
Sedução
Capítulo 3
Não sei por que continua insistindo nesse assunto, eu sempre deixei bem claro que não sou garota de programa. Não irei atender a esse pedido, Vargas. Eu já recebi diversas propostas, de uma certa forma me acostumei com isso, mas dessa vez é diferente, não sei o que essa pessoa prometeu ao Vargas para ele estar tão disposto a me convencer. O problema nunca foi dinheiro, todos estão cansados de saber. — Você não está entendendo, Angel. Tem muito dinheiro envolvido, é uma oportunidade para você e o clube. — Então eu preciso me vender? É isso que você está dizendo? — Esse cliente está disposto a tudo, você é mulher, deve saber como enrolar um homem. Não precisa dormir com ele, apenas vá até o quarto ─ fala com um tom de voz autoritário. — Não irei! ─ falo decidida, não quebrarei minha regra. — Então procure um emprego, lembre-se que fomos nós que lhe demos uma oportunidade. Acho pouco provável você encontrar outro. Não posso acreditar no que estou escutando, como esse filho da puta ousa me ameaçar dessa forma? Infelizmente não posso me dar o luxo de perder esse emprego, é daqui que tiro o dinheiro do meu aluguel e da alimentação do meu filho. Droga, o que vou fazer? — Ok. ─ É a única coisa que sai da minha boca. — Perfeito, pode ir até o quarto 1050, ele está à sua espera. Contrariada, confiro minha aparência e sigo para o andar superior, o qual nunca havia pisado em três anos de trabalho. Encontro algumas meninas no caminho, a expressão de choque no rosto delas é evidente, apenas dou de ombros e sigo. Espero ao menos que esse homem não seja um velho barrigudo, seria humilhação demais para uma pessoa. Bato na porta e aguardo sua resposta. — Entre! ─ Todo o meu corpo se arrepia neste momento, sua voz se assemelha muito com a do Nic, ou melhor, Nicholas. Respiro fundo e entro, fechando a porta em seguida e me apoiando nela. Levanto o olhar, se eu não estivesse encostada, certamente cairia no chão. Meu coração começa a bater de maneira descompassada, minhas mãos estão suando e sinto que o sangue fugiu do meu rosto. Nicholas Coleman. Sentado na cama, com a camisa dobrada até o cotovelo e alguns botões abertos, seus olhos encontram os meus, não deixando dúvidas de que ele realmente está na minha frente. Como? Onde eu estava com a cabeça que não o vi na plateia? Será que ele sabe que sou eu? — Não precisa ficar com medo, não irei te machucar, Diablo. ─ Sua voz rouca me causa um frio na espinha. ─ Venha, sente-se ao meu lado. Tento andar e minhas malditas pernas não me obedecem. Conto mentalmente até dez, não posso continuar parecendo uma garotinha indefesa. — Por que queria tanto minha companhia? Você gastou muito dinheiro para passar a noite com uma desconhecida. ─ Agradeço por estar com um leve resfriado, ele mudou a minha voz. — Queria confirmar algumas coisas. Como se estivesse prestes a devorar uma presa, caminha em minha direção, sem desviar os olhos dos meus. Ele está mais lindo do que na televisão, esse corte realmente lhe caiu bem. O maldito é lindo, não posso negar. Pena que é um traidor. — O quê? ─ Quase não consigo falar por conta de sua aproximação. Sem o menor aviso, afasta o meu cabelo e beija o meu pescoço, em seguida parece inalar o meu perfume, deixando todo o meu corpo arrepiado. Suas mãos seguram firmes em minha cintura, me trazendo para mais perto. Não sei como agir, se eu me afastar posso colocar tudo a perder e ser descoberta. Nicholas segura em minha nuca e cola nossos lábios, ficamos assim por alguns segundos, até que sua língua pede passagem e me permito ser comandada pela emoção do momento. O contato é quente, e ao mesmo tempo, delicado. Suga meu lábio inferior e sem que eu perceba, um gemido escapa da minha boca. Nic sorri entre o beijo e lembro de todas as vezes que ele fez isso quando estávamos juntos, eu amava esses pequenos momentos. — Minha intuição tinha razão ─ fala assim que nos afastamos e fico em alerta. — Em que sentido? — Você faz jus ao nome, é quente como o inferno e foi capaz de me deixar louco com apenas um beijo. ─ Pega minha mão e leva até sua calça, onde sinto o volume. ─ Não irei te forçar a nada, afinal de contas sei que não costuma dormir com clientes. — Se você sabe, por que insistiu tanto? — Porque sempre... sempre consigo o que quero. ─ Sorri de canto, me puxando até o banheiro. Maldito, filho de uma mãe! Sem dizer uma palavra, retira a camisa, evidenciando seu abdômen bem definido. Tira a calça e leva a cueca junto, tento não olhar. Ele sabe que é gostoso e abusa desse malefício. Me vira para ficar de costas, abre o zíper da minha roupa, que cai no chão e fico apenas de calcinha à sua frente. Sinto beijos serem depositados em minhas costas, ao mesmo tempo que aperta um dos meus seios, antes cabiam perfeitamente em suas mãos, depois da gravidez, tem o dobro do tamanho. — Você é tão cheirosa, tem uma pele macia e delicada. Me lembra muito... ─ Não conclui a frase e ouso perguntar: — Te lembra quem? — Ninguém importante, vamos continuar o que realmente importa. Entramos no box e a água quente cai sobre os nossos corpos, evito encará-lo por muito tempo, tenho medo de que possa me reconhecer. Rodeio os braços em volta de seu pescoço e tomo a iniciativa de beijá-lo. Apesar do que me fez, meu corpo ainda reage ao seu e desejo ser tocada por ele. Afinal de contas, isso não voltará a se repetir. Com a mão livre, estimulo o seu membro, que está cada vez mais rígido. Nicholas fala algumas palavras totalmente incompreensíveis, e sorrio com o resultado. Nesse momento, suas mãos passeiam incontrolavelmente pelo meu corpo, ele está tão desejoso quanto eu e acredito que as preliminares sejam totalmente dispensáveis. — Valeu a pena cada centavo gasto com você, Diablo, fico feliz de ser o primeiro a experimentá-la. Não vai me dizer seu nome? — Diablo. — Seu nome verdadeiro. — Nós nunca voltaremos a nos encontrar, não é necessário saber nossos nomes. Nunca o vi por aqui, então aposto que em breve voltará para a sua cidade. — Você tem razão em uma parte, porém, talvez voltemos a nos encontrar. — Você fala demais. O puxo para mais perto e selo nossos lábios, conversar demais é extremamente perigoso. Nicholas é inteligente, temo que uma hora me reconheça e o momento não é propício para isso. Ele me traiu e não teve a decência de me procurar, mandar uma mensagem. Nada, simplesmente agiu como se eu fosse a culpada. A atmosfera neste espaço pequeno fica ainda mais quente, Nic enrola meus cabelos em sua mão e me prensa na parede, de costas para ele. Sua mão livre estimula meu clitóris, introduzindo dois dedos dentro de mim. Um movimento de vai e vem começa, deixando todo o meu corpo em alerta. O contraste de seu corpo quente e a parede gelada é assustadoramente delicioso. — Vou entrar em você, Anjo. ─ Meu corpo gela na hora. — Do que me chamou? ─ Tento não transparecer o nervosismo em minha voz. — Anjo, é mais adequado que Diablo. Respiro aliviada, apesar de essa ser a forma que ele me chamava, acredito que tenha sido uma escolha aleatória. Além do mais, muitos clientes se referem a mim dessa forma. Sinto seu membro na minha entrada, ele brinca um pouco, antes de me preencher completamente. Seus movimentos são calculados e bem devagar, me fazendo ansiar por um pouco de velocidade. Antes de conseguir protestar, Nic se movimenta cada vez mais rápido e se torna impossível controlar os gemidos que escapam dos meus lábios. — Huumm... ─ Suas mãos apertam firmemente os meus seios. — Você é gostosa e tão apertada, Anjo. Eu sinto como se estivesse enferrujada, desde que nos separamos, essa é a primeira vez que transo com alguém. Meu corpo precisava disso, sou mulher e tenho as minhas necessidades. Ele sai de dentro de mim e me vira, prendo as pernas em volta de sua cintura e ele volta a me preencher. Seus olhos estão fixos nos meus, não sustento e desvio o olhar. Ele está tornando tudo mais difícil. — Seus olhos são lindos. — Humm. Não consigo formar uma resposta, sinto o orgasmo cada vez mais perto e isso me impossibilita de raciocinar. Beijo-o novamente e ele intensifica os movimentos, apenas o barulho dos nossos corpos se encontrando podem ser escutados no momento. — E-eeuu... — Shiu, só se entregue, Anjo. Sua voz funciona como um gatilho e sinto ondas de prazer percorrendo o meu corpo. Me agarro ainda mais a ele, que não demora a se liberar. Com o coração acelerado e a respiração forte, ficamos abraçados, até minha ficha cair e me afasto. Com um sorriso de canto, retira a camisinha, jogando no lixo em seguida. Não sei o que falar, então apenas fico em silêncio. Deixo que a água do chuveiro leve embora todos os resquícios do que acabamos de fazer, se possível apagar também da minha mente. — Ainda não acabei com você, descanse, ainda teremos um segundo round. — Não posso dormir fora de casa, tenho responsabilidades. — Tudo bem, são dez da noite, ainda podemos aproveitar um pouco. Pega um sabão e ensaboa o meu corpo, deixando beijos no pescoço, me deixando louca a cada toque de suas mãos. Enquanto minha mente não consegue esquecer a traição do Nicholas, minha pele parece ter esquecido completamente, pois a cada segundo anseio mais e mais por seu toque.
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