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Capa do romance Rosa Escarlate - A Dançarina Exótica

Rosa Escarlate - A Dançarina Exótica

Isabella Natale esconde um segredo audacioso sob a luz do dia. Confeiteira dedicada, ela assume a identidade de Rosa Escarlate à noite, tornando-se a dançarina mais desejada de Chicago. O mistério de sua máscara fascina a todos, inclusive Nick Santori, o novo segurança do clube e sua antiga paixão platônica. Nick sempre a viu como uma menina, mas agora sucumbe ao magnetismo de Rosa. Isabella decide então seduzi-lo, provando que a realidade supera qualquer fantasia.
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Capítulo 3

A MULHER tinha farinha nos cabelos. Tinha cheiro de amêndoas. O avental estava manchado com cobertura e chantili. Corante alimentício sujava a ponta de dois de seus dedos.

E ela estava absolutamente deliciosa.

As notas de sabor exalandao de Izzie não eram capazes de competir com o perfume inato, cálido e feminino do corpo dela, que tomou os sentidos de Nick de assalto de um jeito que nenhum ataque direto conseguiria. Embora estivessem em um restaurante lotado, cercados por clientes e membros da família dele, Nick só sentia a presença dela. Ele havia sido atraído para ela, capturado em um mundo íntimo que ambos criaram no instante em que seus olhares se encontraram.

– Seu nome é Nick – disse ela, como se estivesse se certificando. A voz foi um pouco áspera, osolhos se semicerrando.

Preocupado com a possibilidade de ela ter um ex de mesmo nome, ele respondeu: – Atenderei a qualquer coisa da qual você quiser me chamar.

– Qualquer coisa?

Ele assentiu, incapaz de desviar a atenção daquele bocadinho de farinha nos cabelos dela. Gostaria de erguer e mão e limpá-lo. E então enterrar os dedos naqueles cabelos castanhos volumosos, soltar o rabo de cavalo, formando uma cortina sobre os ombros dela. Ele cerrou os dedos em punho junto às laterais do corpo face à necessidade de enveredar aquelas madeixas em suas mãos e puxar o rosto dela para o dele para um beijo enlouquecedor.

Ela possuía o tipo de boca que implorava para ser beijada. Uma que prometia prazer. Deus, fazia muito tempo desde que ele realmente beijara uma mulher do jeito como gostava de fazer. Lentamente. Profundamente. Como uma exploração exaustiva de todas as curvas e fendas.

Recentemente, a vida sexual dele estivera limitada pela proximidade e sua condição de militar na ativa. Ele não tivera qualquer tipo de relacionamento em anos. E o sexo que tinha feito normalmente era rápido, coisa de uma noite só, em que o beijo lento e indulgente não entrava em pauta.

Ele poderia beijar a boca daquela mulher por horas.

Nick não compreendia por que estava tão atraído por ela. Tudo o que ele sabia era que estava atraído por ela de um jeito que não ficara por ninguém há muito tempo. Não apenas porque ela era linda com o avental e aquele rabo de cavalo desgrenhado. Mas por causa do olhar saudoso e solitário que ela ostentara mais cedo, que dizia que ela não pertencia àquele lugar e sabia disso.

Exatamente o mesmo olhar que ele exibia ultimamente.

– Você é solteira? – perguntou ele, desejando uma confirmação.

Ela assentiu, o movimento fazendo o rabo de cavalo dela balançar. Os cabelos captaram o reflexo

de uma vela na mesa mais próxima, os fios brilhando em um véu de marrons e dourados que fizeram o coração dele tinir de encontro aos pulmões.

– Qual é o seu nome? – perguntou ele finalmente.

Ela arqueou uma sobrancelha fina.

– Ainda não entramos em acordo sobre o modo como vamos chamar você.

Ele se virou, ficando mais perto dela, quando um grupo adentrou o restaurante. A morena deslizou ao longo da parede, ficando longe do restante das pessoas. Nick a seguiu, irresistivelmente atraído pelo perfume e pelo mistério nos olhos dela.

– Acho que você tem um Nick no seu passado...?

– Aham.

– E não deu certo?

– Acho que posso dizer que não.

– Um término ruim?

– Não. Nós nunca namoramos. – Ela deu um meio-sorriso. Não havia alegria nele, apenas umadiversão enfadada. – Ele mal notava minha existência.

– Então ele era um idiota.

O outro canto da boca de Izzie se arqueou; desta vez a diversão genuína reluziu claramente. – Ah, sem dúvida.

– Ele não merecia você.

– Com certeza não.

– Você está melhor sem ele.

– Ninguém sabe disso melhor do que eu. – Ela soava mais divertida agora, como se estivessebaixando a guarda.

– Chega de falar dele – disse Nick. – Se você não gosta do meu nome, chame-me pelo meusobrenome. É Santori.

Ele a observou aguardando um arroubo de surpresa, um mirar de olhos para a placa na janela, anunciando o nome do lugar.

Estranhamente, ela não reagiu de jeito algum.

– Acho que já determinamos como eu deveria chamá-lo. Você mesmo se autodenominou.

Confuso, Nick apenas aguardou.

– Idiota – falou ela, batendo a pontinha do dedo no próprio rosto, como se pensando no assunto. –Embora, honestamente, o título não capte sua essência totalmente agora. Poderia ter bastado anos atrás, mas, hoje, acho que vamos ter que ficar com... completo babaca.

Nick ficou boquiaberto. Mas a morena sensual não tinha terminado:

– A propósito, aquele número de telefone que você queria? Aqui está, você pode querer anotar...0-800-não-vai-rolar.

E, sem mais uma palavra, ela empurrou o peito dele, afastando-o de seu caminho, e então saiu pela porta. Nick ficou parado ali, encarando as costas dela em choque total.

– Eu diria que isto não deu muito certo. – Mark parou atrás dele, observando, assim como Nick, enquanto a morena marchava rua abaixo como se tivesse acabado de dar uma surra em alguém.

Bem, tinha dado mesmo. A saber, nele. Ele só não sabia por quê.

– Não me diga.

– Vejo que você não perdeu seu jeito com as mulheres.

– Cale a boca. – Balançando a cabeça em espanto, ele ergueu uma das mãos e esfregou o queixo. –Não sei como consegui estragar tudo.

– Mas com certeza conseguiu.

Ouvindo seu irmão rir, Nick o encarou.

– Pelo menos não estou usando uma aliança. Ainda posso tentar conquistar uma linda estranha.

Mark apenas riu com mais intensidade, o que fez Nick cogitar socá-lo. Só que Mamma estava bem atrás do balcão, olhando curiosamente para os dois enquanto aguardava os clientes. Se Nick partisse para cima do irmão, ela viria e acertaria os dois na cabeça com uma concha de sopa.

– Linda estranha... Ai, cara, você vai se odiar quando perceber o que acabou de fazer.

Estreitando os olhos, Nick aguardou para que o irmão continuasse.

– Você realmente não a reconheceu, não é?

Ai, diabos. Ele deveria tê-la reconhecido? Ele a conhecia?

– Ainda não está sacando?

– Diga-me qual é o tamanho da encrenca na qual me meti – murmurou ele, rezando para não terdado em cima de uma prima que não via há anos. Se eles fossem parentes, e ele não pudesse tê-la, isso seria um crime digno de um tribunal militar. Então ele rezava ainda mais para que ela fosse alguma garota que ele havia conhecido na época de escola.

– Uma encrenca enorme.

Ele aguardou, sabendo que Mark estava gostando de vê-lo suar.

– Ela é da família, você sabe.

Droga. Todo o sangue no corpo dele desceu aos pés de constrangimento... e decepção.

– Por que você não me impediu?

– Você saiu da baia como se seu traseiro estivesse pegando fogo.

Esfregando os olhos e balançando a cabeça, Nick murmurou:

– Quem é ela? Do lado da Mamma ou do Papà? Por favor, diga que ela não é uma das 30 netas donosso tio-avô Vincenza. Do contrário, eu posso ter de me realistar e me esconder dele e de seus companheiros de máfia pela próxima década.

Os olhos de Mark brilharam de diversão. Ele estava gostando daquilo.

– Não é do lado do nosso tio-avô Vincenza. Pense em alguém mais próximo.

Mais próximo. Jesus Cristo.

– Ela não tem como ser uma prima de primeiro grau...– Não é uma prima.

Ai, graças a Deus.

– Então quem?

– Vou lhe dar uma pista. Você por acaso notou toda a cobertura de bolo e farinha no avental dela?

Notou. Ele não sabia se já havia sentido cheiro mais gostoso do que daquela bagunça açucarada combinada à essência natural da morena.

– Sim. E daí?

– Você normalmente não é tão concentrado assim.

– E você normalmente não fica assim tão perto de ser morto.

– Pense... a confeitaria...

– A Natale's? É do pessoal da Gloria? – E de repente ele se deu conta. – Não.

– Ah, sim.

Não. Impossível. Estava fora de questão.

– Nao é a irmã caçula de Gloria. Diga-me que não era aquela doçura rechonchudinha.

– Ela não está rechonchuda e acho que, se você a chamasse de doçura, ela o surraria. – Markpassou um braço consolador em torno dos ombros de Nick, o peito vibrando de tanto rir. – Para responder à sua pergunta, sim, meu irmão, aquela era Isabella Natale.

Nick não conseguia falar. Estava chocado demais, pensando no quanto ela havia mudado. Fazia pelo menos nove, dez anos talvez, desde que a vira pela última vez. Ela ainda estava no Ensino Médio, e ele dera de cara com ela em uma festa de natal na casa de Gloria e de Tony, quando estava de licença do serviço militar. Ela ainda corava e gaguejava perto dele. E ainda estava femininamente cheinha, bonita, mas com um rosto tão infantil que ele nunca levara a paixonite dela por ele a sério.

Ah, ele sabia da paixonite. Todo mundo sabia da paixonite. Seu irmão Tony ameaçara lhe quebrar as pernas caso ele a olhasse torto durante o casamento.

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