
Rejeitada pelo Filho, Escolhi o Don
Capítulo 2
Ponto de Vista de Isabella
O silêncio na catedral era pesado, pressionando meus tímpanos como águas profundas. Eu estava no palanque de mármore, meu coração martelando um ritmo frenético contra minhas costelas, mas mantive a espinha ereta. Eu havia lançado o desafio aos pés da família mais perigosa de Chicago. Agora, eu tinha que esperar para ver se eles o aceitariam ou cortariam minha garganta.
Sofia Moreno não piscou. A Matriarca da Outfit me estudou, seus olhos escuros avaliando meu valor em tempo real. Ela não via uma garota de coração partido; via um problema que precisava ser resolvido, um vazamento que precisava ser contido.
"Muito bem", disse Sofia, sua voz alcançando o fundo da nave sem a ajuda de um microfone. "A família Moreno honra suas dívidas. Se Alexander não pode cumprir seu dever, outro tomará seu lugar."
Ela se virou para os bancos, seu olhar varrendo sua família como um holofote. "Todos os homens solteiros da linhagem Moreno. Levantem-se."
Uma onda de desconforto percorreu a congregação. Por um instante, ninguém se moveu. Então, lentamente, dois jovens se levantaram da segunda fileira.
"De jeito nenhum!"
O grito veio de Francesca Moreno, uma mulher coberta com diamantes suficientes para alimentar um país pequeno. Ela se levantou, agarrando o braço de seu filho, Matteo. Ao seu lado, Lia Moreno também se levantou, protegendo seu filho, Luca.
"Você não pode estar falando sério, Sofia", sibilou Francesca, seu rosto ficando de um vermelho feio. "Meu Matteo está em treinamento para ser Capo. Você quer que ele fique com as sobras dele?" Ela gesticulou vagamente em minha direção como se eu fosse um prato de comida fria. "A garota está manchada. Humilhada."
"E de quem é a culpa?" A voz de Sofia foi como o estalo de um chicote. "Seu sobrinho arrastou nosso nome na lama. Você quer explicar aos Carlsons por que estamos quebrando o Pacto? Você quer ser a pessoa a dizer à Comissão que os Morenos não honram seus juramentos?"
Ela deu um passo em direção a elas, sua baixa estatura de repente parecendo imponente. "A menos que queira convidar uma Vendetta que nos enterrará a todos, você vai se sentar e calar a boca."
Francesca empalideceu. A ameaça de guerra era a única linguagem que essas pessoas respeitavam. Ela se afundou de volta no banco, soltando o aperto em seu filho.
Observei os dois candidatos entrarem no corredor.
Matteo Moreno tinha vinte e cinco anos, com o porte de um linebacker e um pescoço mais grosso que a minha coxa. Ele me fuzilou com o olhar, o maxilar cerrado. Eu o conhecia. Ele era primo de Alex, mas, mais importante, era o melhor amigo de Alex. Se eu me casasse com ele, estaria dormindo ao lado de um homem que se ressentiria de mim por tomar o lugar de seu amigo. Eu seria uma prisioneira em minha própria casa, provavelmente espancada por cada ofensa percebida contra seu precioso primo.
Depois, havia Luca. Ele mal tinha vinte anos, magro e tremendo um pouco em seu terno caro. Ele olhava para o chão, apavorado demais para encontrar meus olhos. Ele era um Associate, nem mesmo um Made Man ainda. Ele não tinha poder, nem coragem. Se eu me casasse com ele, os lobos desta cidade nos devorariam vivos antes que a lua de mel terminasse.
Um bruto ou um covarde. Essas eram minhas opções.
O pânico arranhou minha garganta. Eu havia apostado tudo neste momento, esperando por uma saída, mas o jogo estava armado. Se eu escolhesse qualquer um deles, estaria morta. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas eu seria uma vítima. E eu cansei de ser uma vítima.
Eu precisava de um escudo. Eu precisava de uma arma. Eu precisava de alguém tão aterrorizante que nem mesmo Alex ousaria desafiá-lo.
Meu olhar passou por Matteo e Luca, pelas fileiras de soldados me encarando, e pousou no primeiro banco.
Ele estava sentado sozinho, separado do resto de sua família por uma barreira invisível de medo e respeito. Damien Moreno. O Don Sombrio.
Ele não havia se movido durante toda a troca de palavras. Sentava-se com a imobilidade de um predador esperando na grama alta. Seu terno preto era impecável, seu cabelo escuro prateado nas têmporas, mas seu rosto era uma máscara de indiferença fria e dura. Ele era um homem que havia enterrado uma esposa e criado um monstro como filho. Ele era o homem mais poderoso da cidade, um homem cujo nome era sussurrado como uma maldição.
Ele estava olhando para o altar, entediado, como se toda essa farsa estivesse abaixo dele.
Um pensamento louco e suicida criou raízes em minha mente. Floresceu instantaneamente em um plano.
O Pacto exigia um Moreno. Não dizia que tinha que ser um rapaz.
Respirei fundo, enchendo meus pulmões com o cheiro de incenso e medo. Olhei para Sofia, depois para os dois rapazes parados sem jeito no corredor.
"Não", eu disse.
Sofia franziu a testa. "Isabella, estas são suas escolhas. Não teste minha paciência."
"Você disse qualquer homem Moreno solteiro", corrigi-a, minha voz ganhando força. "Eu rejeito estes dois."
"Você não está em posição de ser exigente", zombou Francesca de seu assento.
"Eu sou a noiva", retruquei, sem olhar para ela. "E estou escolhendo o único homem nesta sala que pode restaurar a honra que sua família perdeu hoje."
Levantei minha mão. Meu dedo não apontou para Matteo. Não apontou para Luca.
Apontou diretamente para o homem na primeira fileira.
Damien Moreno virou a cabeça lentamente. Seus olhos, escuros como obsidiana, se cravaram nos meus. O ar na catedral desapareceu. A temperatura pareceu cair dez graus.
"Eu o escolho", eu disse, minha voz ressoando com uma finalidade que selou meu destino. "Eu escolho o Don."
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