Capa do romance Quando o destino dá uma nova chance...

Quando o destino dá uma nova chance...

8.2 / 10.0
Em Quando o destino dá uma nova chance..., Maria foge de um casamento cruel após um acidente. Resgatada pelo fazendeiro Alexandre, ela inicia este romance modern focado em superação. Descubra se ela será livre nesta fiction book disponível para ler online como web novel.
Resumo de Quando o destino dá uma nova chance...
Maria viveu anos sob o jugo de um marido cruel e enteados ingratos, aceitando o silêncio e a dor. Contudo, um grave acidente de ônibus interrompe sua rotina de humilhações. Resgatada à beira de um lago por Alexandre Fonseca, um fazendeiro solitário, ela recebe abrigo e cuidado. Entre traumas passados e a nova chance de ser amada, Maria deve decidir se possui a força necessária para quebrar suas correntes e finalmente abraçar a liberdade ao lado dele.
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Quando o destino dá uma nova chance... Capítulo 1

Capítulo 1

Ninguém via Maria. Ela estava ali, todos os dias, mas era como se fosse invisível. Casada há 18 anos com Geraldo, um homem grosseiro e egoísta, ela havia se tornado a sombra da mulher que um dia sonhou em ser.

Criava os dois filhos que ele teve antes do casamento, adolescentes ingratos que herdaram o desprezo e a frieza do pai. Nunca a chamaram de mãe. Nunca demonstraram gratidão. Para eles, Maria era apenas a mulher que limpava a casa, fazia a comida, lavava suas roupas e resolvia seus problemas, tudo em silêncio.

Sem ouvir um "obrigado". Apenas ordens, gritos e ofensas.

Naquela manhã, como tantas outras, Maria acordou antes mesmo do sol nascer. A casa ainda dormia quando ela saiu da cama e foi direto para a cozinha. Preparou o café, colocou a mesa, lavou a louça, recolheu a bagunça que os filhos do marido haviam deixado espalhada na noite anterior. Tudo em silêncio.

Com os pés já cansados e a coluna doendo, pegou sua velha bolsa rasgada, jogou os últimos trocados dentro e saiu em direção à cidade. O sol já queimava quando começou a caminhar pela cidade. A poeira da estrada grudava na pele suada, e as sacolas, uma a uma, começaram a se encher com os mantimentos que cabiam com o pouco dinheiro que ela tinha.

As alças das sacolas cortavam seus dedos, o peso castigava seus braços, mas ela seguia firme, como sempre fazia. Quando finalmente chegou ao ponto de ônibus mais próximo, largou tudo no chão e se sentou no meio-fio. Seus dedos estavam inchados e vermelhos. Olhou para as mãos, para os calcanhares cobertos de terra, e as lágrimas vieram sem pedir permissão.

Não era a primeira vez que chorava em silêncio.

"Por que comigo?", pensou, com os olhos marejados. "O que foi que eu fiz para merecer isso?"

Passou as costas da mão nos olhos assim que viu o ônibus se aproximar. Enxugou as lágrimas rapidamente e levantou-se com esforço. Fez sinal. O motorista parou.

Entrar com as sacolas foi uma tarefa difícil. Tentava equilibrar tudo sem derrubar nada, sem incomodar ninguém. Mas era impossível.

- Vai demorar pra passar? - resmungou um homem na porta.

- Senhora, cuidado com essa sacola! - reclamou outra mulher ao lado.

Maria não respondeu. Apenas baixou a cabeça e seguiu em silêncio. Conseguiu se encolher em um dos bancos do fundo, afastada, apertando as sacolas entre os joelhos, tentando não ocupar espaço demais, tentando desaparecer.

Olhou pela janela. O mundo seguia lá fora, tão bonito, tão livre. Enquanto isso, ela afundava mais a cada dia, esquecida dentro da própria vida.

Mas então, no meio do trajeto, um carro em alta velocidade cruzou o caminho do ônibus. O motorista tentou frear. Tudo escureceu.

Quando Maria acordou, o corpo doía como se tivesse sido atropelado por um trator. A cabeça latejava. Sangue seco estava grudado em sua pele. Com dificuldade, levantou-se e andou sem rumo, cambaleando pela estrada de terra batida, os pés descalços feridos pelo cascalho. Não sabia onde estava, nem o que fazer.

Depois de minutos caminhando, viu um lago. A água brilhava ao sol e parecia sua única esperança. Se aproximou, mas os joelhos falharam, a visão escureceu... e desmaiou à beira da margem.

***

Alexandre Fonseca era um homem firme, moldado pelo trabalho árduo no campo e pelas cicatrizes das perdas que a vida lhe impôs. Fazendeiro respeitado, dono de vastas terras e de um coração generoso, era conhecido não só por sua força, mas também por sua retidão e compaixão.

Naquela manhã, fazia sua ronda habitual ao lado do fiel funcionário Hugo. Galopavam tranquilamente pelos arredores da fazenda quando algo, ao longe, chamou sua atenção.

- Hugo... tem algo ali, perto do lago.

Os dois se aproximaram. Alexandre desceu do cavalo, com o cenho franzido, e se abaixou ao lado do corpo. Com cuidado, afastou os cabelos sujos e embolados do rosto da mulher. Um impacto atravessou seu peito como um raio. Havia sangue, havia dor... mas também havia beleza.

Ele tentou sentir a pulsação do seu pulso, sem sucesso. Tentou o pescoço. Os batimentos estavam fracos.

- O que aconteceu com você? - murmurou.

Olhou para Hugo, com urgência.

- Vamos levá-la para o casarão. Depressa!

O cavalo galopava rápido pelo terreno irregular da fazenda. Hugo, obediente e leal, desapareceu pela trilha em meio à poeira levantada. Alexandre apertou os lábios, carregando a mulher desacordada em seus braços até a varanda do casarão principal. O rosto dela estava pálido, sujo, e os fios de cabelo grudavam no sangue seco.

Empurrou a porta com o ombro e entrou.

- Aguente firme... - murmurou, mais para si mesmo do que para ela.

Com cuidado, a deitou sobre o sofá de couro da sala. Apoiou a cabeça da mulher sobre uma almofada macia, afastando mais uma vez os cabelos do rosto dela. Mesmo machucada, havia algo sereno em sua expressão.

Ouviu passos apressados.

- Ah, meu Deus! - exclamou Dona Elza, a velha cozinheira, levando as mãos à boca ao ver a cena. - O que aconteceu, patrão?

- Não sei. A encontramos caída na beira do lago, desmaiada e machucada. Preciso que me ajude.

- Claro, senhor. O que eu faço?

- Traga uma bacia com água morna e um pano limpo. Rápido.

Ela assentiu e sumiu corredor adentro. Alexandre voltou a olhar para a estranha em seu sofá. Sentia algo estranho no peito. Um aperto, talvez compaixão... ou algo mais profundo, mais instintivo. Seus olhos passeavam pelos ferimentos visíveis, tentando calcular a gravidade da situação.

Pouco depois, Elza voltou com a bacia fumegante e um pano de linho branco.

- Aqui está.

- Obrigado - disse Alexandre, pegando o pano, torcendo-o na água e começando a limpar com delicadeza o sangue do rosto dela.

A cada passada lenta do pano úmido, revelava-se mais do rosto da mulher. Bonita, sim, mas havia mais que isso. Havia dor, marcas de sofrimento... e uma fragilidade que mexia com ele de uma forma que não sabia explicar.

- O médico já está a caminho? - perguntou Elza, observando atentamente.

- Hugo foi buscá-lo pessoalmente. Não deve demorar.

Elza se aproximou um pouco mais e tocou no braço da mulher, sentindo a pele fria.

- Coitadinha... quem será ela, hein?

Alexandre não respondeu. Estava ocupado demais tentando entender por que o coração batia daquele jeito estranho no peito.

Ele terminou de limpar o rosto da mulher, revelando traços suaves e marcantes sob a sujeira e o sangue seco. Passou o pano agora morno pelos braços feridos, onde arranhões e hematomas contrastavam com a pele clara. Cada gesto era delicado, quase reverente. Ele não sabia quem ela era, mas algo nela o impedia de tratá-la como uma simples desconhecida.

Foi então que a porta da sala se abriu de repente, e passos apressados ecoaram pelo assoalho de madeira.

- Senhor! - anunciou Hugo, entrando suado, seguido de perto pelo doutor Henrique.

O velho médico carregava sua maleta surrada de couro e a mesma expressão séria de sempre. Era um homem de mais de setenta anos, firme, de voz calma, e com as mãos experientes de quem já havia salvado muitas vidas. Alexandre o conhecia desde garoto, e confiava nele como em mais ninguém.

- Onde está a paciente? - perguntou o doutor, vendo a paciente em seguida e se ajoelhando ao lado do sofá.

- Encontramos ela caída na beira do lago. Estava inconsciente, com esses ferimentos - explicou Alexandre, afastando-se um pouco para dar espaço.

O doutor abriu a maleta, colocou os óculos e começou o exame com movimentos cuidadosos. Checou os batimentos, o pulso, a respiração. Depois examinou os braços, a cabeça, apalpou com cautela os ossos e articulações.

- Bem... - murmurou após longos minutos. - Nenhum osso quebrado, graças a Deus. Ela tem escoriações, hematomas, está desidratada... mas o mais preocupante, neste momento, é o choque físico e emocional. O corpo reage de forma intensa ao trauma. Ela precisa descansar.

- Ela vai ficar bem? - perguntou Alexandre, com um olhar atento.

- Com os cuidados certos, sim. Eu vou prescrever algo para dor, antibiótico leve para evitar infecção nos machucados e um tônico para ajudá-la a recuperar as forças. Se ela acordar com dores ou febre, me chame imediatamente. Ou se não acordar até amanhã, também.

O médico fechou a maleta e se levantou com certa dificuldade, ajeitando o chapéu na cabeça.

- E mantenha-a hidratada. Água com açúcar, caldos leves... Nada pesado por enquanto.

- Obrigado, doutor - disse Alexandre, apertando a mão dele com firmeza.

- Cuide bem dela, meu rapaz. Seja quem for, parece que já sofreu o bastante - disse ao lembrar de ter reparado nas mãos calejadas.

Alexandre acompanhou o médico até a porta. Quando voltou, ficou observando a estranha dormindo no sofá. Sentou-se novamente ao lado dela. Por algum motivo, sentia que aquela mulher estava prestes a mudar o rumo da sua vida, mesmo sem saber seu nome.

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