Capa do romance Irresistível Atração

Irresistível Atração

8.1 / 10.0
Emma enfrentou uma vida de carência afetiva, sem o amor dos pais. Sua única âncora sempre foi Vincent, seu fiel amigo. Após buscar um futuro na Itália, ela se entrega a Enrico D'Angelo, um playboy insensível que despedaça seu coração. De volta ao lar, carregando a marca desse amor não correspondido, Emma se surpreende ao descobrir a paixão nos braços de Vincent. Contudo, Enrico ressurge ao desvendar seu segredo, ameaçando a paz que ela tentava reconstruir.

Irresistível Atração Capítulo 1

Florença

_ Eu vou sentir tanto a sua falta... _ Cora resmungou mais uma vez enquanto terminavam o último detalhe do prato que seria apresentado dentro de alguns minutos.

Emma sorriu de lado, observando atentamente cada minúsculo detalhe, tentando encontrar qualquer coisa que estivesse fora do lugar.

_ Sabe que sempre poderemos nos falar por telefone. _ respondeu à Cora, a única pessoa que ela podia considerar como amiga naquele lugar.

Quando investira todas as suas economias para entrar naquele curso de Gastronomia, ela viera para Florença sem pensar duas vezes, deixando Los Angeles para trás.

Conhecera Cora logo no início do curso e pouco tempo de conversa foi necessário para que elas se tornassem amigas.

_ Não será a mesma coisa... _ ela reclamou novamente antes de fazer com que Emma se afastasse da mesa e parasse de fitar o prato. _ Pare de procurar defeitos onde não há!

Emma coçou a ponta do nariz, como sempre fazia quando se sentia insegura.

_ Você pode ficar aqui comigo. _ Cora sugeriu, mas Emma negou rapidamente.

_ Sabe que não tenho condições de me manter aqui. E você já tem me ajudado muito ao dividir as despesas do apartamento comigo. _ explicou.

Cora já ia responder quando o nome das duas foi chamado e Emma esfregou as mãos em completo nervosismo antes de entrarem e começarem a apresentação.

Uma apresentação impecável também somava para um bom resultado, e era de bons resultados que Emma precisava naquele momento.

Era seu futuro que seria decidido naquela sala e ela sentiu que o mundo para ao seu redor enquanto observava os jurados provarem seu prato e olharem entre si.

Ficou ciente apenas da mão de Cora apertando a sua enquanto esperavam.

_ Srtas. Davis e D'Angelo... _ um dos jurados chamou sua atenção. _ Vocês duas são as últimas a se apresentarem e devemos ser sinceros...

Emma parou de respirar, enquanto o jurado parecia tentar encontrar uma maneira menos dura de acabar com suas esperanças.

_ Vocês duas têm se saído muito bem durante todo o curso e de todos os dez pratos que degustamos essa tarde, o de vocês, com certeza foi o melhor. _ ele terminou, fazendo Cora engasgar ao seu lado e apertar sua mão um pouco mais forte que necessário.

Mas Emma não se importou com a dor.

Pela primeira vez em sua vida ela ouvia palavras positivas sobre algo que fizera.

E pela primeira vez ela podia sentir orgulho de si mesma.

_ Uma apresentação impecável. _ ele continuou. _ Sabor e temperatura perfeitos... Parabéns as duas pelo esforço e dedicação. Acho que temos duas novas Chefs excelentes...

“Escutou isso, mãe? Eu não sou tão imprestável quanto pensa...” ela pensou, satisfeita consigo mesma.

_ Obrigado. _ ela respondeu, dessa vez não contendo o enorme sorriso que se formou em seus lábios.

_ Obrigado. _ ela ouviu Cora dizer também, antes de dar uma risadinha e puxá-la para fora da sala. _ Parabéns Chef!

Emma riu baixinho, olhando para sua amiga.

Ela torcia para que a amizade de ambas não desaparecesse com a distância, quando retornasse para Los Angeles.

_ Parabéns, Chef! _ respondeu.

Elas se abraçaram e caminharam juntas até o vestiário, onde descartaram as roupas brancas, toucas e aventais, substituindo-os por suas roupas normais.

Emma estava sentada afivelando as sandálias, quando Cora se sentou ao seu lado.

_ O que vai fazer agora? _ ela quis saber, e Emma deu de ombros.

_ Voltar para Los Angeles. Um conhecido me ofereceu uma vaga em seu restaurante. _ respondeu.

_ Vai voltar para sua antiga casa?

Cora estava preocupada, pois Emma havia lhe contado como era sua vida ao lado da mãe que não a desejava.

Emma era fruto de um caso de uma noite que sua mãe tivera com um empresário rico, e pelo que entendera ele não tivera nenhum desejo em reconhecer a paternidade quando sua mãe o procurara após descobrir que estava grávida.

Sua amiga apenas não queria vê-la voltar para a mesma vida de humilhação que vivia antes de reunir coragem o suficiente para ir até Florença e lutar por algo melhor.

_ Eu não sei se terei uma casa para onde voltar. _ respondeu, com sinceridade. _ Mas se tudo ocorrer bem, logo terei um lugar para chamar de meu e um dia você poderá ir me visitar.

Cora sorriu.

_ Ótimo! _ respondeu. _ Fico satisfeita com isso. Pelo menos saberei que está bem e não sofrendo nas mãos daquela megera que chama de mãe.

Emma riu.

Cora sempre fora uma pessoa muito sincera com ela, inclusive no que pensava a respeito de sua mãe e no modo como a tratava.

Com completa frieza e desprezo.

_ Já que não vou conseguir fazer você mudar de ideia quanto a permanecer aqui e morar comigo, pode atender a um último desejo meu. _ Cora disse, com um sorriso de lado e um olhar de quem estava planejando algo.

Emma sempre ficava preocupada quando ela a olhava daquela maneira.

A última vez que isso acontecera, ambas terminaram completamente bêbadas em uma boate.

Emma nem se lembrava de como conseguiram chegar em casa, pouco antes do sol nascer.

E se sentira tão mal naquele dia que jurou a si mesma nunca mais beber daquele jeito.

_ Depende... _ disse, insegura, e recebeu um olhar zangado da amiga.

_ Ora! Não confia em mim? _ Cora protestou.

Emma se limitou apenas a um arquear de sobrancelha e um olhar que dizia: “é óbvio que não!” para ela.

Cora bufou e se levantou do banquinho, ajeitando os cabelos negros atrás das orelhas.

Revirou os olhos amendoados, que contrastava com a cor de seus cabelos e alisou o vestido tubinho rose, que combinava perfeitamente com ela.

_ Meu irmão vai dar uma festa essa noite. _ ela explicou. _ Vai ter um monte de executivos chatos e metidos a milionários e preciso participar. Mas se fosse comigo, a minha noite não seria tão chata, pois teria alguém para conversar. E você poderia passar sua última noite em Florença, curtindo boa comida e bebida cara...

_ Eu não sei me portar em eventos como esse e não quero ser um motivo de vergonha para você... _ Ela sabia que Cora vinha de uma família de prestígio e seu modo de vida era muito diferente do dela.

Somente suas roupas de grife já lhe diziam isso.

_ Não seja tola! _ Cora retrucou. _ Não será um evento grande. Não é como se fossemos receber alguém famoso.

Emma ainda estava em dúvida.

_ Eu te empresto um vestido. _ Cora ofereceu, pois sabia que elas vestiam quase o mesmo tamanho, apesar de Emma ter um pouco mais de curvas do que ela, e ser um pouco mais baixa.

Mas nada que saltos não resolvessem! Pensou.

_ Por favor... _ ela implorou. _ Pense que será uma forma de nós duas comemorarmos o nosso sucesso.

Emma hesitou mais alguns segundos antes de suspirar e assentir.

Ela não tinha pensado em comemorações.

Planejara voltar para o apartamento e arrumar suas malas. Então ligaria para Vincent e avisaria que estava voltando.

Mas não podia negar que seria legal passar a sua última noite em Florença ao lado de sua amiga e conhecendo um pouco mais de seu mundo.

_ Ok! Eu vou! _ Respondeu, enquanto Cora dava um pulinho animado antes de abraçá-la novamente.

_ Prepare-se então, porque estamos indo direto para o salão arrumar unhas e cabelos! _ Cora avisou, puxando Emma para fora.

_ Espera, eu não concordei com isso! _ Emma protestou, tentando liberar sua mão, sem sucesso.

_ Não podemos aparecer diante das esposas esnobes dos parceiros de negócios do meu irmão, de qualquer maneira. _ ela explicou, enquanto abria a porta do carro para que Emma entrasse e deu a volta rapidamente, colocando-se atrás do volante.

_ Eu não posso arcar com as despesas de um salão de beleza, Coraline! _ Protestou, mas Cora fez um gesto de descaso.

_ E quem disse que seremos nós a pagar a conta? _ ela sorriu de lado, marota, e Emma prendeu o cinto de segurança enquanto revirava os olhos.

Agora, sim, Cora se parecia com uma riquinha mimada.

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