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Capa do romance Salva pelo inimigo.

Salva pelo inimigo.

Buscando desmascarar lendas urbanas, Sofia e seu grupo decidem explorar uma imponente mansão que todos na cidade juram ser mal-assombrada. O que deveria ser apenas um desafio cético entre amigos transforma-se em um pesadelo real e aterrorizante. Entre corredores sombrios e ecos do desconhecido, a jovem descobre da pior forma que as histórias sobre forças malignas são verdadeiras. Agora, ela precisa encarar a existência cruel de demônios.
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Capítulo 3

Quando topei a ideia de vir, não pensei que teria alguém morando aqui ou que tivessem pessoas, pois o povo da cidade tem um enorme medo. Só que ver esses móveis novos aqui dentro, me surpreendeu e tenho certeza que os meninos estão tão confusos quanto eu. Olhamos cada quarto daquela casa e todos estavam impecáveis e eram bem parecidos. Ainda bem que não tinha ninguém neles...

— Parece que temos um bom vídeo afinal. — Josh olhava a tela da câmera.

Descíamos as escadas. Parei quando esbarrei em Will, ele parou de repente. Ia perguntar qual era o problema, mas ao iluminar o fim da escada, não precisou ser feita nenhuma pergunta...

Três homens estavam parados lado a lado no fim da escada. Estavam com os braços cruzados olhando a gente. Pareciam se divertir, talvez pela nossa cara de espanto.

— Está vendo isso, Mark? Invasores de novo.

De novo?

— Sempre terá os curiosos e isso é maravilhoso!

— Por que estamos falando? Vamos ao trabalho!

Apertei o braço de Will. Meu Deus! Estamos na casa de três psicopatas!

— Espera cara! — o do meio falou. — Gostaram da casa?

Ninguém respondeu e eles riram.

— Vocês moram aqui? — Josh perguntou. Estava com a câmera na mão e parecia ligada, mas não estava diretamente virada para eles. Acho que Josh tentava gravar sem eles perceberem.

— Claro que moramos. Reformamos a casa e tudo — respondeu um deles. Acho que o tal de Mark.

— E por que a cozinha não?

Estava tão assustada que nem consegui pensar em correr. Não conseguiria mesmo, minhas pernas estavam bambas demais para isso...

— Não usamos ela, então pra que reformar?

Troquei olhares com o Will.

— Como não usam? — perguntei e eles ficaram em total silêncio me encarando. Acho que não perceberam que eu estava ali até que me pronunciei. Estava escondida atrás de Will.

— Não usamos cozinha, bela dama. Comemos coisas diferentes...

Ai meu Deus! Além de psicopatas, são canibais!

— Que tipo de coisa?

Eles sorriram quando perguntei isso.

— Já vão saber...

Eles realmente pareciam psicopatas, olhavam a gente como se fôssemos brinquedos ou mesmo uma presa prestes a ser devorada. Todos eles usavam roupas pretas. Estava um pouco escuro para reparar a fisionomia deles agora, mas pareciam bem elegantes e bonitos. Sempre achei que o psicopata tinha cara de louco, mas pelo visto me enganei.

— Vou ligar as luzes, essa sua lanterninha não é de nada, senhorita.

Depois que ele falou isso as luzes se acenderam. Apertei Will com força. Ele devia estar todo roxo de tanto que apertava, mas eu precisava descontar minha ansiedade em alguma coisa e ele estava na minha frente.

— Bem melhor agora — o do meio falou. Tinha os olhos presos em mim. Não estou gostando nada disso!

Agora com a luz acesa, pude ver melhor. O do meio tem cabelos castanhos e lisos, uma barba um pouco falhada no rosto. Os olhos são cor de avelã. Ele é extremamente bonito para quem é psicopata. O tal de Mark tem o cabelo escuro e olhos azuis. É o mais alto dos três e parece ser o mais forte também. O terceiro é loiro de olhos verdes.

Se não fossem psicopatas, diria que era uma visão espetacular, mas vendo a situação, melhor nem pensar nisso...

— Que coisa feia, não é? Nem nos apresentamos aos visitantes... — o loiro falou em tom debochado.

— Tem razão, Ed. Que falta de educação. Como já devem ter percebido, eu sou o Mark. Aquele é o Eduardo. — Apontou para o loiro. — E esse aqui é o Frank. — Mostrou o cara de cabelos castanhos.

— Se apresentem também — disse o Frank.

Trocamos olhares e Josh tomou a fala.

— Eu sou o Josh. Esse é o Will e ela é a Sofia.

Ficou um pequeno silêncio enquanto eles encararam a gente.

— Nós já vamos. Não queremos incomodar vocês.

Acho que você não devia ter dito isso Will...

— Mas não estão incomodando ninguém. Você está incomodado, Frank?

— Não.

— E você, Ed?

— Nem um pouco.

— Então fiquem mais! Pra que a pressa?

— Na verdade, temos que ir pra casa ou podemos ficar encrencados — respondeu Josh.

Os três riram quando ele falou isso.

— Quantos anos você tem, Josh?

— Dezessete.

— E vocês dois?

— Dezessete também — respondeu Will.

— E você, senhorita, também tem dezessete?

— Tenho dezesseis.

Os três trocaram olhares quando respondi.

— Então estarão encrencados com os pais?

— Isso mesmo — respondeu Josh.

— Eles não vão se importar se demorarem só mais um pouco.

— Acho que não... — disse Will. Já deu para notar que eles não vão nos deixar sair daqui agora.

— Ótimo! Vamos beber alguma coisa. Já devem ter conhecido nossa sala de estar, não é? — perguntou com um sorriso sombrio.

Seguimos os três até a sala de estar. Agora com a luz acesa, consegui ver um pequeno bar ao lado. Não tinha visto antes. Mark foi até lá e pegou alguns copos, depois encheu eles com um líquido de cor escura. Não conseguia fazer mais nada a não ser olhar o homem. Ele se aproximou e entregou um copo para cada um. Quando chegou minha vez, ele me encarou com um leve sorriso no rosto.

— Você é muito nova para isso, mas é só um gole, não é?

— Não é porque sou nova que nunca bebi — respondi sem desviar os olhos.

Se tenho que morrer, não vou dar uma de medrosa!

Mark sorriu.

— Não esperava outra resposta. — Me entregou o copo.

Então a realidade caiu como uma bomba em cima de mim. Ele colocou algo na bebida. Algo que vai fazer a gente dormir ou mesmo morrer, sei lá! Acho que dormir é o mais provável, pois assim podem nos amarrar e torturar à vontade depois.

O que fazer agora?

Os meninos me olharam apreensivos. Devem estar pensando a mesma coisa que eu. Não tem como correr, vamos ter que beber. Fiz isso primeiro e os meninos ficaram me encarando, talvez esperando que algo acontecesse, mas nada aconteceu. Era vinho e um dos melhores que já experimentei. Olhei os homens e eles estavam sorrindo olhando na minha direção. Josh e Will beberam seus copos também.

— O que acharam? É um bom vinho? — perguntou Frank.

— É sim — respondi.

Nesse momento parecia que eu era a única que podia responder as perguntas e não por algo que colocaram na bebida, mas sim porque os dois estavam com mais medo do que eu.

— Que bom que gostaram. Não querem sentar para nos conhecermos melhor? — disse Eduardo.

— Nós realmente temos que ir...

— Josh, você não parece ser um filho exemplar — Mark falou rindo.

Ele tinha razão. Josh era o cara mais idiota do mundo e sempre ia contra as regras de tudo que podia.

— Mas eu prometi à minha mãe que ia ajudar ela...

— Também não tem cara de que se importa em ajudar em casa — disse Frank com os braços cruzados.

O que está acontecendo aqui? Como eles sabem tanta coisa sobre o Josh?

— O que vocês querem saber da gente? — perguntei. Parece que já conhecem.

— Sentem-se.

Fui a primeira a me sentar no sofá. Segundos depois os dois me acompanharam. Os três ficaram em pé de frente para a gente.

— Então, conte pra gente porque entraram na mansão.

Trocamos olhares e os dois ficaram me olhando. Um pedido silencioso para que eu contasse. Duas franguinhas!

— Bem, queríamos provar que não existe esse negócio de fantasma ou demônios como as pessoas dizem. Que aqui é só uma casa abandonada e não mal-assombrada.

— E vocês estão certos disso? — perguntou Eduardo.

— É claro que sim — respondi. — A gente só descobriu que a casa não está abandonada, já que vocês vivem aqui.

— E o que faz vocês acreditarem que não somos fantasmas?

Revirei os olhos e olhei os meninos. Estavam sem cor nenhuma e olhavam os homens com pavor. Já eles, não desgrudavam os olhos de mim.

— Fantasmas não existem — falei com certeza.

— E demônios? — O olhar de Mark queimou o meu.

— Muito menos.

— Você é bastante cética, não é? — perguntou Frank.

— Só acredito no que posso ver.

Os três sorriram largamente. Como se eu tivesse falado o que eles queriam ou esperavam que falasse.

— Isso é ótimo! — exclamou Mark.

— Talvez se você ver uma coisa, possa começar a acreditar... — Frank sorriu maldoso.

Ouvi Josh resmungar ao meu lado quando isso aconteceu. Estava morrendo de medo e Will nem abria a boca. Tinha os olhos presos nos homens, assim como eles tinham os olhos presos em mim. Eduardo e Frank andaram pela sala e Mark continuou em pé em frente ao sofá que estávamos sentados. Vi os dois se aproximando da gente. Eles pararam atrás do sofá. Eu estava com medo, mas medo de psicopatas, não de fantasmas ou demônios.

Eduardo fez o Will levantar do sofá e Frank fez o mesmo com Josh. Nessa hora apertei as mãos com força. O que esses malucos vão fazer? Levantei do sofá quando os dois começaram a conduzir os meninos para fora do tapete. Mark se aproximou de mim e segurou meu braço. Arregalei os olhos ao sentir a mão dele extremamente gelada. Olhei seu rosto e ele sorriu. Os outros pararam de puxar Josh e Will. Estavam um pouco afastados de mim e me olhavam com medo.

— Isso é algum tipo de brincadeira? Porque não tem graça nenhuma! — falei nervosa e os três riram.

— Não é brincadeira, é a realidade que você precisa — respondeu Frank me encarando.

— Do que estão falando?

Assim que perguntei isso, Mark se aproximou e segurou meus braços para trás com força. Meu Deus! Vamos morrer! Os meninos tentaram fugir dos outros dois, mas eles também seguraram e não deixaram.

Tudo aconteceu rápido demais. Mark segurou minha cabeça com uma das mãos, me obrigando a olhar o que eles fariam com os meninos. Vi Frank sorrir e depois puxar a cabeça de Josh para o lado de uma maneira muito bruta. Consegui ouvir o pescoço dele estalar. Então ele mordeu o pescoço de Josh.

Josh gritou e se debateu, mas não conseguiu se livrar dos braços daquele canibal. Conseguia ver o sangue dele escorrendo pelo pescoço e descendo para o peito, sujando sua camisa. Estava muito assustada e Will paralisado olhando aquilo enquanto Eduardo o segurava. Achei que ele fosse comer Josh vivo, mas ele ficou com a boca prensada contra o pescoço dele por um tempo. Os gritos de Josh foram ficando mais fracos e a cor foi deixando seu rosto.

O que está acontecendo? Vi que os olhos dele estavam querendo fechar, estava prestes a desmaiar.

— Deixa ele! — gritei assustada e os dois riram.

Frank tirou a boca do pescoço de Josh quando ele desmaiou e me olhou. Ele sorriu e seus dentes estavam vermelhos com o sangue de Josh. Agora deve ser a parte em que ele come a carne dele...

— B negativo e nada puro.

Mark abaixou a cabeça para olhar meu rosto e eu fiquei tensa achando que era a minha vez de ficar sem sangue.

— Seu amigo gosta bastante de drogas, não é?

— Como sabe disso?

Os três sorriram.

— Você também gosta? — Cheirou meu pescoço e nessa hora todo meu corpo ficou tenso. — Parece que não...

— Ela está limpa? — perguntou Eduardo.

— Sim.

Que droga é essa? Como eles podem saber disso? Será que nos espionavam? Já estavam com tudo planejado para nos matar?

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