Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Quando o Amor É Uma Farsa

Quando o Amor É Uma Farsa

No aniversário de dez anos de casada, a vida de Ana desmorona ao descobrir que foi apenas uma substituta para Clara, o antigo amor de seu marido, Marcos. Enquanto sua filha a ignora e Marcos prioriza a rival grávida, um sistema de RPG revela dados contraditórios sobre o afeto dele. Após quase morrer por uma armadilha de Clara, o Sistema de Ana desperta, drenando suas emoções. Fria, ela decide abandonar a farsa da década passada e retornar ao seu verdadeiro mundo.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

A celebração do décimo aniversário de casamento de Ana e Marcos foi o evento social do ano, um testemunho do que todos consideravam uma união perfeita, o restaurante de Marcos, premiado com três estrelas Michelin, serviu de palco para a festa, e cada detalhe refletia a imagem de sucesso e felicidade que construíram juntos. Ana, uma artesã de azulejos cujo talento era tão discreto quanto notável, observava tudo com um sorriso sereno, sentindo que seu maior sonho, o de ter uma família, havia se realizado plenamente.

Ao seu lado, Marcos, o chef carismático e aclamado, era a imagem do marido perfeito, e a filha deles, Sofia, uma garota de nove anos com um talento prodigioso para o piano, completava o quadro, sua música enchia o salão, um som que para Ana era a própria trilha sonora da felicidade.

"A mamãe é a mulher mais sortuda do mundo" , Sofia disse a um dos convidados, com a inocência que só uma criança possui.

Ana sentiu o coração aquecer, puxou a filha para um abraço e beijou o topo de sua cabeça, tudo parecia perfeito, exatamente como ela havia sonhado durante anos.

Foi então que uma mulher entrou no salão, sua presença mudou a atmosfera instantaneamente, ela era alta, elegante, com um sorriso que parecia ao mesmo tempo caloroso e calculado, mas o que fez Ana prender a respiração foi o rosto dela, era quase um espelho do seu. Os mesmos olhos amendoados, o mesmo formato do queixo, o mesmo cabelo escuro e liso, era uma semelhança perturbadora, quase irreal.

Marcos, que estava rindo com um grupo de amigos, congelou, seu sorriso desapareceu e uma expressão complexa tomou conta de seu rosto, uma mistura de choque, nostalgia e algo mais, algo que Ana não conseguiu decifrar.

"Clara" , ele sussurrou, o nome saindo de seus lábios como um fantasma.

Sofia, por outro lado, pareceu instantaneamente encantada, ela parou de tocar e olhou para a recém-chegada com uma curiosidade intensa, como se estivesse vendo uma celebridade.

Clara caminhou diretamente até Marcos, ignorando todos os outros, "Marcos, querido, quanto tempo."

Sua voz era suave, mas carregava um peso que preencheu o silêncio que se formara ao redor deles, ela o abraçou, um gesto íntimo e demorado que fez o estômago de Ana revirar.

Ninguém precisou dizer a Ana quem era aquela mulher, ela era a famosa ex-namorada, a designer de interiores de quem Marcos raramente falava, mas cuja sombra sempre pareceu pairar sobre o relacionamento deles, o "primeiro amor" , a história não resolvida.

O choque inicial de Ana deu lugar a uma dor aguda quando ela ouviu um cochicho vindo de uma tia de Marcos, que estava perto.

"Meu Deus, ela é a cara da Clara quando era mais nova, agora eu entendo tudo."

As palavras atingiram Ana com a força de um soco, de repente, dez anos de sua vida foram reescritos sob uma luz terrível e humilhante, cada gesto de carinho de Marcos, cada palavra de amor, cada momento de felicidade compartilhada, tudo se tornou uma farsa, uma imitação barata. Ela não era a escolhida, era a substituta.

A festa continuou, mas para Ana, a música havia parado, a comida perdeu o sabor e os sorrisos ao seu redor pareciam máscaras grotescas.

Alguns dias depois, a rachadura na fachada de sua vida perfeita se aprofundou, era o aniversário de Sofia, e a menina, que sempre amou os presentes artesanais que Ana fazia para ela, desta vez parecia indiferente ao conjunto de azulejos pintados à mão que a mãe lhe deu. Em vez disso, seus olhos brilhavam para a caixa grande e brilhante que Clara havia enviado.

Dentro, havia um teclado eletrônico de última geração, muito mais sofisticado do que o piano antigo que Sofia usava.

"É incrível! A tia Clara sabe exatamente do que eu gosto!" , Sofia exclamou, correndo para abraçar o pai.

Ana sentiu uma pontada no peito, "Mas, querida, eu pensei que você gostasse das coisas que eu faço."

Sofia deu de ombros, "Isso é legal, mamãe, mas... isso é muito melhor."

Ana olhou para Marcos, esperando que ele dissesse algo, que defendesse o valor do presente dela, que explicasse para a filha o amor contido naquelas peças de cerâmica.

Mas Marcos apenas sorriu para Sofia, afagando seu cabelo, "Ela é só uma criança, Ana, deixe-a aproveitar o presente novo."

A displicência em sua voz era mais dolorosa do que qualquer grito, ele não estava apenas defendendo a filha, estava defendendo Clara, estava validando a intrusão dela em suas vidas, estava, mais uma vez, colocando Ana em segundo plano.

A prova final da nova ordem das coisas veio uma semana depois, de forma brutal, Ana estava na cozinha, preparando o jantar, quando sentiu uma tontura súbita, ela tinha uma alergia severa a amendoim, e sentiu o gosto familiar e perigoso em um petisco que Marcos trouxera para casa, sua garganta começou a fechar, sua respiração ficou difícil.

Ela tropeçou na sala, buscando ajuda, e caiu no chão, lutando para respirar, Marcos estava no telefone, sua voz baixa e íntima. Ana conseguiu ouvir o nome de Clara.

"Marcos!" , ela ofegou, a voz um sussurro rouco.

Ele a olhou, a irritação clara em seu rosto por ter sido interrompido, "O que foi, Ana? Estou ocupado."

Então ele viu o estado dela, o pânico começou a aparecer em seus olhos, mas sua reação foi lenta, como se seu cérebro estivesse processando duas realidades conflitantes, ele disse algo rápido ao telefone e desligou, mas a hesitação, aquele segundo em que ele pesou a importância da ligação contra a emergência de sua esposa, foi um veredito.

Enquanto ele se atrapalhava para encontrar o antialérgico, a mente de Ana, turva pela falta de ar, focou em uma única coisa, o som de uma notificação suave que só ela podia ouvir.

Era o Sistema, uma entidade guia que a acompanhava desde que ela chegou àquele mundo, uma voz que quantificava o imensurável.

[Afeto de Marcos por você: 100%.]

A notificação brilhou em sua visão periférica, uma contradição cruel e absurda à realidade de seu corpo lutando pela vida no chão da sala, enquanto seu marido demorava a agir por causa de outra mulher.

Como podia ser 100%? Como o amor podia ser medido por dados frios quando as ações dele gritavam o contrário?

Naquele momento, caída no chão, Ana entendeu que sua dor, sua desilusão e sua luta eram invisíveis para os números, e talvez, para o homem com quem ela havia passado uma década. A perfeição era uma mentira, e a verdade estava começando a matá-la.

Você pode gostar

Capa do romance Amor Traído, Alma Vingada
9.5
Ana Paula sobrevive com subempregos para financiar a suposta doença da mãe, até que uma interface misteriosa surge diante de seus olhos. Através de comentários flutuantes, ela descobre que sua miséria é um reality show cruel. Enquanto sofre na pobreza, sua família esbanja luxo em uma mansão, rindo de sua ingenuidade. Diante da farsa monetizada e da traição profunda, a tristeza de Ana se transforma em um desejo implacável de vingança contra todos.
Capa do romance Caça ao tesouro: no desconhecido
8.5
Zachary Zi desperta no Velho Mundo após uma viagem dimensional guiada por uma bússola mística. Habitando o corpo de um jovem que perdeu o clã e a noiva em um massacre, ele enfrenta a perda de seus poderes. Para se reerguer, Zachary utiliza o artefato para cumprir missões e obter recompensas valiosas. Nessa jornada repleta de perigos, ele cruza o caminho de mulheres exóticas, restando saber se o amor florescerá em meio à sua busca por redenção.
Capa do romance Isabela e o Jogo da Farsa
8.1
Despertando ferido em um hospital, o protagonista ganha uma visão sobrenatural: legendas flutuantes que revelam as mentiras alheias. Ele descobre que a aflição de Isabela é falsa e que sua irmã Sofia e seu melhor amigo Marcos planejaram sua ruína para lucrar com a tragédia. Visto apenas como um peão em um esquema cruel, ele agora usa sua nova percepção e uma fria indiferença para destruir os traidores e retomar o controle de seu destino.
Capa do romance Luz no Fim do Túnel
7.8
Em 2038, Júlia vive um romance virtual no VRMMORPG com Gabriel, o CEO da empresa onde trabalha. Apesar das promessas, ele a trai com sua ex, retirando seu cargo e emitindo uma ordem de caça injusta contra ela. Humilhada por ser considerada feia no jogo, Júlia encontra apoio em Heitor, um capitão da polícia. No grande torneio, ela revela sua verdadeira aparência, expõe as mentiras dos rivais e vence, assumindo o controle de seu destino como uma deusa.
Capa do romance Nova Aventura: Além Deste Mundo
9.0
Hoje, Dia dos Namorados, era também o aniversário de sete anos do meu filho, Pedro. Casei-me com Ricardo há cinco anos, cinco anos em que lutei desesperadamente pelo seu amor. No auge da comemoração, em meio a risadas e elogios à nossa "família perfeita", Pedro correu até nós. Com seus olhos brilhando, ele olhou para Ricardo e disse em alemão fluente, uma língua reservada para seus segredos: "Pai, meu desejo de aniversário é que você e a mamãe se divorciem." "E eu quero que a tia Beatriz seja minha nova mãe." O mundo ao meu redor desmoronou. Olhei para Ricardo, esperando sua repreensão, sua negação. Mas ele apenas sorriu. Um sorriso de alívio genuíno. "Seu desejo será realizado em breve, meu filho", ele respondeu, também em alemão. Meu coração parou. A festa continuou, mas para mim, tudo havia acabado. Mais tarde, com a saída dos convidados, Ricardo me entregou um envelope, sua expressão fria. Era o acordo de divórcio. Com uma indenização milionária. "Por quê?", sussurrei, as mãos trêmulas. Ele suspirou, cansado. "Ana Lúcia, você nunca entendeu? Você sempre foi só uma substituta. A mulher que eu amo, que sempre amei, é sua irmã, Beatriz." A verdade me atingiu como um soco. Eu, que o amei secretamente, cuidei dele após o acidente que a noiva - Beatriz - abandonou, fui um mero tapa-buraco conveniente. Minha alma escureceu. Peguei a caneta e assinei. No dia seguinte, a humilhação se tornou pública. Minhas malas na porta. Pedro gritava: "A mamãe má está indo embora! A tia Bia está vindo!" Ricardo abriu a porta para Beatriz, que entrou triunfante, com um olhar de desprezo e pena. A notícia se espalhou como fogo. Ricardo anunciou o noivado horas após o divórcio. Eu era a piada nacional, a esposa indesejada. Tranquei-me no quarto de hotel mais caro, o dinheiro queimando. Uma voz mecânica ecoou na minha cabeça: "[Anfitriã, a tarefa designada a você neste mundo foi concluída. Deseja partir?]" Era o sistema. A razão pela qual eu estava aqui. "Sim", sussurrei para o vazio. "Me tire daqui. Para sempre." Uma contagem regressiva apareceu. 30 dias. Senti um misto de alívio e vingança. Se eu ia desaparecer, seria nos meus próprios termos. Peguei o telefone. "Quero a suíte presidencial. E todo o champanhe que tiverem." A festa começou.
Capa do romance O Décimo Despertar: Sofia Renasce
9.3
Sofia desperta pela décima vez presa a uma missão impossível: conquistar Ricardo, o homem que a assassinou brutalmente em nove ciclos passados. Após sofrer traições e mortes cruéis, uma falha no sistema revela a verdade sombria. Ricardo se lembra de cada vida e usa Sofia como alvo de uma vingança eterna por alguém que ele perdeu. Ao notar que é apenas o brinquedo de um louco, Sofia abandona a submissão. Agora, seu foco não é o amor, mas destruir a própria jaula.