
Quando o Luto Revela a Traição
Capítulo 2
No dia em que meu pai morreu, eu estava no bar com meu namorado, Leo.
Ele me arrastou para lá, insistindo que eu precisava relaxar um pouco.
"Você está muito tensa, Sofia", ele disse, empurrando um copo de cerveja na minha mão.
"É só que meu pai não está bem, Leo. Eu deveria estar com ele."
"Seu irmão, Pedro, está lá, não está? Ele dá conta. Seu pai é forte, ele vai ficar bem. Beba um pouco."
Eu olhei para o meu telemóvel, esperando uma chamada do Pedro, mas não havia nada.
A música no bar era alta, as pessoas riam e conversavam.
Eu me sentia deslocada, um nó de ansiedade apertando meu estômago.
Bebi a cerveja de um só gole, o líquido amargo não fez nada para me acalmar.
Então, meu telemóvel tocou. Era Pedro.
Meu coração disparou.
Atendi a chamada, mas mal conseguia ouvir por causa do barulho.
"O quê? Pedro, não consigo te ouvir!", gritei.
"É o pai... Sofia, ele se foi."
As palavras dele foram como um soco no estômago. O mundo ao meu redor ficou mudo.
O copo de cerveja escorregou da minha mão e se estilhaçou no chão.
Leo olhou para mim, irritado.
"Qual é o seu problema? Agora vou ter que pagar por isso."
"Meu pai... ele morreu", sussurrei, as lágrimas começando a escorrer pelo meu rosto.
Leo revirou os olhos.
"Ah, que pena. Mas olha, não vamos deixar isso estragar nossa noite, certo? Ele já era velho, essas coisas acontecem."
Eu o encarei, incrédula.
"Estragar nossa noite? Leo, meu pai morreu!"
"E o que você quer que eu faça? Chore com você? A vida continua. Além disso, a irmã da minha ex, a Clara, está passando por um momento difícil, o cão dela foi atropelado. Eu prometi ajudar a levá-lo ao veterinário. Isso é uma emergência real."
A menção de Clara me fez gelar. A ex dele. A mulher que ele jurou ter superado.
"Você vai me deixar aqui para ajudar a irmã da sua ex com o cão dela?", minha voz tremia de raiva e dor.
"Não seja dramática, Sofia. O cão dela está sofrendo agora. Seu pai já se foi, não há nada que possamos fazer. Eu preciso ir. A gente se fala depois."
Ele se levantou, jogou algumas notas na mesa e saiu sem olhar para trás.
Fiquei ali, sozinha, no meio da multidão barulhenta, com o som do vidro quebrado aos meus pés.
As pessoas me olhavam, algumas com pena, outras com curiosidade.
Eu me senti completamente vazia.
Meu pai estava morto. Meu namorado me abandonou por causa do cão da irmã da ex dele.
A única pessoa que sempre esteve ao meu lado se foi, e o homem que eu achava que me amava mostrou seu verdadeiro rosto.
Naquele momento, eu soube que não era apenas o meu pai que eu tinha perdido. Eu também tinha perdido a mim mesma, presa em um relacionamento que era uma mentira.
O luto pelo meu pai se misturou com a raiva e a humilhação.
Eu precisava sair dali. Precisava ir para casa. Precisava ficar com Pedro.
Mas, acima de tudo, eu precisava terminar com Leo.
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