Capa do romance Romano - Coroados pelo sangue

Romano - Coroados pelo sangue

9.7 / 10.0
Tonny Romano assassinou meu noivo e me reivindicou como seu troféu diante da máfia. Agora, sou sua esposa e rainha, mas recuso-me a ser submissa ao seu controle impiedoso. Ele busca minha rendição total, sem saber que escondo um veneno mortal. Entre o ódio e o desejo, somos predadores em uma guerra de poder e traição. Neste romance sombrio, onde a dominação dita as regras, ninguém sairá ileso. O jogo de Tonny começou e eu pretendo destruí-lo com suas próprias armas.

Romano - Coroados pelo sangue Capítulo 1

Tonny Romano

"O sangue é a única assinatura que não precisa de testemunhas."

O salão resplandecia em ouro, cristal e mentiras. Do alto da sacada, entre colunas esculpidas, eu observava o espetáculo da máfia encenando harmonia. Sorrisos forçados, brindes vazios, promessas tão frágeis quanto o cristal das taças. Cada olhar era calculado. Cada palavra, uma arma disfarçada.

E no centro de tudo, ela.

Angelina Rossi.

A filha da serpente.

A última relíquia da linhagem que destruiu a minha.

Prometida ao bastardo que jamais teria a chance de tocá-la.

O vestido champanhe se moldava ao corpo dela como uma confissão feita em silêncio. Pele dourada, ombros nus, cabelo solto. Ela parecia uma miragem e era. Porque por trás daquele disfarce angelical havia aço.

O olhar dela me encontrou, fixo, frio e calculado. Mas havia algo mais.

Ela fingia calma, mas eu via por trás da máscara.

Tensão. Raiva. Um medo ainda não assumido.

Ao lado dela, o noivo sorria como um tolo. Como se tivesse vencido. Como se soubesse o jogo. Mas ele nem conhecia o tabuleiro.

Pena.

Não teria tempo para aprender.

Soltei o botão do paletó e desci os degraus, sentindo o peso da arma sob a jaqueta. Cada passo meu era um aviso. Um som que cortava a música da orquestra, ainda tocando como se o mundo não estivesse prestes a ruir.

O noivo estendeu a mão.

Estúpido.

O disparo ecoou como um trovão.

A bala encontrou o coração dele com precisão, sem erros. O corpo caiu com um baque surdo, e o sangue se espalhou pelo mármore branco como tinta sobre um altar de guerra.

E então, o inferno se abriu.

- ELE MATOU O NOIVO!

- MEU DEUS, ALGUÉM FAÇA ALGUMA COISA!

- ABAIXEM-SE!

- CHAMEM OS GUARDAS!

Pratos se espatifaram. Cadeiras viraram. Mulheres gritavam. Algumas tentavam proteger os filhos, outras desmaiavam. Homens sacavam armas, mas hesitavam ao me ver. Ninguém queria ser o segundo.

A orquestra parou abruptamente. O maestro abandonou a batuta.

Pânico e caos ao redor e no meio de tudo, ela.

Angelina.

Ela estava imóvel, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. O sangue do noivo escorrendo até tocar a barra do vestido. E, mesmo assim, ela se manteve em pé.

Mas estava tremendo.

As mãos dela estavam cerradas ao lado do corpo. O peito arfava sob o tecido justo. Os olhos estavam arregalados. Mas havia algo contido ali, feroz e silencioso. Orgulho ferido. Raiva crua. E um medo novo que ela não sabia como esconder, afinal ela me conhecia era minha inimiga, eu era um Romano e ela uma Rossi.

Me aproximei ainda mais e a multidão se abriu, como se minha simples presença empurrasse o ar. Ninguém ousava me impedir.

Ela me encarou.

- Seu noivo está morto. - murmurei, a voz baixa, firme. - E agora, você é minha.

Os olhos dela se arregalaram por um instante. A mandíbula se tensionou. Vi o momento exato em que ela reprimiu o impulso de me atacar.

- Você é um monstro. - a voz dela saiu falha, mas ainda assim cheia de veneno. -Vá para o inferno.

- Já estive lá. - retruquei com um meio sorriso. - E voltei por você.

Ela deu um passo para trás, esbarrando em uma mulher que corria. As costas encostaram contra a parede, mas ela se manteve firme.

- Isso não te faz forte. - cuspiu. - Te faz doente. Um animal.

- Isso me faz necessário. - respondi. - E quanto ao noivo ele era só um peão e morreu como tal.

Ela oscilava entre a fúria e a incredulidade. O queixo trêmulo, os olhos marejados, mas sem chorar. Angelina não era o tipo de mulher que se curvava, mas logo ela mudaria.

- Vai me arrastar agora? - disse com desdém. - Vai me exibir como troféu, como se isso provasse algo?

- Não. Ainda não. - aproximei meu rosto do dela. - Mas vai lembrar desse momento. Porque é aqui que sua liberdade morre. E o que nasce é a minha esposa.

Ela ergueu a mão, tomada pela raiva, pronta para me acertar. Mas não chegou a me tocar. Em um segundo, seu pulso já estava preso na minha mão. O golpe morreu no ar.

- Você não me conhece. - sussurrou. - E nunca vai me dominar.

- Estou curioso para ver até onde sua resistência vai. E o que sobra depois dela. - Soltei seu pulso, vendo o tremor de seu corpo.

Um som de bengala ecoou pelo salão silencioso.

Mario Rossi.

O velho vinha mancando, pálido, olhos injetados de desespero.

- Isso é guerra, Romano?! - a voz dele cortou o ar, tensa. - Você enlouqueceu?!

Me aproximei devagar. Peguei o envelope no bolso interno do paletó, contendo o que precisava e deixei cair aos pés dele, como um aviso escrito em sangue.

- É o fim dela. Todos aqui sabem que para cessar uma Faida é necessário sangue. O último a cair foi um Romano. Pelas mãos de um Rossi. Reivindico sua filha, Angelina Rossi, para cessarmos a guerra.

O salão ficou mudo.

- Angelina Rossi no altar em sete dias. - completei, olhando nos olhos do velho. - Ou o próximo a cair será você.

Mario empalideceu como se o chão lhe faltasse. Atrás dele, capos recuaram instintivamente. Sabiam que eu não estava sozinho. Que o meu ato não era impulso, era estratégia.

Ele assentiu, lentamente. Os ombros curvados. A boca contraída em derrota.

Virei-me lentamente, ignorando os murmúrios abafados e os olhares incrédulos que ainda queimavam nas minhas costas.

Angelina continuava onde eu a deixei. A postura ereta, o vestido respingado de sangue, o queixo teimosamente erguido como se isso pudesse protegê-la. Mas não havia proteção possível agora.

A respiração dela estava rápida. O rosto, pálido sob o rubor forçado. As mãos ainda cerradas, mas trêmulas e não mais por raiva apenas, e sim por saber que acabara de se tornar peça de um jogo cujas regras não havia escolhido.

E mesmo assim, ela me olhava. Não com submissão. Não com desespero. Com algo que queimava mais fundo: desafio.

Desafio e algo que não deveria estar ali, sentia a sua curiosidade.

Ela queria entender o que viria depois. Queria saber se eu era só brutalidade e minhas reais intenções em fazer dela minha esposa. Queria descobrir até onde eu estava disposto a ir.

E a resposta estava escrita nos meus olhos quando parei diante dela:

- Eu irei até o fim, bambina.

Dei um passo à frente, obrigando-a a inclinar levemente o rosto para cima.

- Mesmo que o fim... seja você.

Angelina estava com o rosto banhado de lágrimas silenciosas, e mesmo assim, havia nela uma beleza inquebrável, feita de raiva, dor e uma dignidade que sangrava por dentro. Quando ela ergueu o braço, a mão aberta no impulso desesperado de me atingir novamente, eu a segurei no ar com firmeza. Meus dedos fecharam ao redor de seu pulso com a mesma precisão de antes, arrancando-lhe um gemido rouco. Puxei ela com força, colando nossos corpos, fazendo seu vestido ranger entre nós como se protestasse pelo que se tornava inevitável.

Seu rosto ficou a poucos centímetros do meu. A respiração vinha entrecortada, instável. O olhar que ela lançou sobre mim era assassino, carregado de um ódio feroz, mas ainda assim belo. Para todos ali, ela ainda era a rainha do gelo, intacta, intocável, inquebrável. Mas para mim, ela não passava de uma peça no tabuleiro, uma refém das minhas decisões, da minha vingança, da minha vontade.

- Não ouse, princesa. Não cometa o mesmo erro. - Murmurei rente à sua pele, a voz baixa, controlada, um sussurro que feria mais do que um grito. - Ou eu vou profanar esse lugar sagrado e te foder ali mesmo, naquele altar, na frente de todos, só para mostrar que você já me pertence.

Ela não respondeu, mas o tremor que percorreu seu corpo confirmou tudo que as palavras tentavam esconder. Estava assustada, envergonhada, humilhada, mas ainda assim se recusava a baixar a cabeça. E isso apenas atiçava o prazer sombrio de tê-la exatamente onde eu queria.

Inclinei-me para ela e, com lentidão depositei um beijo no canto de sua boca, sentindo o gosto amargo de sua resistência misturado às lágrimas que escorriam em silêncio. Deslizei o polegar pela trilha úmida que marcava sua bochecha e levei aquela gota solitária aos meus lábios, saboreando. Então, sem pressa soltei seu pulso e a deixei recuperar o espaço que lhe restava.

Ela cambaleou um passo para trás, respirando com dificuldade, os olhos ainda cravados em mim. Por mais frágil que estivesse, ela resistia. Ardente, furiosa, marcada. Uma mulher despedaçada por dentro, mas ainda de pé diante do inimigo.

Virei-me sem olhar para trás, atravessando o salão que ainda ecoava em gritos e passos apressados, deixando o caos atrás de mim como uma trilha de pólvora acesa. Os convidados se afastavam, os capos cochichavam entre si com expressões tomadas pelo pavor e pela incredulidade. E ela continuava ali, imóvel no centro da cena, vestida de sangue e silêncio, assistindo enquanto eu me retirava.

Era hora de partir e esperar pelas consequências. Porque elas viriam e eu sabia. Mas nenhuma delas seria capaz de mudar o que já estava feito.

A minha vitória, naquela noite, estava selada. E Angelina Rossi, querendo ou não, já era minha.

Continue Lendo

Romano - Coroados pelo sangue de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Herdeira Oculta
9.8
Sofia vê seu mundo ruir quando o noivo, Pedro, revela que engravidou a chefe, Juliana, por puro interesse financeiro. Expulsa de casa e humilhada pela amante, a assistente administrativa é tratada como uma órfã insignificante. No entanto, eles ignoram seu maior segredo: ela é a herdeira do império Luxus Group. Cansada da traição e das falsas acusações, Sofia decide abandonar a simplicidade para assumir seu poder e destruir aqueles que a subestimaram.
Capa do romance A Infiel I
8.1
Lígia está presa em um casamento de conveniência com um magnata, vivendo uma realidade amarga e sem afeto. Em uma tentativa desesperada de escapar dessa dor, ela se entrega a uma noite de paixão com um desconhecido atraente. No entanto, o que parecia ser um encontro fortuito revela-se algo planejado. Agora, as consequências desse momento inesperado prometem transformar sua trajetória e seu destino para sempre, mudando tudo o que ela conhecia.
Capa do romance Amor antes do pôr do sol
9.2
Após três anos, ela retorna e acaba nos braços de Chi Yan. Ele não a reconhece, mas fica obcecado pela mulher que conheceu naquela noite. Ao questioná-lo sobre o antigo noivado, ele a rejeita friamente, alegando que os votos foram apenas para confortá-la durante um tratamento. Decidida a esquecê-lo, ela tenta partir, mas Chi Yan se desespera. Ajoelhado, ele implora que ela fique, mas ela o ignora, lembrando que agora é apenas sua irmã.
Capa do romance FOGO e PAIXÁO
9.2
Alice viu sua vida mudar após uma viagem a Las Vegas com Bianca e Lucy. Após uma noite intensa de cassinos e bebidas, ela acorda casada com um desconhecido de olhos verdes. Ele lhe faz uma proposta absurda, que ela recusa de imediato. Contudo, a morte repentina de seus pais a deixa na miséria e prestes a perder o lar. Sem recursos e desesperada, a jovem mimada precisa decidir: aceitará o acordo do marido misterioso ou enfrentará a dura realidade das ruas?
Capa do romance O Jardim e o Girassol
8.6
Lucas, um gênio da engenharia, decide abandonar a faculdade para apoiar Sofia, uma caloura que domina sua atenção. Namorada dedicada, a protagonista é descartada e chamada de âncora por ele. Após ser trocada pelo novo girassol de Lucas, ela sofre um acidente e conhece Pedro, um estranho que demonstra cuidado real. Ao ver a traição pública nas redes sociais, ela decide transformar sua dor em determinação. O jogo mudou e ela não será mais humilhada.
Capa do romance O Passado Oculto da Esposa Perfeita
8.7
Após cinco anos de amnésia ao lado de um magnata, a verdade surge. Ao ver o ultrassom da amante dele e descobrir que seu noivo, Caio, sobreviveu à queda de helicóptero, a memória de Lara retorna. Traída e abandonada em um incêndio para que o marido salvasse a outra, ela enfrenta a humilhação pública no hospital. Contudo, Lara usa a mídia para enviar um sinal secreto. Diante das câmeras, ela convoca seu verdadeiro amor para retomar o que é seu.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar