Capa do romance Quando o amor morre

Quando o amor morre

8.8 / 10.0
No aniversário de um ano de casada, Thea planejava revelar sua gravidez a Jerred, mas ele a surpreendeu com o retorno de seu antigo amor. Ignorando a esposa, ele passou a cuidar da outra mulher doente. Diante do abandono, Thea exige o divórcio, mas Jerred a acusa de ciúmes doentio. Cansada de sofrer, ela decide partir para sempre. Contudo, ao tentar embarcar em um voo, Jerred a intercepta e implora de joelhos para que ela não leve seu filho embora.

Quando o amor morre Capítulo 1

Thea Dawson acabara de descobrir que estava grávida.

Ao sair do hospital, mal conseguia conter a excitação. Apertava os resultados do exame e corria para ligar ao marido, Jerred Willis.

"Jerred..." A voz trêmula, as palmas úmidas contra o papel que segurava. "Eu... preciso te contar uma coisa."

Do outro lado da linha, a resposta de Jerred tinha uma frieza inesperada. "Interessante. Também tenho algo a dizer. Esteja em casa às sete."

Antes que Thea pudesse responder, a linha caiu, deixando-a com o tom contínuo zumbindo no ouvido.

Uma angústia se espalhou pelo peito.

Havia algo de errado na voz dele — estava muito mais fria que o normal.

Ela respirou fundo para se acalmar, esfregou as próprias faces e forçou um leve sorriso. Precisava convencer-se a não pensar muito naquilo.

Jerred era o CEO da maior multinacional de Braptin; o fardo da pressão constante certamente o frustrava às vezes. Aquele tom gélido não significava, necessariamente, que estivesse chateado com ela.

Quando o relógio bateu sete, Thea já estava sentada à mesa de jantar perfeitamente posta, os olhos saltando para o relógio a cada minuto que se arrastava.

Desejando aliviar o que imaginava ter sido um dia exaustivo para Jerred, preparara com cuidado todos os pratos favoritos dele.

Mas, para sua surpresa, o homem que se orgulhava da pontualidade estava atrasado naquele dia.

Uma hora depois, a porta da frente finalmente se abriu.

Jerred entrou, e sua presença imediatamente preencheu o espaço com autoridade. O frio da noite grudara em seu casaco, que ele tirou e entregou à empregada que aguardava.

Thea levantou-se rapidamente, com um sorriso suave e acolhedor. "O que te atrasou tanto?"

"Algo me prendeu", respondeu ele, seco.

Com uma pasta na mão, dirigiu-se à mesa, os passos compostos. Sentou-se então numa cadeira, cruzando as pernas com uma elegância casual. "Você disse que queria falar comigo?"

Fixou nela um olhar indecifrável, frio e penetrante, enquanto a comida intocada permanecia entre os dois. A voz gelada ecoou: "Pode falar."

Sua postura glacial fez os dedos dela se contraírem no colo, e a notícia da gravidez engasgou na garganta.

Os lábios curvaram-se num sorriso forçado. "Você também disse que queria me contar algo. Por que não começa?"

Por um longo instante, ele não respondeu. O olhar persistia nela, firme e sufocante. Por fim, com voz lenta e deliberada, disse: "Jaylynn voltou."

As palavras a atingiram como uma maré gelada, deixando-a atordoada.

A Jaylynn a quem ele se referia não era outra senão sua prima, Jaylynn Dawson.

Jaylynn crescera ao lado de Jerred, e desde a infância forjara-se entre eles um vínculo profundo.

Há um ano, Jaylynn era a destinada a tornar-se noiva de Jerred.

Mas, por razões desconhecidas, desaparecera na véspera do casamento.

Para proteger as duas famílias do escândalo, a família Dawson arrancara Thea da vida tranquila no campo e a colocara nos braços de Jerred.

Thea sempre soubera que o coração de Jerred pertencia a outra. No momento em que Jaylynn retornasse, ela teria de dar lugar.

Só nunca imaginara que esse dia chegaria de forma tão abrupta.

Os dedos cerraram-se em torno dos resultados amassados do teste de gravidez escondidos no bolso. "Então..."

A voz saiu embargada enquanto os olhos se desviavam para o documento sobre a mesa. "Isso é um acordo de divórcio que você trouxe?"

"Não", respondeu ele, o tom neutro. "Não estou pedindo o divórcio... ao menos ainda não."

Um suspiro tênue escapou dos lábios de Thea, mas o breve alívio transformou-se em pavor quase instantaneamente.

As palavras dele carregavam o peso da inevitabilidade, insinuando que seu casamento já contava os dias para o fim.

Apertou-se-lhe o peito, e um soluço silencioso escapou-lhe. "Então, o que é esse documento..."

"Jaylynn me disse que desapareceu porque achou que estava morrendo", Jerred afirmou, impassível. "Não quis me sobrecarregar com a doença. Desta vez, não voltou para reacender nada entre nós."

Então, deslizou o documento pela mesa em direção a Thea, desdobrando-o com precisão deliberada. "Ela precisa da sua ajuda."

Thea congelou por um momento. O olhar desceu instintivamente para a página.

O título em negrito fez seu pulso disparar: era um relatório de compatibilidade de medula óssea.

Os olhos percorreram as linhas até que a verdade a golpeou no peito: sua medula óssea era perfeitamente compatível com a de Jaylynn.

Ao percorrer com os olhos as palavras, uma punhalada de dor lhe trespassou o peito.

Ela revirou a memória, sem conseguir se lembrar de ter feito um exame daqueles.

A não ser que...

A garganta apertou-se enquanto ela encaixava as peças. Forçando para baixo a dor que crescia, ergueu os olhos para Jerred, a tristeza estampada no rosto. "Dois meses atrás, quando seu assistente disse que eu precisava de um check-up... aquele exame era para isso?"

Jerred acenou com a cabeça, conciso. "Exato. Escondi de você porque o retorno de Jaylynn precisava permanecer confidencial."

Cada palavra que ele proferia a atingia no coração com força brutal.

Aquele check-up — aquela única vez em mais de um ano de casamento em que ele demonstrara um mínimo de preocupação por ela — nada tinha a ver com ela.

Na época, ficara eufórica, convencida de que significava o avanço do relacionamento deles.

Agora, em retrospecto, devia ter parecido patética e ridícula naquele momento.

O que ela julgara ser um avanço no relacionamento deles revelava-se agora simplesmente Jerred providenciando um exame para a mulher que ele sempre amara...

Erguendo a cabeça, Thea encarou Jerred do outro lado da mesa. Ele nem sequer notara o cuidado com que ela a preparara. "Não vou fazer isso", declarou, a voz firme.

Os dedos dela moveram-se protetoramente para a barriga ainda lisa.

A pequena vida ali dentro, com apenas dois meses, era frágil e preciosa demais para passar por algo assim.

Jerred foi pego de surpresa pela recusa frontal dela, a expressão endurecendo-se enquanto as sobrancelhas se franziam. "Vou providenciar a melhor equipe médica. Tudo será feito com precisão. Você não correrá risco. A situação de Jaylynn não pode esperar."

Thea manteve o olhar fixo nele, a postura serena apesar do turbilhão de emoções que se formava dentro dela.

Após um longo e tenso silêncio, respirou fundo e disse lentamente: "Jerred... estou grávida."

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