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Capa do romance Sedução

Sedução

Nicholas é um CEO implacável que trocou sentimentos por poder e excessos após ser abandonado. No entanto, o destino o reencontra com Angel, que agora se dedica ao filho e à dança após fugir de uma traição dolorosa. Separados por um antigo mal-entendido, esses dois corações feridos ficam frente a frente novamente. Nicholas precisará buscar redenção e superar o rancor, provando que a paixão do passado ainda é capaz de vencer as mágoas do presente.
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Capítulo 1

Sabe aquele dia que desejamos jogar o despertador na parede? Essa é minha vontade, mas aí lembro que não posso quebrar meu querido e único celular. Essa rotina está me matando, preciso urgentemente encontrar uma creche mais perto, sem condições de acordar todos os dias às cinco da manhã. Me forço a levantar da cama. Entro no banheiro e tomo um banho bem gelado, perfeito para despertar completamente. Opto por um vestido na altura do joelho e coloco uma jaqueta na bolsa, nunca se sabe quando o tempo pode esfriar e hoje passarei o dia fora, tenho três entrevistas de emprego. Trabalho como dançarina em um clube muito famoso na cidade, essa foi a única oportunidade que encontrei quando fiquei sem dinheiro. Levava uma vida tecnicamente boa, um emprego dos sonhos e o namorado perfeito, pelo menos é o que eu achava, até retornar de uma viagem a trabalho e encontrar o Nicholas na cama com outra mulher. Dias depois recebi a visita da minha sogra, contei sobre a gravidez e ela queria me obrigar a abortar — a velha nunca aceitou meu relacionamento com o filho — , eu disse que não iria tirar o meu bebê, então recebi um cheque com uma quantia razoável e fui embora. Não queria que Nicholas tomasse o meu filho, e infelizmente era isso que poderia acontecer se ele soubesse. Como se já não bastasse ter me traído, quando jurava me amar. Decido parar de relembrar o passado, eu só me machuco lembrando dessas coisas. Preparo a mochila do Leon, colocando tudo que ele precisa para passar o dia na creche. Como tenho que estar no clube às sete da noite, deixo-o na casa da minha vizinha, ela toma conta dele e eu a ajudo financeiramente. Meu filho tem apenas três anos, não entende muita coisa, meu maior medo é de quando ele começar a perguntar e querer saber sobre o pai. Não queria que ele crescesse sem uma figura paterna, infelizmente as circunstâncias me levaram a tomar essas decisões. Tomo um café bem caprichado, não tenho tempo para cair doente, seria o meu fim. Com o relógio marcando seis e meia da manhã, e o coração apertado, caminho até o quarto para acordar o meu pequeno. Todos os dias é uma luta. — Está na hora de levantar, Leãozinho. ─ Deixo pequenos beijos por seu rosto. ─ Vamos filho, você não quer se atrasar para ver a tia Deborah, né? Resmunga algo incompreensível, virando para o outro lado. Esse menino não nega que seja meu filho, na gravidez tive muito sono, passava quase o dia inteiro dormindo. — Vamos, filho, mamãe não pode se atrasar. Antes de nos mudarmos eu tinha um emprego fixo e trabalhava na área que eu gostava, mas as oportunidades para uma mãe solo são muito difíceis, perdi as contas de quantas vezes recebi um não. A resposta era sempre a mesma, eles tinham receio de que o meu filho fosse atrapalhar. Sou formada em publicidade, deveriam levar em consideração meus conhecimentos e experiências, não o fato de ser mãe. Desde que saí da Califórnia, só mantive uma das minhas amizades, que é a Cameron. Duas vezes no ano ela vem nos visitar, ainda não tive coragem de conhecer sua casa, tenho medo de retornar para a cidade. Nicholas Coleman ficou ainda mais famoso, em diversas ocasiões o vi na televisão. Ele não mudou nada, exceto pelo novo corte de cabelo. Diferente dele, eu abandonei os cabelos loiros e adotei uma tonalidade preta, e os óculos de grau deram lugar a lentes de contato. — Mamã, quero ficar em casa ─ Leon fala, me trazendo de volta à realidade. Ele coloca um travesseiro no rosto, tentando escapar. — Filho, você sabe que se fosse em outro dia até que eu deixaria, mas tenho que sair, Leãozinho. ─ Bagunço seus grandes e volumosos cabelos castanhos, herança do pai. — Eu tô com sono ─ resmunga novamente, se recusando a levantar. — Eu também estou, mas isso não quer dizer que podemos renunciar às nossas responsabilidades. ─ Beijo sua testa de forma carinhosa. ─ Vamos logo para o banheiro, temos meia hora para você se arrumar, tomar café e sairmos. Mesmo contrariado, se levanta correndo e entra no banheiro. O acompanho e agradeço aos céus, hoje não precisei usar chantagem, já é um grande avanço. Termino de lhe dar banho, visto seu uniforme, penteio seus cabelos e seguimos para a cozinha. Enquanto ele toma café, confiro todos os documentos que irei precisar. Quase uma hora depois, estaciono o carro em frente à escola. Despeço-me do meu filho e sigo para o outro lado da cidade, rumo à minha primeira entrevista. O local estava razoavelmente cheio, estou confiante, tenho todas as qualificações necessárias, além da experiência. Um a um foi entrevistado, na minha vez, perguntaram sobre a minha faculdade, os locais onde trabalhei e fizeram a tão temida pergunta. Quando respondi que tinha um filho, dava para ver a decepção na expressão dos entrevistadores, eu soube que não passaria. Coloquei um sorriso no rosto e me desloquei para as outras duas entrevistas. Assim como a primeira, eu sei que não irei conseguir a vaga e me sinto bem frustrada por tudo isso. Desde quando ser mãe virou critério para avaliação em entrevista? Não vou enlouquecer por isso, tenho certeza de que algo melhor ainda virá. São quase cinco da tarde e percebo que não comi, como um lanche rápido e sigo para a escola do Leon. Cumprimento a professora e pego o meu filho, apesar da pouca idade, ele é bem-falante e vamos o caminho inteiro conversando. Peguei algumas roupas e comida e o levei para a casa da minha vizinha, nos despedimos e sigo para o clube. Hoje a noite é temática, os clientes gostam desse tipo de variedade. Cumprimento minhas colegas e entro no camarim, preciso vestir minha roupa de mulher gato. Trabalho bem a minha maquiagem, prendo meus cabelos e coloco novamente as minhas lentes de contato, não dá para dançar com óculos de grau. — Você está bem, Angel? ─ Brittany pergunta, sentando-se ao meu lado. Ela é uma das poucas que tenho mais intimidade. — O mesmo de sempre, cansada de passar por tantas entrevistas e sempre receber a mesma resposta. — Infelizmente essa é a sociedade que vivemos, falam tanto em oportunidades e na primeira oportunidade viram as costas. Sei que você não gosta, mas essa noite temos muitos homens ricos, aproveite para ganhar uma gorjeta a mais. — Você sabe que eu não vou para cama com cliente. Essa é uma das únicas regras que estabeleci, todo trabalho é digno, porém não me sentiria bem indo para a cama com um homem por dinheiro. Eu gosto de dançar, provocar, até deixo que toquem em algumas partes do meu corpo, mas esse é o limite. Esse é um dos clubes mais famosos da cidade, muitos figurões frequentam por causa da privacidade, eles sabem que nada sairá dessas paredes, mesmo sendo o mais repugnante, ninguém saberá. Todos os dias recebo muitas propostas, os valores são altos, resolveria quase todos os meus problemas. No entanto, ainda tenho princípios e não quero ir contra. — Eu sei muito bem, sabemos que não é necessário ir para a cama. Você é linda, muitos desses homens vêm aqui para lhe ver. Aproveite sua popularidade, e arranca algum dinheiro deles. ─ Pisca para mim, saindo em seguida. Diferente de mim, ela não se preocupa em dormir com os clientes. Britanny costuma dizer que está unindo o útil ao agradável, de certa forma não está errada. Nossa chefe aparece, informando que chegou o momento do grande espetáculo, uma a uma ocupa seu devido lugar e começam a dançar de maneira quente e bem sensual, prendendo a atenção de todos que estão presentes. Esses homens não conseguem disfarçar, o olhar de cobiça está estampado, o desejo é bem evidente também. Alguns deles chegam a ser nojentos, sim, essa é a definição. — E agora chegou o momento que sei que a grande maioria aguarda, nossa belíssima, gostosa e talentosa, Diablo. O rostinho é

  de anjo, mas é quente como o inferno. ─ Todos aplaudem e sei que chegou o meu momento. Obviamente não podemos falar a nossa real identidade, por isso na época escolhi esse nome, para fazer um trocadilho com Angel. Coloco um sorriso no rosto e assumo uma nova identidade, deixando de lado a minha vida normal e às vezes sem graça. No palco eu consigo me entregar completamente, danço, faço uso do pole dance, e deixo que meu corpo sinta cada vibração da música que preenche o ambiente no momento. Abro mais um botão da minha roupa, e caminho vagarosamente entre as mesas. Danço mais um pouco, dando segmento ao meu número da noite. No caminho de volta ao centro, alguns homens se aproximam e colocam notas de dinheiro no cós da minha calça, agradeço e continuo sorrindo. Outra música começa e dessa vez eu retiro a parte de cima do meu figurino, ficando apenas com um top preto. — Gostosa! — Eu só queria uma mulher dessa na minha cama. — Acho que esta noite terei deliciosos sonhos. Esses são alguns dos comentários que eu escuto, não são ruins, já tive o desprazer de ouvir coisas mais desagradáveis. Danço por mais dez minutos e me retiro do palco, encerrando a primeira parte de uma noite de trabalho.

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