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Capa do romance Rendido pelo seu olhar

Rendido pelo seu olhar

No implacável círculo da elite, Luma e Arthur enfrentam o peso de casamentos por interesse e segredos de família. Enquanto ela busca uma conexão genuína, Arthur oculta uma paixão que nutre desde a juventude. Entre rivalidades amargas e tramas sociais, o casal precisa escolher entre ceder às pressões externas ou lutar pelo que sentem. Será que a força das expectativas conseguirá destruir a chance de viverem um amor verdadeiro?
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Capítulo 3

Arthur Almeida:

Os últimos dias foram uma correria. Tive que ir a uma prova de doces e bebidas para a festa com minha noiva, o que só me gerou estresse. Nada! Absolutamente nada estava bom para ela.

Meu casamento foi totalmente arranjado pelo meu pai e seu amigo de longa data. Eles acharam que, como eram amigos, além de prefeito e vice-prefeito, os filhos deles dariam um casal perfeito e maravilhoso. Que merda de conto de fadas era esse?

Porém, é tudo de fachada para demonstrar uma família perfeita e muito bem estruturada, mas que mentira. Tudo uma grande ilusão. Primeiramente, não gosto da minha noiva, brigo com meu pai diariamente e não suporto meu sogro.

A mãe da minha noiva é uma socialite famosa na internet que já até tentou me tocar, que nojo. Aquela família é totalmente desequilibrada. Vamos às verdades. Meu sogro tem um caso com a secretária, a esposa sabe e não faz nada porque vive à custa do seu dinheiro e fama, ja que antes deles se casarem ela tinha uma fama péssima. Já a minha noiva, Rebeca, é uma filhinha do papai. Tem tudo o que quer, na hora que quer, mas ela não sabe das traições do pai; ele se faz de bom samaritano, dando presentes e viagens luxuosas, tanto para a mulher quanto para a filha. É claro que a mídia o coloca em um pedestal e o faz ser um bom exemplo de homem e pai de família. Quando vejo isso, não aguento e sempre caio na gargalhada lendo todas as matérias e reportagens em sites de fofocas ou notícias.

E vamos à minha família, que também não é digna de tamanha fama. Minha mãe é advogada que aceita subornos de bandidos e meu pai, o prefeito, que é corrupto. O casal perfeito, ironia, não?

Eu nunca fui a favor disso! Sempre me mantive longe de tudo relacionado a eles e fiz minha própria fama, uma fama limpa. Sempre tive um QI muito alto e acabei desenvolvendo diversos aplicativos, vendi alguns por uma boa grana e abri minha própria loja de eletrônicos e aplicativos.

Porém, ser filho de político sempre vem com o fardo de que as pessoas acham que irei seguir os passos do meu pai. Que engano elas cometem ao pensar isso. Odeio política; porém, está no sangue, e de um jeito ou de outro, sempre vou estar envolvido nas atrocidades que as pessoas ao meu redor fazem. Inclusive, esse casamento que eu já não aguento mais.

Brigamos o caminho todo de volta para casa. Rebeca ainda falava que não gostava do que foi escolhido e que deveríamos ir a outros lugares procurar opções melhores. Eu estava farto daquilo.

Então, eu deixei ela na casa dos pais dela e segui para meu apartamento, tomei um banho e passei o dia me preparando para a longa e terrível noite que eu teria. Só de imaginar uma festa com máscaras me causa pavor. Deveríamos nem fazer festa e dizer em nossas redes sociais que foi apenas um momento íntimo entre nós. Mas não, minha sogra fez a cabeça da Rebeca, dizendo que deveríamos fazer uma festa. Claro que minha mãe foi uma das primeiras a dizer que seria perfeito. Mas foi aí que veio o pior: a maldita ideia de ter uma festa onde todos deveriam vir mascarados. Muito brega.

Mas, fazer o quê? Aqui estou eu, olhando para meu terno sobre minha cama, com a máscara ao lado e me perguntando se eu pulasse por essa janela e quebrasse alguns ossos, seria suficiente para acabar com essa palhaçada. Mas, sabendo como todos são, é capaz de me levarem de cadeira de rodas todo quebrado para essa festa sem nenhum atendimento médico.

Suspiro, droga.

[...]

Já era noivo e eu estava no meu carro parado em frente ao local da festa. Nenhuma, nenhuma sequer parte de mim queria descer daquele carro, porém a obrigação e o dever de cumprir com minha maldita palavra me forçaram a descer.

Assim que saí do carro, andei em direção à porta de entrada, porém parei e olhei ao redor. Quem eu estava querendo enganar? Eu estava procurando uma forma de fugir daquele local.

Foi quando eu vi ela...

Uma mulher morena, de beleza estonteante, corria pela calçada sob a suave chuva, e eu não pude deixar de ser cativado. Seus cabelos, soltos e ao vento, dançavam como se tivessem vida própria, enquanto seus trajes escuros moldavam sua silhueta de uma forma que era ao mesmo tempo sedutora e envolta em mistério, graças à máscara que adornava seu rosto.

Ela atravessava a faixa de pedestres com uma graça que parecia transcender a realidade, e a luz dos carros que passavam iluminava seu caminho, transformando cada gota de chuva em um espetáculo de estrelas. Era como se o mundo ao meu redor tivesse desaparecido e aquele momento se tornasse um show privado, criado apenas para mim.

Meus olhos estavam fixos nela, completamente embriagados pela sua presença mágica, enquanto a chuva caía como um manto de encantamento que a destacava ainda mais. Era uma visão tão deslumbrante que, por um breve instante, eu me senti como parte de um sonho do qual desejava nunca acordar.

Porém, o que é bom dura pouco e ela atravessou aquela faixa de pedestres. Ela parou embaixo da marquise do prédio enquanto falava algo baixinho e tentava arrumar seu cabelo. Naquele momento percebi que era hora de ir; entrei rapidamente e já andei em direção ao elevador.

Assim que entrei e apertei o botão que dava para o terraço, olhei para meu relógio de pulso checando as horas. Eu estava um pouco atrasado, mas ninguém se importava; naquele momento, o centro das atenções seria Rebeca. Eu iria passar o restante da noite bebendo ou comendo algo enquanto ela mostrava o maldito anel que minha mãe comprou e me fez dar para ela.

Saí dos meus pensamentos quando vi uma mão na porta, fazendo-a parar e abrir novamente. Era a mulher que vi correndo pela rua. Ela nem sequer me olhou direito, entrou apertando o botão do terraço enquanto ficava de costas para mim.

Olhei para ela, de cima a baixo. Seu cheiro passou por mim quando as portas se fecharam, e fechei meus olhos sentindo aquele doce aroma. Quem é ela? E o que ela está fazendo indo em direção à minha festa de noivado?

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