", Kaelyn gaguejou, ofegante. No pânico, nem percebeu quando a bexiga cedeu.

Enquanto o aperto de Allison ameaçava sufocá-la, a mente de Kaelyn finalmente clareou, e ela percebeu com uma clareza aterradora que Allison não apenas era capaz de machucá-la — poderia matá-la se quisesse.

Mas Allison, sem hesitar ou prolongar a cena, partiu a corrente do colar e se afastou, os passos despreocupados, como se aquele confronto fosse insignificante.

Kaelyn se levantou, a desesperança tomando conta, e virou-se para Colton, implorando: "Senhor, isso tudo é um mal-entendido, por favor..."

"Saia!"

A paciência de Colton se esgotou quando sua bota atingiu o lado de Kaelyn, fazendo-a rolar pelo chão outra vez.

O cheiro de urina, forte e ácido, atingiu suas narinas, e seu temperamento, já no limite, transbordou.

"A família Stevens não tem lugar para alguém com dedos compridos."

Enquanto isso, Allison já havia saído da casa, celular na mão, discando um número conhecido. Quando a ligação atendeu, sua voz era calma, quase leve. "Rebecca, me divorciei e me mudei da casa dele. Minha casa e meu carro ainda estão em Vrining. Se importa se eu passar a noite aí?"

Do outro lado da linha, Rebecca Green foi do silêncio a um grito de alegria em segundos.

"Caramba! Você finalmente se divorciou daquele idiota! Esquece passar a noite — você vai ficar para uma festa! Uma festa de solteira!"

Mesmo à distância, Allison conseguia ouvir a risada exagerada de Rebecca ecoando pelo telefone. "Se o pessoal da Cobweb descobrir que a fundadora está de volta, os servidores vão explodir!"

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