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Capa do romance Sedução

Sedução

Nicholas é um CEO implacável que trocou sentimentos por poder e excessos após ser abandonado. No entanto, o destino o reencontra com Angel, que agora se dedica ao filho e à dança após fugir de uma traição dolorosa. Separados por um antigo mal-entendido, esses dois corações feridos ficam frente a frente novamente. Nicholas precisará buscar redenção e superar o rancor, provando que a paixão do passado ainda é capaz de vencer as mágoas do presente.
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Capítulo 2

Massageio as minhas têmporas, na falha tentativa de me acalmar. Estou cercado de pessoas incompetentes, não é possível que erros tão amadores possam ser cometidos pela nossa empresa a essa altura do campeonato. Não conquistamos um nome da noite para o dia, e não deixarei que manchem um legado que eu venho construindo ao longo desses anos. — Eu preciso de uma explicação! Como vocês deixaram um projeto dessa magnitude na mão de um estagiário que não tinha nem dois meses dentro dessa merda de empresa? — Senhor Nicholas, estávamos tão ocupados com o projeto anterior que não nos atentamos a esse detalhe. Não é como se soubéssemos que ele iria fazer uma coisa dessas. Eu já cansei de falar para eles que não se deve confiar em absolutamente ninguém. Um moleque que tinha apenas um mês e meio na empresa, vendeu para um concorrente um dos nossos projetos, e o filho da puta teve audácia de lançar no mercado hoje, ou seja, três dias antes do nosso lançamento oficial do produto. É claro que temos meios de comprovar que nós somos detentores da ideia original, porém, antes de provar, toda essa merda já se espalhou na mídia e a confusão está instaurada e nós sairemos como copiadores. — Michael, nós trabalhamos juntos há quantos anos? — Sete anos, senhor. — A pessoa mais nova na sua equipe, quantos anos ela tem de empresa? — É o Chris, ele tem quatro anos. — Então me explique, por que vocês permitiram que um estagiário participasse das reuniões e tivesse acesso ao projeto? Eu sempre deixei bem claro o que deveria acontecer, a sua equipe é a mais antiga na empresa e a única que eu confio de olhos fechados, ou melhor, confiava. — Me desculpe, a gente vai dar um jeito de consertar a situação. — Não tenho a menor dúvida em relação a isso, se vocês não arrumarem uma maneira de abafar esse caso, eu mandarei todos embora. Eu obviamente não sou tão cruel a esse ponto, entretanto, preciso colocar um certo medo para que eles achem uma solução. Preciso resolver isso o mais breve possível, amanhã viajo a trabalho, mas antes disso farei uma visitinha a Aaron Rivera. Se ele pensa que deixarei isso passar em branco, certamente esqueceu quem é seu inimigo. Deixo todos quebrando a cabeça, informo para minha secretária que não voltarei hoje, e para só me ligar em caso de extrema emergência. Ou seja, algo que o vice-presidente ou um dos diretores não consigam resolver. Entro no meu carro e dirijo até o meu destino, estaciono no prédio onde sua empresa está localizada. Cumprimento o segurança e ele logo libera a minha entrada, não é como se fosse a primeira vez que apareço por aqui, esse maldito tem o prazer de atazanar minha vida. — O senhor Aaron te espera, pode entrar senhor, Nicholas ─ a secretária fala antes que eu consiga abrir a boca. Mais fácil e evita assunto desnecessário. — Nicholas, qual o motivo de sua ilustre presença? ─ Tenho vontade de socar a cara dele e arrancar seu maldito sorriso. Vou até o mini bar localizado no canto de sua sala e me sirvo com um pouco de whisky, preciso de álcool para controlar os meus ânimos. — Você não tem profissionais capacitados para criar suas ideias? Não acredito que viva em função da minha empresa, Aaron. O mercado automotivo é enorme, por que precisa ficar roubando os projetos dos concorrentes? — Nicholas, roubo é uma palavra muito forte. Alguém de dentro da Coleman veio até mim e ofereceu o produto, eu sou um empresário, não dispenso bons negócios. Ele fez a oferta e eu paguei, tão simples como dois mais dois são quatro. — Você sabia que o projeto tinha dono, não consegue ser honesto? ─ Sento-me à sua frente, encarando seu sorriso vitorioso. — Eu sou honesto. Para falar a verdade, te fiz um grande favor, é muito melhor estar nas minhas mãos do que na de outras pessoas. Nem todo mundo saberia aproveitar com maestria. Respiro fundo, controlando a vontade de jogar esse copo na cara dele. Sorrio e me levanto, apoio as duas mãos na mesa e digo: — Sinto que seus esforços no fim das contas não valerão de nada, você sabe que uma empresa do tamanho da minha, dispõe de diversas maneiras de comprovação. Nossos advogados já estão em ação, juro por Deus que arrancarei até suas calças com um processo. ─ Diminuo drasticamente o tom da minha voz. ─ Sua tentativa de ser melhor nunca dará certo. — Você se acha muito superior, Nicholas Coleman. — Não concordo, eu não me acho superior, eu tenho plena certeza de que sou muito melhor que você. A minha empresa não cresceu do dia para a noite, dei duro para alcançarmos o patamar que estamos, para chegar a um patife como você e querer as coisas com a maior facilidade. ─ Seu rosto está vermelho de raiva. Foda- se. ─ Eu não me importo, quer ficar com o projeto? Ok, ele é seu. O meu pessoal é mais capacitado que qualquer um neste país e num piscar de olhos eu terei um projeto melhor e desbancarei esse. — Um dia todo seu legado vai por água abaixo, e eu estarei aqui para aplaudir a sua queda. — Fico lisonjeado, mas a única coisa que teremos ligação, é no processo que moverei contra a sua empresa. Aguarde o contato do meu advogado, Aaron. Dou as costas e saio da sua sala, envio uma mensagem para minha equipe jurídica dando o aval para iniciar todo o processo necessário. Se ele pensa que sairá vitorioso, realmente não me conhece. Entro no meu carro e sigo para minha casa, preciso fazer as malas, acredito que eu devo ficar pouco mais de uma semana na cidade, tenho muitos assuntos para resolver. No caminho, paro em um semáforo e observo um casal, abraçados. Minha mente automaticamente vai para um dos poucos momentos de felicidade que eu tenho bem nítido na minha mente. Era uma tarde de domingo, e tinha trabalhado a semana inteira, precisava espairecer um pouco a mente, e Angel teve a ideia de fazer um piquenique no parque do centro da cidade, algo simples, porém, me marcou completamente. Passamos horas sentados sobre a grama, fiquei com a cabeça em seu colo, enquanto ela brincava com os meus cabelos. — Nic, me promete uma coisa? — O quê, anjo? ─ Puxo-a pela nuca, beijando seus lábios. — Que você nunca vai cortar o cabelo, eu o amo grande dessa forma. — Você promete nunca me deixar? — Sim, quero ficar ao seu lado até ficarmos bem velhinhos. Você vai precisar me aguentar por muito tempo. ─ Sorri, fazendo meu coração acelerar. Nunca pensei que alguém fosse despertar a minha atenção igual a Angel, eu amo essa mulher e por ela sou capaz de renunciar a qualquer coisa, até dos meus pais, que não aceitam muito o nosso relacionamento. O sinal vermelho desaparece e faço o mesmo com esses pensamentos idiotas. Angel não cumpriu com sua promessa, então a primeira coisa que fiz quando percebi que ela não voltaria, foi cortar o cabelo e adotar um corte mais curto e bem diferente do que passei anos acostumado. Chego ao meu condomínio, cumprimento o segurança e adentro, estacionando na minha vaga. Antes de chegar à entrada da minha casa, avisto Victória, um casinho sem muita importância. — O que faz aqui? ─ Não faço rodeios, vou direto ao assunto. — Nicholas, eu estava com saudades. É assim que me trata? ─ Sua voz é tão fina que me deixa irritado. — Não sei como entrou, mas saia pelo mesmo caminho. Não quero encontrá-la hoje, quando eu estiver afim, sei muito bem qual o número do seu celular ─ falo sem me dar o trabalho de parecer agradável. — Você não vai me convidar para entrar? Podemos aproveitar que já estou aqui, aposto que posso deixar sua noite bem prazerosa. ─ Passa a mão pelo meu peito e logo a afasto. — Victória, você entende nosso idioma com clareza, não me faça parecer mais grosso do que já estou sendo. Não quero nada contigo hoje, por favor, saia ou chamarei o segurança. Sem dar mais importância, entro, deixando a mulher com o rosto incrédulo. Não preciso parecer educado apenas para agradar as pessoas, tentei falar de uma maneira clara e não houve êxito. Dificilmente fico mais de duas vezes com a mesma mulher, com ela abri algumas exceções e pelo visto não estão sendo bem aproveitadas. Aquela maldita ainda ocupa espaço no meu peito, mesmo depois de quatro malditos anos. Me sirvo com uma bebida e tomo todo o líquido de uma só vez, arremessando o copo no espelho, partindo-o em pedaços. Não posso aceitar que ela tenha jogado todo o nosso amor no lixo, ou melhor, todas as juras eram falsas, já que foi embora com outro homem, sem se preocupar comigo. Se Angel aparecer na minha frente, sou capaz de esganá-la. Capítulo 3 Dez horas de carro foram suficientes para chegar nesta bendita cidade chamada Nayun, localizada no interior, então não existe outro meio de transporte a não ser pela estrada. Faz quase uma hora que cheguei no hotel, tomei um banho para relaxar os músculos e agora estou aguardando o jantar que pedi para trazerem no quarto. Não vim sozinho, trouxe uma equipe comigo, incluindo motorista, assistente, advogado e mais um pessoal do setor de criação. Pretendo fechar o contrato de compra de dois galpões, será o espaço perfeito para instalar uma nova fábrica. Somos uma empresa do setor automotivo, projetamos e produzimos automóveis, caminhões, motores, autopeças, entre outros. O projeto vendido para o Aaron era de um software para carros automáticos, uma promessa de revolucionar. Estou deixando que ele se sinta vitorioso, quando menos esperar tudo voltará ao seu devido lugar. Ou seja, eu liderando e sendo o melhor do meio. Escuto batidas na porta, minha comida chegou. Como tudo tranquilamente, enquanto mando alguns e-mails importantes. Recebi uma mensagem dos meus pais, eles devem retornar ao país no próximo mês, estavam passando uma temporada na Inglaterra. Confesso que foram os melhores dias da minha vida, minha mãe sabe como ser chata e ela estava no pé com uma história doida de casamento. Não adianta, não tem quem me faça casar ou me relacionar novamente com uma mulher, elas não prestam. Meu celular começa a tocar, vejo o nome do Kalel no visor. — Nicholas, fiquei sabendo que você está na minha cidade. Você está proibido de ir embora sem beber alguma coisa comigo. — Não sei se terei tempo. ─ Sou sincero, afinal de contas meu objetivo aqui é unicamente profissional. — Quanto tempo não nos vemos? Não seja tão carrancudo, tem um clube bem frequentado aqui na cidade, muita mulher bonita para você escolher. Vamos lá na sexta-feira. ─ Sua animação não me contagia, mas ele sempre foi assim. Nos conhecemos na faculdade, Kalel é uma das poucas pessoas que posso chamar de amigo, apesar da distância entre nós. Assim que nos formamos ele veio morar neste fim de mundo, iria assumir os negócios da família, por conta disso conversamos esporadicamente. — Tudo bem, mande o endereço, combinamos o horário no decorrer da semana. Ficarei na cidade pelos próximos dez dias. — Perfeito, meu amigo. Nos vemos em breve. ─ Encerra a ligação. Jogo o celular na cama e decido me concentrar no que é realmente importante, em poucas horas terei a primeira reunião do dia e preciso estar preparado para convencer os nossos possíveis compradores. Recebi uma mensagem dos meus advogados, informando que todo o material necessário para dar início ao processo contra a empresa do Aaron está pronto. Amanhã começarão todos os trâmites legais e estou louco para ver aquele sorriso de merda indo embora. O garoto que vendeu o projeto também será processado, irei lhe dar uma lição e estou pouco me fodendo que isso vai manchar sua carreira que ainda nem começou. Ninguém atrapalha os meus planos e fica por isso mesmo. Minha semana passou extremamente corrida, as reuniões duraram mais tempo do que eu esperava, tomando praticamente todos os meus dias. Quando chegava no hotel, só tinha tempo de cair na cama, devido ao tamanho cansaço. A princípio, pensei em negar o convite do Kalel, mas lembrei que estou precisando de descanso e diversão, quem sabe não encontro uma companhia realmente agradável para passar a noite. O ambiente é realmente agradável, fica localizado em uma rua discreta, apesar da fachada simples, é bem luxuoso. Dou meu nome para a recepcionista e ela me encaminha para a mesa do meu amigo, felizmente tem uma visão privilegiada do palco. — Nicholas, por um momento pensei que não fosse aparecer, meu amigo. ─ Se levanta, me cumprimentando com um abraço. — Realmente não viria, talvez a possibilidade de encontrar uma bela mulher tenha resolvido as coisas. — O que está achando da cidade? ─ Me serve um pouco de whisky. — Não é tão ruim, foi difícil chegar por conta da estrada, porém, o ambiente é agradável. Espero que as dançarinas sejam tão boas quanto você me prometeu. Dou um gole na minha bebida, sentindo o líquido descer queimando em minha garganta. A música para e um rapaz sobe no palco, ele dá início às apresentações e os homens vão à loucura, me deixando confuso. É apenas um grupo de mulheres dançando. Elas aparecem com roupas bem sensuais e dão início ao número, fazendo uma performance com o auxílio de uma cadeira. Caminhando na direção da plateia, elas passeiam entre as mesas e os homens colocam dinheiro em suas roupas. — É um clube exclusivo de dança, ou outros serviços também são oferecidos? — Se você quer saber se pode dormir com as dançarinas, sim, algumas estendem o serviço escuto uma batida na porta. — Entre. Agora saberei se ela faz jus ao nome, talvez precise ir ao inferno me queimar.

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