
Quando o Amor Vira Mentira: A Luta de Sofia
Capítulo 3
No hospital, o cheiro a desinfetante enchia o ar. Era um cheiro que eu odiava.
A minha sogra já lá estava, a chorar dramaticamente nos braços do meu sogro, o Senhor Artur. Ele deu-me um olhar frio quando cheguei com o Lucas a dormir no meu ombro.
"Ele está na cirurgia," disse o meu sogro, a sua voz desprovida de qualquer emoção. "Os médicos não dizem muito."
A Dona Alice viu-me e a sua cara contorceu-se de raiva novamente.
"O que é que estás aqui a fazer? Vieste ver a tua obra? Se o meu filho morrer, eu juro que te tiro o Lucas!"
O meu sangue gelou. Apertei o meu filho com mais força.
"Ele é meu filho," a minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
"Ele também é um Almeida!" ela retorquiu. "Ele carrega o sangue do meu filho, não o teu! Devias ter morrido tu no carro, não a pobre da Clara!"
O choque percorreu-me. Mesmo num momento como este, a sua crueldade não tinha limites.
Sentei-me o mais longe possível deles, na sala de espera fria e estéril. Lucas mexeu-se no meu colo, murmurando "papá" no seu sono.
Cada murmúrio dele era uma faca no meu peito.
Horas passaram. A luz da cirurgia continuava acesa.
A família da Clara chegou. Os seus pais, de olhos vermelhos e inchados, e um irmão que parecia pronto para partir tudo.
Eles olharam para os pais do Pedro, e depois para mim.
"Foi ele," disse o irmão da Clara, a sua voz a tremer de raiva. "Foi o teu filho que a matou. Ele estava a conduzir."
O meu sogro não disse nada, apenas olhou para o chão.
A mãe da Clara aproximou-se de mim. Ela era uma mulher pequena, consumida pela dor.
"Tu sabias?" ela perguntou, a sua voz um sussurro quebrado. "Sabias que eles ainda se viam?"
Eu abanei a cabeça. As lágrimas que eu tinha segurado finalmente começaram a cair.
"Eu não... eu não sabia de nada."
"Ela amava-o tanto," a mulher soluçou. "Ela desistiu de tudo por ele. Ela estava à espera dele."
A espera dele. As palavras da minha sogra voltaram a mim. Ele ia finalmente ficar com a Clara.
Então era verdade.
O meu casamento era uma mentira. A minha vida era uma mentira.
Senti o meu telemóvel a vibrar na minha mala. Era uma notificação do banco.
Transferência de 50.000€ recebida da conta conjunta de Pedro e Sofia Almeida.
Eu olhei para o ecrã, confusa.
Pedro tinha transferido quase todo o nosso dinheiro para a sua conta pessoal, horas antes do acidente.
Ele não estava apenas a deixar-me.
Ele estava a deixar-me sem nada.
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