Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Refém de um traficante

Refém de um traficante

Vítima de abusos e desprezada pela mãe, Helena vive o pesadelo de morar com seu agressor. Marcada por traumas profundos, ela vê sua rotina de dor mudar ao cruzar o caminho de um perigoso e gélido criminoso. Enquanto ela luta para sobreviver, surge uma conexão inesperada com esse homem temido e misterioso. Em um cenário de violência e segredos, Helena descobre que, em meio ao caos e ao proibido, o amor pode ser tão inevitável quanto perigoso.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

CORINGA

A melodia suave ecoava ao fundo, como se saísse de um rádio antigo esquecido no tempo. Eu sabia o que estava por vir. Aquele cenário já era familiar demais. Campo aberto, mato alto balançando com o vento, céu cinzento.

E então... ela apareceu.

Babi.

A minha Babi. Como num filme que eu não consigo parar de assistir, lá vinha ela, com aquele vestido de cetim que grudava no corpo, marcando cada curva que um dia já foi minha. O cabelo preso de um jeito simples, a pele macia que eu sabia o cheiro de cor.

ㅡ Oi, amor... - ela sorriu e me deu um beijo demorado. Os lábios ainda tinham gosto de saudade. - Eu tava te esperando. Por que demorou tanto dessa vez?

Antes que eu respondesse, ela começou a se afastar. Cada passo dela parecia mais longe que o anterior. Corri atrás, chamei, gritei o nome dela, mas minha voz não saía.

ㅡ Babi! Espera! Porra... não faz isso comigo!

O mato engolia meus passos. Me perdi por segundos... até sentir aquelas mãos.

Duas mãos me envolveram por trás. As unhas cravaram no meu abdômen e eu gelei. Era ela.

ㅡ Você sentiu saudade de mim, amor? - sussurrou no meu ouvido, sua respiração quente no meu pescoço. Eu podia sentir os seios dela pressionados contra minhas costas. - Porque eu estava louca por você...

Ela se virou, os olhos brilhando, aquele cheiro de rosas suaves que sempre me deixava tonto. Levou os dedos até minha boca e traçou meu lábio inferior devagar.

Senti falta das suas mãos em mim... do seu corpo... - guiou minhas mãos até sua cintura e colou nossos corpos. Me beijou fundo, com pressa, com fome.

ㅡ Diz que sentiu minha falta, Luan... diz... - sussurrou com a boca no meu pescoço. - Me beija.

E eu beijei. Beijei como se ela fosse sumir de novo.

Mas ela parou. Segurou minha mão.

ㅡ Vem comigo!

Ela saiu correndo e eu fui atrás. Paramos diante de um rio turvo. Ela se virou.

ㅡ Por que você fez isso comigo, Luan?

Olhei pra baixo. A blusa dela estava vermelha. Sangue escorria pelas mãos, manchava o vestido.

ㅡ Eu te amava... por que não acreditou em mim?

Ela caiu no chão. Me ajoelhei, tentei segurar, estancar o sangue, mas não adiantava.

ㅡ Me desculpa! Por favor, não me deixa! Eu não queria... eu tava com raiva, eu errei! Mas eu te amei. Ainda amo... porra, ainda amo!

Ela sorriu fraco, os olhos ficando pesados.

ㅡ Eu te amo, Luan... mas não posso ficar.

E então... silêncio.

A mão dela escorregou da minha. Os olhos fecharam.

ㅡ NÃO! - gritei.

Abracei o corpo dela, a cabeça encostada no peito. Sem batida. Sem som. Só desespero.

E tudo escureceu.

Acordei num pulo, suado, tremendo. O quarto abafado, o ventilador girando devagar. Levei a mão ao rosto. Ofegante.

ㅡ Puta que pariu... - sussurrei. ㅡ Foi só um pesadelo... foi só um sonho...

Mas não era. Era um lembrete. Toda noite ela vem. Toda noite ela morre de novo nos meus braços.

Me levantei e fui até a janela. Lá embaixo, o morro acordava devagar. E então eu vi.

Ela.

A garota da camisa da estadual.

Sempre no mesmo horário. Sempre com os livros apertados no peito. Sempre com aquele rosto de boneca. E por um segundo... por um mísero segundo... eu vi a Babi ali de novo.

E isso... me destruiu.

Ou me deixou mais vivo do que nunca.

Sentei no beiral do barraco, cigarro entre os dedos, vendo a fumaça se dissolver no ar seco da manhã. O Petra falava merda do meu lado, como sempre, mas eu não escutava porra nenhuma. Minha atenção estava lá... nela.

Todo dia, no mesmo horário, a santinha desce o morro com os livros agarrados no peito, como se isso fosse escudo contra o mundo. A porra da menina parece flutuar, leve demais pra esse lugar fodido.

Hoje, eu vi ela passar de novo. Cabelão solto, blusa folgada, mas não adianta esconder. A pureza dela grita. E essa porra mexe comigo.

"Babi..."

Meu peito aperta. É inevitável. A imagem da Helena se mistura com a da minha Babi, como um delírio constante. E isso me deixa cego. Eu nem percebi que levantei, mas quando vi, já tava andando atrás dela.

Narrativa interna

"Só quero ver onde essa garota mora. Só isso. Nada demais. Só pra saber..."

Desci uns becos, disfarçado, pisando leve. Ela não viu. Nunca vê. Mas eu vejo tudo. Sei até o horário que ela passa na padaria. Vi ela comprar bala uma vez. Uma porra de bala. E ainda teve a coragem de sorrir pra atendente. Aquele sorriso... igualzinho o da Babi.

Ela virou na esquina e sumiu da minha vista. Parei. Coração acelerado, palma da mão suando.

Narrativa interna

"Que merda é essa, Luan? Que porra você tá fazendo?"

Voltei pro ponto. Petra me olhou de canto de olho, desconfiado.

ㅡ Foi seguir a baranga, foi? ㅡ ele riu.

Fiquei quieto. Peguei a arma que tava em cima da bancada da boca, limpei devagar, fingindo não ouvir.

Mas eu ouvi. E fiquei puto.

Porque nem eu sei explicar o que é isso. Eu não gosto de ninguém. Eu uso. Eu mando. Eu fodo. Mas com ela... eu só observo. Só imagino. Só fico ali, tentando entender o que essa menina tem que me deixa assim.

Naquela noite, não consegui dormir. Fiquei encarando o teto, com o ventilador quebrado fazendo aquele barulho irritante. E aí ela veio. Não a Helena. A Babi.

Veio no meu sonho de novo. Dessa vez, ela gritava. Pedia ajuda. E eu não conseguia me mexer. Acordei gritando, suado, coração disparado. Levantei e enfiei o punho na parede.

Narrativa interna

"Eu matei ela. Eu deixei ela morrer. E agora tô vendo o rosto dela numa menina que nem sabe que eu existo. Que porra tá acontecendo comigo?"

Joguei água no rosto, respirei fundo e encarei meu reflexo.

ㅡ Não é amor. É só saudade... - murmurei, mas nem eu acreditava.

No fundo, eu sabia. Helena era um problema. Um vício novo. E quanto mais eu tentasse evitar... mais eu ia querer. E quando eu quero, eu pego.

Nem que seja à força.

Você pode gostar

Capa do romance A Esposa Que Ele Deixou Morrer Afogada
9.5
Alessandra sempre foi o escudo de Cristiano, chegando a levar um tiro por ele. No entanto, sua lealdade é paga com desprezo quando ele escolhe salvar Giselle de um iate prestes a explodir, abandonando a esposa à própria sorte. Após perder um filho em segredo e anos de sacrifícios silenciados, ela recebe a ordem de desarmar a bomba. Exausta de ser descartável, Alessandra decide não obedecer. Ela forja sua morte no mar para finalmente se libertar e recomeçar sua vida.
Capa do romance A Primeira Estrela - Guardiões do Mundo
9.6
Após séculos de caos e epidemias que dizimaram a humanidade, a civilização tenta se reerguer sob o comando de aristocratas. Contudo, a suposta estabilidade esconde segredos sombrios sobre a origem da destruição. Enquanto a ganância dos homens ameaça apagar os novos marcados pelos deuses, o mundo agoniza lentamente. Em meio a conspirações e lutas por poder, a sobrevivência depende da união e dos escolhidos que detêm o poder de salvar a terra da ruína total.
Capa do romance Aliança com o Mafioso
8.5
Após testemunhar o assassinato brutal de seus pais, uma jovem mergulha em um rastro de sangue e dor para proteger sua irmã. Consumida pelo desejo de vingança contra um inimigo cruel, ela aceita uma proposta drástica: casar-se com Alexei Corleone, o filho do homem que destruiu sua vida. Em meio ao ódio histórico entre as famílias, essa aliança perigosa é sua única chance de obter justiça e garantir a segurança do que restou de seu mundo.
Capa do romance Casados por vingança
9.5
Betina é uma jovem gentil que sonha em encontrar um amor sincero. Seu caminho cruza com o de Vinícius, um homem austero focado em vingar a morte de sua mãe. O encontro ocorre à beira de um riacho, mas o interesse dele se torna sombrio ao descobrir a identidade do pai da moça. Ele decide usá-la como peça em seu plano de revanche, mas a convivência forçada coloca o ódio em xeque. Será que o desejo de retaliação pode ser superado por um sentimento real?
Capa do romance Guto o dono do complexo da maré ( Vol 2 )
8.1
Após nove anos de cárcere, Guto finalmente conquista a liberdade e planeja abandonar sua vida pregressa para recomeçar do zero. No entanto, seus planos de mudança são interrompidos ao retornar à favela. Diante de uma descoberta chocante que desperta sentimentos intensos de fúria e angústia, ele desiste de sua transformação. Consumido pelo que encontrou, Guto decide ignorar o futuro e se isolar completamente do mundo ao seu redor.
Capa do romance Laura: Destino Reescríto
8.6
Laura, uma estudante brilhante, desperta no dia que arruinou sua vida anterior. Traída por sua mentora, Beatriz, ela foi falsamente acusada de fraude e explorada até a morte na prisão. Agora, diante da chance de recomeçar, Laura desafia a tradição acadêmica e rejeita Beatriz publicamente. Ao escolher a rigorosa Dra. Sofia por sorteio, ela inicia sua vingança. O colapso de Beatriz é apenas o começo da redenção de Laura, que lutará para proteger seu futuro.