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Capa do romance Renascida da Cinzas: O Fim do Pesadelo

Renascida da Cinzas: O Fim do Pesadelo

Traída por Lucas e Patrícia em uma vida de tortura e morte, uma mulher desperta no passado com a chance de mudar tudo. Ao reencontrá-los na joalheria onde seu noivado seria selado, a dor da traição é substituída pelo desejo de vingança. Em sua existência anterior, tentar salvá-lo resultou em seu fim trágico num porão úmido. Agora, ciente da crueldade oculta de Lucas, ela renasce disposta a não ser vítima, trocando o amor por um plano frio para reescrever seu destino.
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Capítulo 2

O cheiro do perfume dela me atingiu primeiro, um aroma doce e enjoativo que eu conhecia bem demais.

Era o perfume favorito de Patrícia, a amiga de infância do meu noivo, Lucas.

Eu estava parada do outro lado da rua, em frente à joalheria onde havíamos escolhido nossas alianças de casamento.

Eles estavam lá dentro, rindo.

Lucas passava o braço pela cintura de Patrícia, inclinando-se para sussurrar algo em seu ouvido, e a risada dela ecoou até mesmo através do vidro grosso da vitrine.

Meu estômago se revirou, mas não pela traição.

Não, a traição eu já esperava.

O que me atingiu foi a memória, nítida e brutal, de um futuro que eu já tinha vivido.

Nesta mesma cena, em minha vida anterior, eu atravessei a rua, entrei na loja e confrontei os dois.

Eu gritei.

Eu chorei.

Eu revelei o que eu sabia sobre a doença de Patrícia, uma doença sexualmente transmissível grave que ela escondia de todos.

Meu aviso, nascido de um desespero tolo, era para proteger Lucas.

Mas essa intervenção selou meu destino.

Naquela noite, Patrícia, humilhada e exposta, jogou seu carro contra um pilar de uma ponte.

Ela não sobreviveu.

E Lucas, o homem que eu tentei salvar, me culpou.

Ele me trancou.

Ele me torturou.

Sua dor se transformou em uma crueldade que eu jamais poderia imaginar, e cada dia que se seguiu foi um inferno.

Ele dizia que eu tinha tirado dele a única pessoa que realmente importava.

Minha morte em suas mãos foi lenta e agonizante.

A última coisa que vi foram seus olhos, frios e sem um pingo de remorso.

Mas então, eu acordei.

Acordei meses antes, no dia em que Lucas me pediu em casamento.

O renascimento me deu uma segunda chance, e com ela, um conhecimento terrível do que estava por vir.

Então, desta vez, vendo os dois na joalheria, eu não atravessei a rua.

Eu apenas observei.

Meu coração não batia de dor, mas com a pulsação fria e constante da vingança.

O choque inicial deu lugar a uma calma gelada.

A náusea que subiu pela minha garganta não era de tristeza, mas de repulsa física.

O cheiro daquele perfume parecia impregnar o ar, trazendo consigo o fedor metálico de sangue e o cheiro de mofo do porão onde passei meus últimos dias.

Eu me virei bruscamente, o som da risada deles ainda ecoando em minha mente.

Caminhei para casa, minhas pernas tremendo, não de fraqueza, mas de uma raiva contida que fazia meu corpo vibrar.

Cada passo na calçada era uma afirmação.

Desta vez, eu não seria a vítima.

Desta vez, eu seria a espectadora da ruína deles.

Quando cheguei em casa, meus pais estavam na sala de estar, assistindo a um programa de TV qualquer.

Minha mãe olhou para mim, seu sorriso se desfazendo ao ver a expressão no meu rosto.

"Sofia? O que aconteceu, minha filha? Você está pálida."

Meu pai se levantou imediatamente, a preocupação gravada em sua testa.

Mas agora eles estavam aqui, vivos e bem.

A visão deles, inteiros e seguros, quebrou a barreira de gelo que eu havia construído ao redor do meu coração.

As lágrimas que eu não derramei por Lucas, eu derramei por eles.

Corri para os braços da minha mãe e chorei, um choro convulso, liberando a dor e o terror de uma vida inteira de sofrimento que só eu me lembrava.

"Mãe... pai..." eu solucei, incapaz de formar palavras.

Eles me abraçaram, confusos, mas oferecendo o conforto que eu precisava desesperadamente.

Depois que as lágrimas pararam e eu consegui respirar de novo, eu me afastei.

Olhei para os dois, meus protetores, meus únicos aliados verdadeiros.

"Eu vou cancelar o casamento" , eu disse, minha voz firme, apesar do choro recente.

Minha mãe piscou, chocada. "O quê? Mas por quê? Vocês pareciam tão felizes."

"Lucas está me traindo" , eu disse, a frase curta e direta. "Com a Patrícia."

O choque no rosto deles era palpável. Meu pai cerrou os punhos, sua expressão escurecendo.

"Aquele desgraçado" , ele rosnou. "Eu nunca confiei nele."

Minha mãe, sempre mais gentil, colocou a mão no meu braço. "Você tem certeza, querida?"

"Absoluta" , respondi. "Eu os vi juntos. Não há dúvida."

Foi meu pai quem falou em seguida, e suas palavras me surpreenderam.

"Então é isso. Cancele tudo. Não quero aquele homem ou sua família perto de nós nunca mais."

Não houve perguntas, nem hesitação. Apenas um apoio inabalável que aqueceu meu coração gelado.

Naquele momento, olhando para meus pais, uma nova decisão se formou.

Não era suficiente apenas sobreviver.

Não era suficiente apenas deixá-los se destruírem.

Eu precisava garantir que a justiça fosse feita. Por mim e pelos meus pais, que sofreram tanto por minha causa.

"É exatamente o que eu vou fazer" , eu disse, e pela primeira vez desde que renasci, um sentimento de poder, e não de medo, começou a tomar conta de mim.

A caçada estava prestes a começar.

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