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Capa do romance Rendido pelo seu olhar

Rendido pelo seu olhar

No implacável círculo da elite, Luma e Arthur enfrentam o peso de casamentos por interesse e segredos de família. Enquanto ela busca uma conexão genuína, Arthur oculta uma paixão que nutre desde a juventude. Entre rivalidades amargas e tramas sociais, o casal precisa escolher entre ceder às pressões externas ou lutar pelo que sentem. Será que a força das expectativas conseguirá destruir a chance de viverem um amor verdadeiro?
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Capítulo 2

Luma Ferreira:

Já era noite; meus pais foram bem cedo para a festa de noivado do Arthur. Eu estava em frente ao espelho, me olhando enquanto esperava o carro de aplicativo que havia pedido.

Eu estava usando o vestido que minha mãe havia comprado para mim. O lindo vestido tinha um corpete ajustado com painéis transparentes e elementos estruturados, além de delicadas alças finas. A saia de tule cheia e fluída, com fendas altas, adicionava um toque dramático.

Me apaixonei pelo vestido assim que o vi, e combinou muito bem com a máscara. Os dois eram como um conjunto perfeito; enquanto o vestido, com seus detalhes transparentes, revelava partes do meu corpo, deixando um estilo mais sexy, a máscara me deixava misteriosa. Misteriosa e sexy: uma combinação fatal.

Ouço a notificação do meu celular avisando que o carro já estava em frente à minha casa me esperando. Peguei minha bolsa de mão, onde coloquei meu celular, e saí.

Eu estava animada para aquela noite. Minha primeira noite com meus pais depois de muitos anos, e eu estava certa de que aquela noite seria inesquecível.

[...]

Eu estava presa no trânsito; mesmo que o local da festa fosse apenas a alguns metros, eu queria chegar de carro. Mas parecia que aquilo não iria acontecer.

- Спасибо, digo... obrigada. Desculpe. Eu estava morando fora e ainda é difícil voltar ao meu idioma após tantos anos – falo um pouco envergonhada.

- Нет проблем. Я русский и приехал в Бразилию, я очень хорошо понимаю проблемы с языками (Não tem problema. Sou russo e vim para o Brasil, eu entendo muito bem os problemas com idiomas) - diz ele. - Desculpe por não conseguir deixá-la exatamente no local marcado.

- Não tem problema. Aqui está ótimo. Muito obrigada - falo para ele. Como eu já havia feito o pagamento, saí do carro, e no mesmo instante começaram a cair algumas gotas de chuva.

Corri pela calçada rapidamente; pelo menos tenho prática com saltos e posso correr perfeitamente sem cair. O semáforo estava fechado para os carros e, por sorte, consegui passar correndo.

Assim que parei de correr como uma doida pelo meio da rua e parei embaixo da fachada do local da festa, vejo apenas um homem entrar rapidamente por lá. Foi tão rápido que nem deu para ver quem era. Ele deve pensar que sou doida de verdade.

- дерьмо (merda) – falo, arrumando minhas roupas e tentando, na verdade, fazendo o impossível para deixar meu cabelo como antes.

Suspiro um pouco cansada e entro no local, mas me surpreendo ao ver que a festa seria no terraço. Ando em direção aos elevadores e um deles acabara de fechar.

Corro novamente e consigo colocar a mão entre as portas, fazendo-as parar de fechar. O homem que estava dentro olha para mim, e não dou a mínima. Apenas entro e fico de costas para ele.

Após apertar o botão do terraço, fico batendo o pé no chão, um pouco impaciente. Eu estava cansada, molhada e com fome. Espero pelo menos poder comer bastante nesta festa.

Ouço um pequeno ruído atrás de mim e olho para trás. O homem que, por sinal, era bem bonito, estava de terno preto e máscara também; ele mexia no celular como se não estivesse nem um pouco apressado.

Mas, de repente, ele olhou para mim, me pegando em flagrante observando-o.

Rapidamente olho para a frente, envergonhada. Porém, o meu constrangimento não dura muito, pois o elevador começa a fazer uns barulhos estranhos e logo tudo fica escuro.

Eu, como uma pessoa que morre de medo do escuro, de lugares apertados e de altura, presa em um elevador com todas essas características, só penso em uma coisa: me jogo no homem, tentando de alguma maneira me sentir segura.

Ele pode pensar o que quiser de mim, mas o que importa é que eu esteja segurando alguém para eu não me sentir sozinha. Odeio o escuro e estar com outra pessoa pode diminuir a minha fobia.

O homem segura minha cintura quando me jogo sobre ele; eu não queria saber de nada naquele momento. Porém, a cena era realmente inusitada. Eu, abraçada a um estranho, com meus braços em volta do seu pescoço enquanto o apertava forte. Acho que até estava deixando-o sufocado.

Alguns segundos depois, a luz de emergência acaba acendendo. Um pouco receosa, me afasto do homem que ainda segurava minha cintura fortemente. Nossos olhos se encontraram e acabei ficando sem fôlego devido aos seus olhos incrivelmente azuis. Ele também me olhava, olhando nos meus olhos. Nossos rostos cobertos, apenas nossos olhos à mostra. Aquele momento tenso e misterioso, mas ao mesmo tempo sexy, estava me deixando animada.

Ele me encarava, na verdade, encarava meus olhos. Mas o que ele estava vendo? Meus olhos tão comuns em comparação aos dele...

Sinto seu aperto na minha cintura e suspiro; logo me afasto.

- извините(desculpe) – falo e nem faço questão de corrigir. Me viro para a frente e fico em silêncio. Porém, sinto seu olhar queimando sobre minhas costas, mas em nenhum momento faço menção de virar ou olhar para trás.

Ainda bem que não demora muito e logo as luzes voltam, fazendo o elevador voltar a subir. Suspiro aliviada.

Chegando ao terraço, saio rapidamente daquele elevador e me misturo com as pessoas, na intenção de não ver mais aquele homem pelo resto da noite.

Enquanto ando desesperada pelo local espaçoso e com muitas mesas com comidas e bebidas, garçons andavam pelo local oferecendo alguns aperitivos. O tema da festa pode ser até brega, porém a decoração e o buffet estão de parabéns.

- Luma, minha filha! – ouço minha mãe me chamar e olho ao redor até vê-la ao lado de algumas amigas dela bebendo champanhe.

- Oi, mãe. Desculpe pela demora. Peguei um pequeno trânsito – falo, me aproximando dela. – Boa noite, estão lindas.

Elogio as amigas da minha mãe, que nem em outra vida seriam bonitas, mas não podemos falar o que pensamos.

- Sua filha é muito educada, Eduarda. Ela já é casada? – diz uma senhora branca de cabelos escuros, com certeza ela passa tinta naqueles cabelos para parecer mais jovem.

- Não. Ela acabou de voltar da Rússia. Estava estudando relações internacionais – diz minha mãe. – Sendo filha de quem é, lógico que ela iria gostar das mesmas coisas do pai dela.

Minha mãe fala enquanto se gaba para as amigas. Reviro os olhos e pego uma taça de champanhe quando um garçom passa, para me distrair e retirar aquele maldito homem que não sai dos meus pensamentos.

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