
Secretaria submissa
Capítulo 3
Algumas horas depois
— Por que exatamente não me quer mais, Brandon? — a voz de
Clarisse no viva-voz reverberava por todo o interior do meu carro, em mais
uma de suas ligações desnecessárias.
— Por favor, não se humilhe desse jeito! — murmurei, apertando o
volante, cansado dos joguinhos dela.
— Você não me ama mais? — ela ronronou do outro lado da linha.
— Quer mesmo que eu responda a essa pergunta?
Ela fez uma breve pausa.
— Então é verdade o que nossos amigos dizem. Você não me ama
mais.
— Eu realmente não sei por que ainda atendo suas ligações. Você
deveria voltar para o seu ex-marido e me deixar em paz.
— Então devo voltar para você? — ela provoca. Às vezes me esqueço
que um dia fomos casados e que ela terminou comigo para se casar com
outro.
— Essa é a última vez que atendo uma ligação sua... — respondi,
perdendo a paciência e tentando entender que pecado eu cometi para merecer
um dia fodido de reuniões na presidência e depois ganhar uma ligação dessas.
— Espera! Espera! Eu estou em Chicago, foi por isso que liguei.
Pensei que fosse se interessar por uma noite com você e eu em uma banheira
de espuma em alguma cobertura de um hotel caro.
— Foi essa a razão de me ligar? Me propor uma transa em um quarto
de hotel?
— Sim. Parece uma proposta maravilhosa, não? Ainda sinto saudade
do gosto do seu corpo. Aposto que também sente saudade da maneira que
faço amor.
Ela só poderia estar de brincadeira. Clarisse definitivamente não
mudou com o tempo, ainda continuava a mesma mulher convencida e
audaciosa.
— Por favor, escute com atenção o que vou dizer. Se eu quisesse ter
uma noite com uma trepada sensacional, você seria a última pessoa em quem
pensaria. Não porque ainda tenho ressentimentos, mas sim porque existem
mulheres que desempenham melhor tal tarefa.
— Você está me humilhando, Brandon.
— Já havia aconselhado a não se humilhar. Passar bem. — Encerrei a
ligação, suspirei profundamente e finalmente me livrei da voz daquela mulher
entrando em meus tímpanos.
Clarisse foi a razão principal para eu acreditar que o amor é uma
dádiva para poucos. Talvez ela fosse a única e última mulher que teve
verdadeiramente meu coração nas mãos. Mas isso era passado, não guardava
mais rancor, tampouco havia reservado sentimentos para minha ex-mulher.
Tornei-me um homem totalmente indiferente a tudo, inclusive ao ódio
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