
Quando o Amor Virou Veneno
Capítulo 2
O jantar na casa dos meus sogros era para ser uma celebração, o nosso primeiro anúncio oficial da gravidez para a família.
O cheiro do risoto de camarão que a minha cunhada, Sofia, colocou na minha frente era delicioso, mas meu coração gelou.
"Sofia, você sabe que eu sou alérgica a camarão", eu disse, a minha voz um pouco trémula.
Ela sorriu, um sorriso que não alcançou os seus olhos.
"Claro que sei, cunhadinha. Este é de frango. Fiz especialmente para você."
Confiei nela.
Confiei no meu marido, Mateus, que estava sentado ao meu lado, rindo de uma piada que o seu pai, Ricardo, contou.
Dei uma garfada.
O sabor era bom, mas em segundos, uma comichão começou na minha garganta.
Uma comichão que se transformou em aperto.
"Acho... acho que tem camarão aqui", consegui dizer, a minha voz já rouca.
Sofia olhou para o meu prato, com os olhos arregalados em falsa surpresa.
"Oh, meu Deus! Devo ter usado a colher errada para te servir! Que desastrada!"
O pânico começou a subir. A minha respiração ficou curta.
"Mateus", chamei, a minha mão a agarrar o seu braço. "A minha caneta de epinefrina... está no carro."
Ele olhou para mim, a sua testa franzida em aborrecimento, não em preocupação.
Naquele exato momento, Sofia soltou um grito agudo e caiu da cadeira, agarrando o seu tornozelo.
"Ai! O meu pé! Acho que o torci!"
Toda a atenção na sala virou-se para ela.
Mateus soltou o meu braço e correu para a sua irmã.
"O que aconteceu? Deixa-me ver", disse ele, a sua voz cheia da preocupação que ele não me deu.
"Eu preciso... do hospital", sussurrei, mas a minha voz perdeu-se no barulho.
Ricardo, o meu sogro, estava a ajudar Mateus a levantar Sofia.
"Vamos levá-la para o pronto-socorro, pode ser uma fratura."
Eu estava a sufocar. A minha visão estava a ficar turva nas bordas.
Ninguém olhou para mim.
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