
Quando o Luto Revela a Traição
Capítulo 3
Cheguei em casa e encontrei Pedro sentado na cozinha, com o rosto entre as mãos.
A casa estava silenciosa, um silêncio pesado que eu nunca tinha sentido antes.
"Pedro", chamei suavemente.
Ele levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos e inchados.
"Sofia. Onde você estava?"
"Eu estava... com o Leo. Ele me arrastou para um bar."
A vergonha queimou em meu peito. Eu deveria ter estado aqui.
Pedro não me julgou. Ele apenas se levantou e me abraçou.
"Não é sua culpa. Aconteceu tão rápido."
Choramos juntos, abraçados no meio da cozinha que nosso pai tanto amava.
Mais tarde, sentados à mesa, Pedro me contou os detalhes.
"Ele só... parou de respirar. Foi pacífico, Sofia. O médico disse que ele não sofreu."
As palavras eram um pequeno consolo, mas a dor ainda era imensa.
Meu telemóvel vibrou na mesa. Era uma mensagem de Leo.
"Espero que você esteja melhor. A Clara está muito abalada, mas o cão vai ficar bem. Tive que ficar para consolá-la. Ela é tão sensível."
Li a mensagem em voz alta para Pedro, minha voz cheia de um veneno frio.
Pedro franziu a testa.
"Ele te deixou sozinha para consolar a irmã da ex dele? Que tipo de homem é esse?"
"O tipo de homem com quem eu não quero mais nada", respondi, minha decisão se solidificando a cada segundo.
"Bom", disse Pedro. "Você merece coisa melhor."
Naquela noite, enquanto tentava dormir na minha antiga cama, as memórias do meu pai me inundaram.
Lembrei-me de quando ele me ensinou a andar de bicicleta, de quando me ajudou com a lição de casa, do seu sorriso orgulhoso na minha formatura.
Ele sempre esteve lá. E agora, não estava mais.
A dor era física, uma pressão no meu peito que me impedia de respirar.
E no meio de toda essa dor, havia a raiva por Leo.
Como ele pôde ser tão insensível? Tão egoísta?
Ele não se importava comigo. Ele nunca se importou.
A imagem dele consolando Clara, a "sensível" Clara, se repetia na minha mente.
Eu fui uma tola. Uma tola cega.
Mas não mais.
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