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Capa do romance Quando o Para Sempre Desmorona: A Dura Realidade do Amor

Quando o Para Sempre Desmorona: A Dura Realidade do Amor

Casada com o bilionário Heitor, minha vida era um sonho até sua ex reaparecer com um filho doente. Em um acidente hospitalar, Heitor me ignorou caída para salvar o menino. Perdi nosso bebê sozinha enquanto ele me traía com a outra. Ao surgir pedindo um divórcio temporário para realizar o desejo da criança de ver os pais unidos, aceitei friamente. Ele não imagina que meu sim é o fim definitivo de nossa história após tamanha negligência e traição.
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Capítulo 1

Meu marido, o bilionário da tecnologia Heitor Vasconcelos, era perfeito. Por dois anos, ele me adorou, e nosso casamento era a inveja de todos que conhecíamos.

Então, uma mulher do passado dele apareceu, segurando a mão de um menino pálido e doente de quatro anos. O filho dele.

O menino tinha leucemia, e Heitor ficou obcecado em salvá-lo. Depois de um acidente no hospital, o filho dele teve uma convulsão. No meio do caos, eu caí com força, uma dor aguda atravessando meu abdômen.

Heitor passou correndo por mim, carregando o filho, e me deixou sangrando no chão.

Eu perdi nosso bebê naquele dia, sozinha. Ele nem sequer ligou.

Quando finalmente apareceu na minha cama de hospital na manhã seguinte, ele usava um terno diferente. Ele implorou por perdão por ter se ausentado, sem saber o verdadeiro motivo das minhas lágrimas.

Então eu vi. Uma marca roxa e escura no pescoço dele.

Ele tinha estado com ela enquanto eu perdia nosso filho.

Ele me disse que o último desejo de seu filho era ver os pais casados. Ele me implorou para concordar com uma separação temporária e um casamento de fachada com ela.

Eu olhei para o rosto desesperado e egoísta dele, e uma calma estranha tomou conta de mim.

— Tudo bem — eu disse. — Eu vou fazer isso.

Capítulo 1

O cheiro limpo e antisséptico da clínica encheu meu nariz. Eu estava sentada na beirada de uma maca, observando uma enfermeira enfaixar com cuidado o pequeno corte na minha mão. Um deslize estúpido com uma faca de cozinha.

Não era nada, de verdade, mas Heitor insistiu que eu viesse verificar.

A porta da clínica se abriu com um estrondo e ele entrou correndo, seu terno caro um pouco amassado.

— Elara, você está bem?

Seus olhos, os mesmos que comandavam salas de reunião, estavam arregalados de preocupação. Ele se apressou, ignorando a enfermeira, e pegou minha mão ilesa.

— Heitor, eu estou bem. É só um cortezinho.

Ele não pareceu me ouvir. Examinou o curativo novo como se fosse um ferimento grave, seu polegar acariciando suavemente meu pulso.

— Você precisa ter mais cuidado — ele murmurou, a voz baixa e cheia de uma preocupação possessiva familiar que sempre fazia meu coração disparar.

A enfermeira, uma jovem de rosto gentil, sorriu para nós.

— Que sorte a sua. Ele deve te amar muito.

Eu sorri de volta, uma sensação de calor se espalhando pelo meu peito.

— Eu sei.

Nós éramos o casal perfeito. Elara Bernardes e Heitor Vasconcelos. A ex-mixologista que abriu mão da carreira pelo bilionário da tecnologia que a adorava. Dois anos de um casamento que era a inveja de todos que conhecíamos.

De repente, o choro de cortar o coração de uma criança atravessou o silêncio da clínica. Era um som de pura dor, seguido pela voz desesperada de uma mulher tentando acalmá-la.

O som vinha da sala ao lado. Meu sorriso desapareceu.

A enfermeira suspirou, sua expressão se tornando triste.

— Coitadinho. Ele está aqui para a quimio.

— Quimio? — perguntei, meu próprio pequeno ferimento esquecido.

— Leucemia — ela disse baixinho. — Só quatro anos. É terrível.

Uma onda de compaixão me invadiu. Eu não conseguia imaginar a dor que aquela criança e sua mãe estavam passando.

— Que horror — sussurrei.

Heitor apertou minha mão, seu tom desdenhoso.

— É triste, mas não tem nada a ver com a gente, Elara. Vamos para casa.

Ele sempre foi assim — focado, um pouco frio quando se tratava de coisas fora do nosso mundo perfeito. Ele começou a me ajudar a descer da maca, pronto para ir embora.

Mas então a porta da sala ao lado se abriu. Uma mulher com olhos cansados e roupas baratas saiu, segurando a mão de um menino pequeno e pálido.

O menino chorava baixinho, o rosto manchado de lágrimas. A mulher parecia desesperada, seus olhos percorrendo a sala até pousarem em Heitor.

Ela congelou. Então, seu rosto se contorceu com uma mistura de choque e algo mais que eu não consegui identificar.

Ela deu um passo à frente, puxando o menino com ela.

— Heitor? — ela disse, a voz trêmula. — Heitor Vasconcelos?

O corpo de Heitor enrijeceu ao meu lado. Ele não se virou. Não falou.

A mulher deu outro passo.

— Sou eu. Carla. Do Rio de Janeiro. Quatro anos atrás.

Eu olhei dela para o meu marido, meu coração começando a bater um pouco rápido demais. Senti um pavor gelado subir pela minha espinha.

O menino, Léo, olhou para Heitor. E em seu rosto pequeno e pálido, eu vi. A mesma linha forte do maxilar. Os mesmos olhos fundos. Ele era uma versão em miniatura do meu marido.

Heitor finalmente se virou, o rosto uma máscara de incredulidade.

— Eu não te conheço.

Sua negação foi rápida, rápida demais.

— O Copacabana Palace — Carla insistiu, sua voz ganhando força. — Você estava lá para uma conferência de tecnologia. Nós... nós passamos a noite juntos.

Uma memória veio à tona, algo que Heitor me contou uma vez, há muito tempo. Um erro de bêbado no Rio antes de me conhecer. Ele disse que foi um caso de uma noite sem sentido, um lapso estúpido de julgamento do qual se arrependia.

Meu olhar voltou para o menino, Léo. Quatro anos.

A matemática era simples. A matemática era brutal.

A bolha quente e feliz em que eu vivia não apenas estourou. Ela se estilhaçou em um milhão de pedaços de gelo.

Eu olhei para Heitor, minha voz mal um sussurro.

— É verdade?

Ele não encontrava meus olhos.

— Precisamos de um teste de paternidade — eu disse, as palavras soando estranhas na minha boca. Minha própria voz parecia distante, como se pertencesse a outra pessoa.

A espera pelos resultados foi a hora mais longa da minha vida. Carla sentou-se em silêncio, segurando seu filho, sua expressão calma, quase vitoriosa. Heitor andava de um lado para o outro, o rosto sombrio, seu carisma desaparecido, substituído por uma culpa crua e latente.

Eu apenas fiquei sentada, as mãos cerradas no colo, tentando me manter inteira. Eu me sentia entorpecida, como se estivesse assistindo a um filme da minha vida desmoronando.

Finalmente, a enfermeira voltou com uma folha de papel. Ela não precisou dizer uma palavra. O olhar em seu rosto foi o suficiente.

Os resultados confirmaram. 99,9% de probabilidade.

Léo era filho de Heitor.

Heitor encarou o papel, o rosto pálido. Ele olhou para mim, a boca se abrindo e fechando, mas nenhuma palavra saiu. Ele parecia perdido, quebrado.

Carla começou a soluçar, um som calculado e lamentável. Ela puxou Léo para mais perto.

— Heitor, ele está morrendo — ela chorou. — Os médicos dizem que ele precisa de um transplante de medula óssea. Você é a única esperança dele. Por favor, ele é seu filho.

A palavra "filho" pareceu atingir Heitor como um golpe físico. Ele olhou para o menino doente, para as lágrimas em seu rosto, e algo em meu marido mudou. A culpa em seus olhos foi substituída por um senso de responsabilidade feroz e desesperado.

Ele olhou para mim, mas seu olhar estava distante. Era como se ele já estivesse em outro mundo, um mundo onde eu não existia.

— Elara — ele disse, a voz tensa. — Vá para casa. Eu... eu cuido disso. Apenas vá para casa e descanse.

Vá para casa.

As palavras ecoaram na minha cabeça. Ele estava me mandando embora. Na primeira crise real do nosso casamento, ele estava escolhendo eles. Ele estava me empurrando para fora.

Foi um julgamento. Um veredito. E naquele momento, eu soube que tinha perdido.

Eu não conseguia nem encontrar raiva para lutar. Apenas senti uma tristeza profunda e oca. Este era o homem que havia prometido me amar e proteger para sempre. O homem que eu amava com cada pedaço do meu ser.

Mas ele tinha um segredo. Um segredo de quatro anos que agora estava morrendo. E eu não podia odiá-lo por querer salvar seu filho.

Levantei-me, minhas pernas parecendo instáveis. O mundo inclinou-se ligeiramente. Saí da clínica, deixando-o lá com seu passado, seu filho e a mulher que acabara de destruir meu futuro.

Voltei para nossa casa linda e vazia. O enorme retrato de casamento no hall de entrada parecia zombar de mim. Nossos rostos sorridentes, tão cheios de esperança. Aquilo me deu enjoo.

Uma onda de tontura me atingiu, e o mundo ficou preto.

Quando acordei, estava na minha própria cama. Nossa governanta, Maria, olhava para mim com olhos preocupados.

— Sra. Vasconcelos, a senhora desmaiou. Eu chamei o médico.

O médico, um homem de rosto gentil, estava guardando suas coisas. Ele sorriu suavemente.

— Parabéns, Sra. Vasconcelos. Você está grávida.

Grávida.

A palavra pairou no ar. Uma pequena faísca de alegria piscou dentro de mim, imediatamente seguida por uma onda de incerteza esmagadora. Um bebê. Nosso bebê.

Mas será que Heitor ainda queria nosso bebê agora?

— Onde ele está? — perguntei a Maria, minha voz fraca. — Onde está o Heitor?

— Ele não veio para casa, senhora. Ele não ligou.

Ele ainda estava no hospital. Com eles.

Fiquei deitada, uma mão na minha barriga lisa, a outra segurando meu celular, uma tempestade de alegria e medo assolando dentro de mim.

Ele ficou no hospital a noite toda. Ele nunca ligou. Nunca mandou uma mensagem.

Na manhã seguinte, enquanto eu estava sentada sozinha na enorme mesa de jantar tentando forçar um pouco de torrada, meu celular vibrou.

Uma mensagem de um número desconhecido.

*Sei que você está procurando sua família. Acho que posso ajudar.*

Eu encarei a tela, meu coração batendo forte. Minha família. A família da qual eu não conseguia me lembrar. A família que eu pensei que estava perdida para mim para sempre.

Digitei de volta uma única palavra, trêmula.

*Quem é você?*

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