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Capa do romance Rei dos Mares

Rei dos Mares

No século XVIII, Eveline Montgomery, herdeira de um lorde, vê sua vida mudar após um ataque pirata que destrói sua embarcação. Única sobrevivente da tragédia, ela é resgatada por Cassian, o líder dos bucaneiros. Agora, enquanto tenta desesperadamente encontrar um caminho de volta para seu lar, a jovem se vê mergulhada em uma jornada perigosa, cercada por segredos sombrios e conflitos intensos no coração do oceano, onde nada é o que parece ser.
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Capítulo 3

Depois que a besta foi derrotada pelo Capitão Vane, os membros da tripulação do navio "Fúria do Mar" celebravam sem parar. O som alegre de músicos que tocavam gaitas de fole e acordeões preenchia o ar, enquanto os marujos dançavam animadamente no convés, erguendo canecas de rum para brindar ao Capitão Vane e à sua vitória. Os risos e brindes haviam silenciado à medida que o Capitão Cassian retornava à sua cabine com sua caneca de rum em mãos. Dangger, um dos tripulantes, levantou uma sobrancelha e quebrou o silêncio.

— Poderíamos comemorar um pouco mais, já que não teremos mais medo de navegar por essas águas. – sugeriu Dangger, com um sorriso travesso.

Crow's, outro membro da tripulação, assentiu com entusiasmo.

— Concordo com Dangger. Vamos manter o bom humor do Capitão.

— Podemos comemorar ainda mais quando chegarmos ao porto da Serpente. – sugeriu Crow's, enquanto os demais tripulantes concordavam com entusiasmo.

Enquanto a tripulação continuava sua celebração, alguns marujos começaram a limpar o convés e arrumar as velas do navio. Horas depois, à medida que o sol começava a se pôr no horizonte, o céu se transformava em um espetáculo alaranjado e dourado. As nuvens refletiam as cores quentes, enquanto o navio "Fúria do Mar" navegava com graciosidade pelas águas calmas.

Silent, o vigia, avistou algo à bombordo e emitiu um grito estridente para alertar os marujos. Em um frenesi de ação, os marujos correram em direção ao local onde Silent apontava, ansiosos para descobrir a fonte do alarme. Dangger, o membro experiente da tripulação, logo percebeu que se tratava de destroços do navio inglês. Com seu olhar treinado, Dangger compreendeu a situação. Ele ergueu a voz e deu ordens decisivas:

— Abaixem os botes! Imediatamente!

Os marujos seguiram suas ordens com rapidez e eficiência. Enquanto os botes eram preparados para a descida, a tripulação mantinha um olhar atento sobre os destroços. Ao retornarem para o navio, os marujos colocaram com cuidado a moça no convés, sua pele gelada pelas águas gélidas. Todos os olhos da tripulação estavam fixos nela.

O silêncio imperava até que o Capitão Cassian saiu de sua cabine, seu semblante sério e voz firme quebrando a quietude.

— Por que paramos? – ele gritou, questionando a decisão.

— Capitão, Dangger deu ordens para pararmos. – Rusty respondeu, mantendo o respeito.

Cassian desceu os degraus, sua perna de pau ressoando no convés, mas ele não proferiu uma palavra. O silêncio continuou, a tensão crescendo no ar.

— Ele deu ordens? Eu sou o Capitão aqui, não é, Dangger?

A voz de Cassian tremia enquanto ele falava, e Dangger concordou rapidamente.

— Sim, Capitão, você é o Capitão.

Cassian continuou: — Ótimo, então por que você deu ordens para pararmos?

Ele apontou sua adaga diretamente para o peito de Dangger, pressionando a questão.

— Destroços do navio inglês, Capitão. Parece que foi atacado por piratas.

Cassian retirou a adaga, mas manteve seu olhar sério.

— E isso é motivo para parar nosso navio?

Dangger explicou: — Capitão, há uma mulher a bordo. Resgatei-a.

Cassian se aproximou da jovem que ainda estava desmaiada, seus olhos analisando a desconhecida.

— Joguem-na no mar, mulheres a bordo trazem azar.

Scurvy, um dos marujos, comentou brincando: — Faz tempo que não vemos uma mulher tão perto, especialmente uma inglesa.

Risadas ecoaram pelo convés, mas a expressão de Cassian permaneceu séria.

Dangger se aproximou dele e cochichou:

— Pense bem, pela aparência dela, deve ser de uma família rica. Podemos ficar com ela e, depois, fazer um acordo. Tenho certeza de que o pai dela aceitará qualquer quantia.

Cassian, mantendo sua autoridade, respondeu:

— Silêncio! Levem-na para minha cabine. E se alguém decidir por mim novamente, jogarei os pedaços de seus corpos no mar.

Lorde Montgomery permanecia imóvel no porto, seus olhos fixos no horizonte, ansiando pela chegada de sua filha. O tempo parecia se arrastar, e a preocupação o dominava à medida que os minutos se transformavam em horas. Ele estava inquieto, incapaz de conter a crescente apreensão à medida que o navio demorava a aparecer no horizonte vasto.

Ao seu lado, seu criado e amigo de confiança, James, também demonstrava preocupação, lançando olhares frequentes para o mar agitado.

Sua voz era calma e repleta de apoio enquanto tentava persuadir seu mestre a sair dali.

— Meu Senhor, temos que ir, está ficando tarde.

No entanto, Lorde Montgomery estava irredutível, determinado a cumprir sua promessa.

— Não sairei daqui, James. Já era para ela ter voltado. Eu não deveria tê-la deixado ir sozinha.

James entendia a aflição de seu mestre, mas ele permanecia firme em seu papel de apoio.

— Senhor, eu garanto que eles chegarão em breve. A Senhorita Eveline deve estar adorando o passeio.

A chuva começou como uma fina garoa, quase imperceptível. Pequenas gotas caiam, criando uma névoa úmida no ar. Logo, no entanto, a garoa se transformou em uma chuva mais pesada. As gotas caíam com mais intensidade, formando um véu prateado sobre o mar e o horizonte.

À medida que a chuva se intensificava, o vento soprava com mais força, agitando as ondas e fazendo com que as águas ficassem inquietas. O som da chuva batendo nas águas do mar criava uma melodia suave, misturando-se com o rugido das ondas.

O céu, que antes estava nublado, ficou ainda mais escuro à medida que as nuvens se acumulavam, obscurecendo o horizonte. O mar agitado refletia a escuridão do céu, criando um cenário tempestuoso.

— Temos que ir agora. Tenho certeza de que o comodoro a levará de volta para casa com segurança — repetiu James, olhando para o mar agitado e a chuva que não dava sinais de parar.

Concordando, Lorde Montgomery se afastou do local onde estava esperando. Com a chuva escorrendo por seu rosto, ele e James partiram em direção à carruagem, decididos a fazer todo o possível para garantir o retorno seguro de sua filha.

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