Capa do romance Rejeitado pelo Ômega: O Arrependimento do Alfa

Rejeitado pelo Ômega: O Arrependimento do Alfa

9.0 / 10.0
Helena era a noiva perfeita do Alfa Caio, até descobrir sua traição com Lia. Após ser vítima de um atentado planejado pela rival e ignorado por seu companheiro, ela decide agir. Helena rompe o noivado e corta os recursos de prata de sua família, condenando a alcateia à miséria. Diante do deboche de Caio, ela se alia ao Beta de um bando inimigo. Agora, Helena está pronta para destruir o reino daquele que a traiu, transformando seu amor em pura vingança.

Rejeitado pelo Ômega: O Arrependimento do Alfa Capítulo 1

Para o mundo, eu era a inveja de toda loba, a noiva do Alfa Caio. Mas, dentro da gaiola dourada que era a mansão da alcateia, eu era um fantasma.

Eu me moldei à perfeição por ele, usando as cores que ele gostava e sufocando minha própria voz.

Até o dia em que passei por seu escritório e o vi com Lia — a órfã que ele chamava de "irmã".

A mão dele repousava de forma íntima na coxa dela enquanto ele ria, dizendo: "Helena é apenas uma necessidade política. Você é a lua no meu céu."

Meu coração se estilhaçou, mas o golpe físico veio dias depois.

Durante um exercício de treinamento, o cabo de segurança se rompeu. Eu caí de uma altura de seis metros, quebrando minha perna.

Caída na terra, ofegante de dor, eu vi meu Companheiro Destinado correr.

Não para mim.

Ele correu para Lia, que enterrava o rosto em seu peito, fingindo pânico. Ele a confortou enquanto eu sangrava.

Mais tarde, na enfermaria, eu o ouvi sussurrar para ela: "Ela não vai morrer. Isso só vai ensiná-la quem é a verdadeira Luna."

Ele sabia. Ele sabia que ela havia sabotado a corda com prata, e estava protegendo sua tentativa de assassinato.

O último fio do meu amor se incinerou, virando cinzas.

Na manhã seguinte, entrei no Salão do Conselho, joguei um arquivo grosso sobre a mesa e encarei os Anciãos nos olhos.

"Estou rompendo o noivado", declarei friamente. "E estou retirando o suprimento de prata da minha família. Vou deixar essa Alcateia morrer de fome até que vocês implorem."

Caio riu, achando que eu estava blefando. Ele não notou o Beta letal da alcateia rival parado nas sombras atrás de mim, pronto para me ajudar a incendiar o reino de Caio até que só restassem cinzas.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena

Acordei em uma cama que valia mais do que um apartamento de luxo no Leblon. Os lençóis de seda pareciam gelo líquido contra minha pele, não oferecendo calor, apenas um frio elegante e caro.

Este quarto, banhado a ouro e coberto de veludo, não era um lar. Era uma gaiola.

Eu era a noiva do Alfa Caio, o líder mais poderoso da Alcateia da Lua de Sangue. Para o mundo exterior, eu era a inveja de toda loba. No mundo interior, eu era um fantasma.

Eu me espreguicei, meus sentidos se expandindo. O laço da Alcateia zumbia no fundo da minha mente, uma baixa frequência de consciência conectada. Mas quando tentei tocar a frequência específica de Caio, bati em uma parede de gelo.

Não havia calor. Nenhum "Bom dia, meu amor". Apenas o silêncio frio e duro de um Alfa que não se importava.

Uma batida soou. Três empregadas Ômega entraram. Elas abaixaram a cabeça, expondo o pescoço em submissão, mas o gesto era vazio. Senti o cheiro de suas emoções — azedo e cortante, como leite estragado.

Desprezo.

"O Alfa Caio solicita sua presença no café da manhã, minha Senhora", disse uma delas, com os olhos fixos no chão para evitar encontrar os meus.

"Obrigada", sussurrei.

Vesti-me com cuidado. Usei o azul que ele gostava. Pulei o perfume que ele odiava. Eu estava me moldando em uma estátua de perfeição, esperando que um dia a pedra finalmente se transformasse em carne aos olhos dele.

No momento em que pisei no corredor, o cheiro dele me atingiu.

Caio.

Seu cheiro era como uma tempestade colidindo com uma floresta de pinheiros — avassalador, elétrico, aterrorizante. Minha loba interior, geralmente adormecida, levantou a cabeça. Ela queria uivar, reivindicar, submeter-se.

Mas então, outro cheiro me atingiu. Doentiamente doce. Como baunilha que ficou tempo demais no sol.

Lia.

Ela era uma Ômega, uma órfã que a família de Caio acolheu anos atrás. Sua "irmã", diziam eles. Mas irmãs não cheiravam daquele jeito — enjoativo, pesado de excitação. E irmãos não olhavam para irmãs do jeito que Caio olhava para ela.

Atravessei o jardim, pretendendo pegar um atalho para a sala de jantar. O murmúrio baixo de dois guerreiros Beta veio de trás de uma sebe bem aparada.

"Você viu a futura Luna esta manhã? Pálida como um fantasma", um deles zombou.

"Ela é só um tapa-buraco", o outro riu. "Todo mundo sabe que Lia é a verdadeira favorita do Alfa. Se não fosse pelos Anciãos insistindo na linhagem de sangue, Caio já teria marcado Lia anos atrás. Aquela garota, Helena? Ela é só um útero ambulante para o próximo herdeiro."

Meu coração parou. Senti como um soco no peito. Minha respiração falhou, e uma dor aguda irradiou através do meu laço.

Meu! Minha loba interior rosnou, mas não foi um rosnado de posse. Foi um rosnado de dor.

Eu precisava vê-lo. Precisava provar que as vozes estavam erradas.

Segui o cheiro de Caio até seu escritório particular. A porta estava entreaberta. Eu não deveria olhar. Eu sabia que não deveria. Mas meus pés se moveram por conta própria.

Pela fresta, eu os vi.

Caio estava sentado em sua enorme cadeira de couro. Lia estava empoleirada no braço da cadeira, seus dedos embaraçados no cabelo escuro dele. Ela sussurrava algo, rindo, seu corpo pressionado contra o ombro dele.

Caio não a estava afastando. Sua mão, grande e poderosa, repousava na coxa dela. Seu polegar traçava círculos em sua pele, perigosamente perto de seu pescoço — o local onde um lobo Marca sua companheira.

"Mas Caio", Lia arrulhou, sua voz pingando falsa inocência. "Ela é a Companheira que os Anciãos escolheram. Você não pode simplesmente deixá-la. Isso arruinaria sua reputação."

Caio riu, um som baixo e sombrio que vibrou pelo assoalho.

"Companheira?", ele zombou. "A Deusa da Lua prega peças cruéis, Lia. Você é a minha escolha. Você é a lua no meu céu. Ela é apenas... uma necessidade política."

Uma piada.

Ele chamou nosso laço de piada.

O ar me faltou. Minha visão ficou turva. Minha loba interior não uivou desta vez. Ela gritou. Um som de pura, inalterada agonia que ecoou no meu crânio.

Corra, ela sussurrou. Corra, pequena. Encontre seu verdadeiro caminho.

Dei um passo para trás, a tábua do assoalho rangendo sob meu peso. Mas não fiquei para ver se eles ouviram.

Eu me virei e corri.

Corri até meus pulmões arderem e minhas pernas tremerem.

Parei na beira do território, olhando para a mansão que se erguia como um monstro contra a lua.

"Eu", sussurrei para o ar frio da noite, minha voz trêmula, mas meus olhos secos, "nunca mais vou te amar."

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