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Capa do romance Quebrada no Altar, Renascida Mais Forte

Quebrada no Altar, Renascida Mais Forte

Abandonada no altar por seu noivo em favor da irmã grávida, Ângela enfrentou escárnio ao tentar tirar a vida. Meia década depois, ela ressurge como uma imunologista renomada. Ao salvar o filho do ex em um evento, é agredida por ele e acusada de envenenamento. Enquanto a polícia chega, o homem tenta incriminá-la, mas as autoridades o ignoram. Entre o caos, surge uma figura poderosa e gélida que exige o afastamento imediato de todos da sua esposa, Ângela.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Ângela Campos:

O rosto de Bruno ficou escarlate, uma máscara de orgulho ofendido. Ele não estava acostumado a ser desafiado, especialmente não por mim. Sua mão, ainda formigando de onde eu a puxara, fechou-se em punho.

"Não abuse da sorte, Ângela", avisou ele, sua voz baixa e ameaçadora, quase um rosnado. "Você não gostaria de colocar em risco seu pequeno... seja lá o que você está fazendo aqui. Minha família tem influência considerável. Aquele projeto de inovação que você mencionou antes? Aquele em que seu marido supostamente está envolvido? Temos conexões." Ele estava tentando me intimidar, me lembrar de seu poder. Ele ainda pensava que eu era a garota vulnerável que ele deixara para trás.

Eu apenas sorri, um curvar de lábios genuíno e sem alegria. "Influência considerável, Bruno? Contra o quê, exatamente? Minha existência?" A ironia era espessa, quase palpável. Ele estava tão convencido de sua própria importância, tão cego para o mundo além de seu alcance.

Cristina, sentindo o domínio enfraquecido de Bruno sobre a situação, deu um passo à frente, seus olhos arregalados com angústia fabricada. Ela colocou uma mão trêmula no braço de Bruno. "Ah, Ângela, por que você está fazendo isso? Por que você não pode simplesmente nos deixar ser felizes? Você sabe que eu nunca quis que as coisas terminassem assim." Sua voz era um sussurro suave e lamentoso, uma performance aperfeiçoada ao longo dos anos. "Tentei recusá-lo, realmente tentei. Mas ele disse que tinha que proteger a criança. E com minha família morta, eu não tinha ninguém..."

Ela recontou uma narrativa cuidadosamente elaborada de desamparo e sacrifício, insinuando que era uma vítima das circunstâncias, forçada aos braços de Bruno, sobrecarregada pelas escolhas que Bruno alegava serem seu dever moral. Era a mesma velha ladainha, projetada para evocar simpatia, para pintá-la como a parte inocente.

Minha expressão permaneceu impassível. As palavras dela, uma vez capazes de revirar meu estômago, agora não tinham poder. Eu simplesmente a observava, sua performance tão transparente que era quase cômica.

Eu me lembrava. Lembrava-me da Cristina que chegara à nossa porta como uma órfã tímida de olhos arregalados, um gesto de caridade dos meus pais. Lembrava-me de segurar a mão dela, mostrando-lhe nossa extensa propriedade, compartilhando minhas roupas, meus segredos, minha vida. Lembrava-me do conforto que sentia, tendo uma irmã, uma confidente.

Ela sempre fora tão doce, tão grata. Ou assim eu pensava. "Você é como a irmã mais velha que nunca tive!", ela exclamava, com os braços em volta de mim. Ela fingia preocupação quando eu estava estressada, oferecendo massagens e palavras reconfortantes. "Não se preocupe, Ângela, estarei sempre aqui para você."

Essas memórias agora pareciam ácido, corroendo os últimos vestígios da minha inocência. Eu a amara. Eu confiara nela. Eu a vira não como uma rival, mas como família. E ela sistematicamente desmantelou minha vida, peça por peça, com um sorriso treinado sempre no rosto.

Cristina, vendo minha falta de resposta, olhou para Bruno, seus olhos se enchendo de lágrimas não derramadas. "Bruno, talvez... talvez eu devesse apenas ir embora. Você deveria ficar com a Ângela. Não suporto ser a causa da sua infelicidade. Vou apenas pegar a criança e desaparecer." Era o golpe manipulador final, uma ameaça de autossacrifício projetada para prendê-lo com mais força. Ela até agarrou o estômago, como se o lembrasse da criança.

A raiva de Bruno contra mim derreteu imediatamente em preocupação protetora por Cristina. Ele a puxou para mais perto, acariciando seu cabelo. "Não, Cristina. Não diga isso. Você é minha esposa. E nosso filho precisa do pai." Ele olhou para mim então, seu olhar endurecendo. "Você ouviu ela, Ângela. Ela é minha esposa. E a mãe do meu filho. Não posso simplesmente abandoná-los. Especialmente agora. Não quando ela fez tal sacrifício por mim." Ele fez uma pausa, depois acrescentou: "Você sabe, os militares têm regras estritas sobre deserção. E o filho dela tem necessidades especiais."

Ele estava jogando desculpas, tentando racionalizar suas escolhas, tentando me fazer entender. Ele ainda era o herói em sua própria história, o homem sobrecarregado pelo dever.

Cristina, encorajada pela defesa de Bruno, cutucou-o sutilmente. "Ângela, você sempre foi tão gentil. Tão generosa. Certamente você não gostaria de nos ver sem teto? Com minha saúde, e as necessidades da criança..." Ela parou, deixando a implicação pairar no ar. "Talvez você pudesse encontrar em seu coração uma maneira de nos ajudar. Pelos velhos tempos." A mensagem subjacente era clara: ela ainda esperava que eu fosse a Ângela benevolente e facilmente manipulável.

Bruno, captando a insinuação dela, assentiu. "Sim, Ângela. Você poderia ficar conosco, se estiver passando dificuldades. Temos muito espaço. Seria... conveniente. Você poderia ajudar Cristina com o menino. Você sabe, já que você é tão boa com crianças. E seria uma forma de expiação pelo seu... surto mais cedo." Seu tom paternalista estava de volta, carregado com uma superioridade presunçosa. Ele genuinamente pensava que estava me oferecendo uma tábua de salvação, uma posição como sua governanta glorificada, talvez.

"Você poderia até conseguir um emprego na minha empresa como secretária", acrescentou ele, um gesto magnânimo em sua mente. "Sempre valorizamos suas... habilidades organizacionais." Ele claramente não tinha ideia das minhas realizações profissionais, ou talvez simplesmente se recusasse a reconhecê-las.

Meu sangue gelou. Morar com eles? Como seu caso de caridade? Servi-los, depois de tudo? A audácia era de tirar o fôlego.

Cristina, com os olhos brilhando com generosidade fingida, interveio: "Sim, Ângela! Poderíamos ser como irmãs novamente! Eu poderia até te ensinar algumas coisas sobre criar filhos." Ela sorriu, um sorriso doce e venenoso.

Olhei para os dois, seus rostos uma paródia grotesca de preocupação. O pensamento de ficar presa na órbita deles novamente, mesmo por um momento, fez a bile subir na minha garganta.

"Obrigada pela oferta atenciosa, Bruno", disse eu, minha voz pingando polidez gelada. "Mas receio que meu marido e eu estejamos bastante confortáveis em nossa própria casa. E minha carreira como imunologista pesquisadora não deixa tempo para deveres de secretária, nem para conselhos sobre criação de filhos de alguém que claramente valoriza a manipulação acima do cuidado genuíno." Meu olhar cintilou para Cristina. "Algumas coisas, Cristina, são melhores se não forem ditas. E algumas portas, uma vez fechadas, devem permanecer assim." A finalidade em meu tom foi feita para queimar.

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