
Querido Ex-Marido, Voltei Para Me Vingar
Capítulo 2
Ponto de vista do narrador
Damien Blackthorne permaneceu imóvel.
Por um longo segundo, seu próprio corpo o traiu: a garganta apertada, as mãos dormentes. Ele continuou parado naquele palco, enquanto os flashes das câmeras explodiam como pequenos sóis, os convidados sussurravam em meio ao silêncio sufocante, e no centro de tudo estava a mulher que um dia havia sido o centro do seu mundo.
Evelyn.
Cinco anos. Cinco anos desde que ela desapareceu sem deixar uma única explicação. E agora estava ali diante dele, viva, respirando, segurando um contrato de casamento com o mesmo sorriso afiado que ele um dia confundira com amor.
"Querido," ela disse, deixando sua voz deslizar pela multidão atônita, "ouvi dizer que você é um homem que valoriza o tempo. Vai mesmo fazer uma mulher linda como eu esperar e arriscar sua reputação perfeita?"
O vestido vermelho caía ao redor dela como chamas vivas. Cada passo que dava parecia, para Damien, uma lâmina sendo lentamente cravada em seu peito.
"Então," ela inclinou a cabeça num movimento casual e mortal, "o que me diz, Damien Blackthorne? Tem coragem de assinar o documento?"
Ele não respondeu. Não imediatamente.
Colt, seu braço direito, permanecia ao seu lado, rígido, com a expressão impossível de decifrar. A mão de Damien teve um pequeno espasmo involuntário.
"Passe-me a caneta," disse por fim, com a voz baixa e fria.
Colt hesitou antes de obedecer.
Damien abriu a pasta e passou os olhos pelas páginas. No fundo, sabia que aquilo não era um simples contrato. Era uma armadilha disfarçada em tinta e papel. Ainda assim, recusava-se a lhe dar o luxo de hesitar em público.
Ele assinou.
Uma onda atravessou o salão. Celulares se ergueram como bandeiras. Flashes atingiram o mármore em rajadas violentas. Em algum lugar, a taça de uma mulher caiu no chão, quebrando-se em sons agudos.
Evelyn se aproximou um pouco mais, um pequeno sorriso curvando o canto dos lábios. A satisfação tinha gosto de vitória.
"Você acabou de assinar uma guerra, Damien. Observe enquanto eu destruo você, pedaço por pedaço."
Ela girou nos calcanhares, desceu do palco como alguém que acabara de reivindicar um trono e lançou as próximas palavras por cima do ombro.
"Mande seus homens buscarem minhas malas. Vou morar na casa dele."
Então desapareceu no meio da multidão.
Damien permaneceu onde estava, encarando o risco da tinta no papel. Seu peito parecia comprimido. Seu rosto, porém, não demonstrava nada. O passado havia retornado com intenção. Não voltara para reconciliação. Voltara para acertar contas antigas.
Sua secretária surgiu correndo, pálida e eficiente.
"Senhor, devo prosseguir com a festa?"
Ele nem sequer olhou para ela.
"Cancele tudo. Não estou com humor para isso."
Ela saiu apressada, os saltos ecoando como pequenos alarmes.
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Damien atravessou a mansão como se a própria casa o tivesse traído. Arrancou o smoking do corpo, jogando-o para longe, e caminhou pelos corredores que guardavam memórias dele.
"Colt!" rugiu.
Colt o seguiu de perto, preocupação marcada profundamente em seu rosto.
"Seus remédios," disse Colt, colocando a mão no bolso interno do paletó.
Damien arrancou o pequeno estojo de sua mão e engoliu os comprimidos com força. O gosto amargo era insignificante comparado à pressão latejante dentro de sua cabeça. A expressão triunfante de Evelyn ainda queimava diante dos seus olhos.
"Mande Blake segui-la. Discretamente. Quero olhos nela até que se mude para cá."
Colt hesitou.
"Chefe, se Blake seguir Evelyn, ficaremos expostos. Você sabe dos riscos..."
"Faça isso," Damien o interrompeu. "Ela é mais importante. E mande meus homens buscarem a bagagem dela."
Colt estava quase saindo quando o telefone vibrou. Ele olhou a tela. Seu rosto endureceu imediatamente. Atendeu, encerrou a chamada e voltou-se para Damien como se o chão tivesse inclinado.
"Fale," Damien ordenou. "Hoje já teve surpresas suficientes."
"Nosso contrato foi rejeitado," Colt informou.
O maxilar de Damien travou.
"Por quê?"
"Nenhuma razão foi dada. O conselho escolheu outro concorrente. Uma empresa chamada Avielle & Co. Estão ativos há apenas dois meses, mas já conseguiram três contratos de médio porte."
Damien franziu a testa.
"Avielle & Co?"
Colt assentiu.
"Sim. Ninguém esperava que nos ultrapassassem."
"Quem é o dono?"
"Não existe rosto público. Apenas um representante legal cuidando da imprensa e da papelada. A documentação registra um homem como proprietário, mas ninguém o viu."
Um sorriso estreito surgiu nos lábios de Damien.
"Ele, é?"
"Chefe... acha que é ele?" Colt perguntou cuidadosamente.
"Talvez. Continue monitorando essa empresa. Quero olhos nele. Se ele quer entrar no meu território, é melhor estar preparado para sangrar."
"Entendido."
"Agora vá. Quero dormir."
"Sim, senhor. Boa noite."
Colt saiu.
Damien ficou parado diante da janela por alguns segundos, observando a cidade. A noite era um emaranhado de luzes indiferentes. Seu passado havia retornado não como um sussurro, mas como uma exigência. E acabara de arrancar um contrato de suas mãos.
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Em um restaurante silencioso, escondido do caos da cidade, Evelyn estava sentada diante de sua melhor amiga, Sophie. A mesa era reservada, o tipo de lugar feito para guardar segredos. Uma taça de vinho tinto tremia suavemente entre seus dedos enquanto ela a girava com calma calculada.
"Eu não esperava que ele assinasse," Sophie admitiu antes de beber um gole.
Os lábios de Evelyn se curvaram num leve sorriso enquanto observava a luz refletir na borda da taça.
"Eu conheço Damien," disse suavemente. "Ele sabe fingir. Máscaras são o negócio dele. Sempre foi excelente em interpretar papéis."
Quando olhou para Sophie, seus olhos carregavam cicatrizes antigas.
"Você se lembra do que ele fez? Cinco anos atrás, quando eu acreditava que ele me amava... ele me destruiu completamente. Eu não consigo perdoar isso."
Sophie estendeu a mão e cobriu a dela.
"Você sobreviveu, Evie. Olhe para você agora. Mas vai mesmo morar com ele? Como viver sob o mesmo teto vai ajudá-la a derrubá-lo?"
Evelyn pousou a taça sobre a mesa com um único som firme e recostou-se na cadeira.
"Sim. Vou me mudar para lá. Existem batalhas que você não consegue vencer do lado de fora das muralhas. Você precisa entrar na fortaleza para explodir suas fundações."
Um sorriso perigoso surgiu lentamente em seus lábios.
"Vou destruí-lo de dentro para fora."
Sophie piscou, depois riu em descrença antes de abrir um sorriso admirado.
"Você está falando sério."
"Muito sério," Evelyn respondeu. "E obrigada por permanecer ao meu lado."
Sophie fez um gesto despreocupado com a mão.
"Sempre. Então, qual é o plano?"
O sorriso de Evelyn se aprofundou. Ela pegou o celular e tocou na tela.
"Você verá uma nova versão de mim. Uma que ele nunca esperou."
"Claro que sim," Sophie respondeu, metade brincando, metade impressionada.
Evelyn discou um número. O telefone mal tocou uma vez antes de uma voz firme atender.
"Está pronto?" ela perguntou.
"Sim. Tudo está preparado," respondeu a voz, calma e controlada.
Evelyn inclinou-se para frente, a voz ficando afiada.
"Ótimo. Damien, observe bem. Isso vai ser divertido."
Ela bateu levemente os dedos na mesa, o som parecendo um pequeno tambor anunciando uma guerra prestes a começar.
"Isto não é casamento, Damien. Isto é guerra."
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