
Quando o Amor se Torna Prisão: A Fuga de Ana
Capítulo 2
No dia em que o meu noivo, Léo, foi libertado da prisão, ele não veio para casa. Em vez disso, foi direto para a casa da sua ex-namorada, a Sofia.
Eu soube disso através de uma fotografia que a Sofia publicou nas redes sociais.
Na imagem, o Léo estava a dormir profundamente no sofá dela, e a legenda dizia: "Bem-vindo a casa, meu amor. Desta vez, não te deixarei ir."
A fotografia foi tirada de um ângulo íntimo, mostrando o seu rosto adormecido com uma ternura que eu nunca tinha visto.
Olhei para a mesa cheia de pratos que eu tinha passado a tarde inteira a preparar. Eram todos os seus favoritos. O vapor tinha desaparecido há muito tempo, e a comida estava fria, tal como o meu coração.
Liguei-lhe. O telefone tocou várias vezes antes de ele atender. A sua voz estava rouca, misturada com impaciência.
"O que foi, Ana? Acabei de sair. Não me podes dar um bocado de espaço?"
A sua voz soava distante, abafada. Ao fundo, ouvi a voz suave da Sofia.
"Léo, querido, quem é? Diz-lhe para não te incomodar. Precisas de descansar."
Uma dor aguda apertou o meu peito. Respirei fundo para manter a calma.
"Léo, eu preparei o jantar. Estás a voltar para casa?"
Houve um silêncio do outro lado, depois um suspiro pesado.
"Ana, não sejas assim. A Sofia passou por muito por minha causa. O pai dela morreu de ataque cardíaco quando soube da minha sentença. Ela está sozinha e precisa de mim. Só vou ficar aqui para a consolar."
"Consolá-la?", a minha voz tremeu sem que eu quisesse. "E eu, Léo? Esperei por ti durante cinco anos. Visitei-te todos os meses, sem falhar. Resolvi as dívidas que deixaste. Onde estavas tu quando eu precisei de consolo?"
"Isso é diferente!", ele elevou a voz, irritado. "Tu és forte, Ana. A Sofia é frágil. Além disso, foi por causa dela que eu fui para a prisão. Eu devo-lhe isto. Para de ser tão egoísta."
Egoísta. A palavra atingiu-me com força.
Eu tinha sacrificado cinco anos da minha juventude, trabalhado em dois empregos para pagar as suas dívidas de jogo, suportado os olhares de pena e desprezo dos outros, tudo porque o amava e acreditava que ele mudaria.
E agora, eu era a egoísta.
"Léo," a minha voz saiu fria e vazia. "Se não voltares hoje, acabamos."
Ele riu-se, um som seco e sem humor.
"Acabar? Ana, não faças birra. Sabes o quanto me amas. Achas mesmo que consegues viver sem mim? Fui eu que te salvei da tua família horrível. Deves-me a tua vida. Para de ser dramática. Falamos amanhã."
Ele desligou.
Olhei para o telefone em silêncio. Ele tinha razão. Eu amava-o. Amava-o tanto que doía. Mas ele estava errado numa coisa.
Ele não me salvou. Ele apenas me prendeu numa gaiola diferente.
Levantei-me, peguei em todos os pratos da mesa e, um por um, atirei-os para o lixo. O som da loiça a partir-se foi a única coisa que quebrou o silêncio da casa.
Não haveria amanhã para nós.
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