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Capa do romance Rei dos Mares

Rei dos Mares

No século XVIII, Eveline Montgomery, herdeira de um lorde, vê sua vida mudar após um ataque pirata que destrói sua embarcação. Única sobrevivente da tragédia, ela é resgatada por Cassian, o líder dos bucaneiros. Agora, enquanto tenta desesperadamente encontrar um caminho de volta para seu lar, a jovem se vê mergulhada em uma jornada perigosa, cercada por segredos sombrios e conflitos intensos no coração do oceano, onde nada é o que parece ser.
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Capítulo 2

aquela manhã nublada de Londres do século XVIII, Eveline finalizava os preparativos. As servas habilmente ajustaram o espartilho de seu vestido rendado, enquanto seu cabelo era penteado em um elegante empoados, decorado com fitas. Um pequeno chapéu adornado repousava graciosamente de lado em sua cabeça. Eveline era o retrato da elegância da época.

Ao se observar no espelho, ela acariciou seu colar com um suspiro. Descendo as escadas, suas saias de cetim roçavam suavemente nos degraus de carvalho. Seu pai, Lorde Montgomery, estava na sala de estar, entretido em uma conversa com um distinto cavalheiro. Curiosa, Eveline se aproximou.

— Quem era?

Lorde Montgomery sorriu, acomodando o chapéu de tricórnio sob o braço enquanto se despedia do visitante.

— Apenas um amigo, minha querida. – respondeu o Lorde, ajustando a peruca.

— Vamos, não quero me atrasar. – Ele se aproximou da porta e a segurou, dando passagem a Eveline.

Eveline saiu de casa e caminhou até a carruagem, onde um cocheiro elegantemente vestido a aguardava. Lorde Montgomery estendeu sua mão para ajudá-la a entrar na carruagem.

— Obrigada. – ela sorriu graciosamente.

No trajeto, Eveline observava pela janela da carruagem. As ruas de Londres fervilhavam com carruagens, pedestres e mercadores oferecendo suas mercadorias. O som dos cascos dos cavalos nas pedras das ruas ecoava enquanto a cidade pulsava com seu ritmo frenético.

Lorde Montgomery admirava sua filha, abrindo um sorriso gentil.

— Espero que goste do seu presente de aniversário, como sua mãe gostaria.

Eveline voltou sua atenção ao seu pai e sorriu.

— Eu vou amar, tenha certeza disso.

A carruagem parou lentamente perto do porto, e Lorde Montgomery desceu, estendendo a mão para Eveline, que observava o local com curiosidade.

— Por que estamos aqui? – perguntou ela, surpresa.

— Essa é minha surpresa para você. Quero levá-la para um passeio de navio. O que acha? – indagou Lorde Montgomery com um sorriso.

— Eu amei. É o melhor presente que você já me deu. – Eveline respondeu com entusiasmo.

Nesse momento, o Comodoro Alexander se aproximou, cumprimentando Lorde e Eveline com cordialidade.

— O navio já está pronto para zarpar, Senhorita Eveline. Espero que goste do passeio. – Disse o Comodoro.

— Com certeza vou amar o passeio, Comodoro. – Eveline respondeu, olhando para o navio com entusiasmo.

Enquanto todos se dirigiam ao navio, o mensageiro do governador se aproximou rapidamente de Lorde Montgomery. Frederick cochichou algo em seu ouvido, chamando sua atenção. Eveline e o Comodoro observaram a conversa, percebendo a expressão triste no rosto do Lorde.

— Me desculpe, minha querida, não poderei ir ao passeio com você. Tenho algo urgente para resolver. – Lorde Montgomery explicou, com pesar em sua voz.

Eveline manteve um sorriso, demonstrando compreensão:

— Está tudo bem. Poderei ir sozinha. Quando voltar, poderemos fazer algo juntos, o que acha?

— Eu amei sua ideia. - respondeu o Lorde, aliviado.

Antes de partir, Lorde Montgomery se aproximou do Comodoro e falou com seriedade:

— Cuide da minha filha. Se algo acontecer com ela, você será um homem morto.

O Comodoro assegurou:

— Fique tranquilo, Lorde Montgomery. Cuidarei muito bem de sua filha e a trarei de volta em segurança.

Com isso, Lorde Montgomery partiu rapidamente com o mensageiro. O Comodoro abriu passagem para Eveline, e ela começou a andar em direção ao navio.

— Me desculpe por isso. Meu pai é um pouco exagerado. – Eveline comentou, enquanto caminhavam juntos em direção ao navio.

— Compreendo ele. Uma linda jovem como você precisa de todos os cuidados necessários. – O Comodoro respondeu com gentileza.

Ao embarcar no navio, Eveline não podia estar mais ansiosa. Este era seu primeiro passeio de navio, uma oportunidade única de ver o mar de perto. Ela se aproximou do guarda-corpo de madeira, suas mãos delicadas apoiadas na madeira envelhecida. O convés estava agitado, com marinheiros ocupados realizando tarefas, e o som das cordas rangendo acompanhava a brisa marinha.

O navio começou a se afastar lentamente do cais, e uma brisa suave acariciou o rosto de Eveline. Ela fechou os olhos por um momento, absorvendo o cheiro salgado e o som das ondas batendo no casco.

Comodoro se aproximou de Eveline com uma taça de champanhe gelado. Seu uniforme impecável contrastava com a atmosfera despojada do convés.

— Isso é para você.

— Obrigada, Comodoro.

Eveline pegou a taça de cristal, observando as bolhas efervescentes dançando no champanhe. Ela ergueu a taça em um brinde, sorrindo para o Comodoro.

— Por favor, me chame de Alexander. Somos amigos, não precisamos de tanta formalidade.

— Está bem, Alexander. A quem brindaremos?

— A você, que se transformou em uma bela mulher, Eveline.

Envergonhada, Eveline tocou a taça no vidro, fazendo um som suave de cristal. Ela deu um gole no champanhe e voltou o olhar para o mar, seus olhos fixos no horizonte infinito.

— É tão lindo e, ao mesmo tempo, tão assustador. – Ela sussurrou, perdendo-se na vastidão azul do oceano.

— Aproveite o passeio. Se precisar de mim, é só me chamar.

— Obrigada.

Eveline viu o Comodoro se afastar e se voltou para contemplar o horizonte. O sol estava alto no céu. Suas luzes brilhantes refletiam nas águas tranquilas do oceano, criando um cenário deslumbrante.

Ela continuou a observar o mar, sentindo a brisa suave brincando com seu cabelo. A emoção de sua primeira viagem de navio misturou-se com uma sensação de admiração pela beleza e imensidão do oceano.

Conforme o navio navegava para longe do porto, o barulho da cidade se desvanecia, substituído pelo som tranquilizador das ondas quebrando contra o casco de madeira.

Tempo depois, Eveline avistou um navio ao longe, se aproximando rapidamente. Intrigada, ela chamou o Comodoro para ver. À medida que o navio se aproximava, o Comodoro pegou o telescópio e observou com atenção.

— Quem são? — perguntou Eveline, com a curiosidade pintada em seu rosto.

O Comodoro fechou o telescópio e parecia preocupado.

— Piratas, malditos piratas. Precisamos sair daqui.

Eveline olhou para o navio que se aproximava no horizonte, sentindo o coração acelerar.

O Comodoro deu ordens à tripulação para que voltassem imediatamente. O vento encheu as velas do navio, impulsionando-o de volta em direção ao porto enquanto o navio de piratas se aproximava perigosamente.

O navio parecia se mover lentamente, as velas cheias de vento não conseguiam impulsioná-lo com a mesma velocidade que o navio pirata. A distância entre os dois navios diminuía, e a tensão a bordo crescia.

A tripulação estava em ação, pegando os canhões e preparando-se para o que estava por vir. O metal frio dos canhões brilhava sob a luz do sol.

Eveline observou a cena com olhos arregalados, sentindo o coração acelerar enquanto o confronto com os piratas se aproximava perigosamente.

Comodoro se aproximou de Eveline e segurou em seu braço.

— Venha comigo.

Eveline olhou para o Comodoro com olhos cheios de apreensão.

— Para onde vamos? – perguntou, preocupada com a situação.

Eles subiram alguns degraus e o Comodoro abriu a porta da cabine.

— Fique aqui até tudo isso terminar. – O Comodoro disse, tentando acalmá-la. — Você está segura aqui, prometo que a protegerei.

— Você está me assustando. – Eveline admitiu, sua voz trêmula.

O som dos gritos dos piratas se aproximando ficava mais alto a cada segundo, criando um clima de tensão e perigo.

— Não se preocupe, voltaremos para casa em breve, como prometi ao seu pai. – O Comodoro tentou tranquilizá-la. — Por favor, esconda-se e fique em silêncio. Não saia de jeito nenhum.

Eveline se encolhia em um canto da cabine, segurando a respiração enquanto os gritos dos piratas ecoavam pelo convés do navio. O Comodoro fechou a porta da cabine, deixando-a sozinha com seus pensamentos e temores, enquanto ele se preparava para enfrentar os invasores. Os sons da batalha se intensificaram, ecoando pelo convés do navio. O retumbar dos canhões disparando sem parar e o tinir das espadas se misturavam em um caos ensurdecedor. Eveline encolheu-se na cabine, seus olhos cheios de medo, enquanto os ruídos da luta invadiam o espaço confinado.

No convés, o Comodoro Alexander liderava sua tripulação com coragem, enfrentando os piratas que invadiram o navio. A luta era feroz, e o Comodoro estava determinado a proteger Eveline a todo custo. A luta havia cessado, e o navio estava afundando rapidamente. Os piratas, tão agressivos momentos antes, correram de volta para sua embarcação, deixando apenas o som sinistro das águas engolindo o navio.

Eveline emergiu da cabine às pressas e percebeu que estava sozinha no convés. O desespero a dominou quando correu em direção ao bote salva-vidas mais próximo, mas este estava emperrado. Ela socou o bote com força, sentindo a dor nas mãos, enquanto o navio virava, sua estrutura rangendo com agonia. Seu coração batia acelerado, lágrimas se misturavam ao vento, e ela sabia que o tempo estava se esgotando.

Com um último esforço, ela se desfez do pesado vestido e, com um salto, lançou-se nas águas turbulentas. O impacto da água fria a deixou momentaneamente sem fôlego. Através das lágrimas, seus olhos testemunharam o navio afundando, submergindo nas profundezas escuras do oceano. Com todas as suas forças, ela lutou para retornar à superfície e, ao fazê-lo, agarrou-se a um pedaço de madeira que flutuava. À deriva na superfície, Eveline sentiu o vento cortar seu rosto e o som distante das ondas a embalar. Seus olhos turvos olharam para o horizonte, e, sem forças restantes, ela finalmente fechou os olhos e desmaiou.

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