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Capa do romance Quando o Amor Colide com o Passado Sombrio

Quando o Amor Colide com o Passado Sombrio

Apaixonada pelo misterioso C.A. via web, aceitei a regra de jamais nos vermos. Tudo muda quando ele, o autor Cristiano Alcântara, exige um encontro. Em pânico, tento terminar, mas descubro que ele é o cliente da minha empresa e já sabia minha identidade. Enquanto lidamos com essa revelação, uma rival invejosa me entrega a um agressor do meu passado. Em uma estrada deserta e sob perigo real, luto para sobreviver e registrar o crime que ameaça minha vida.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Liana Peres

Nosso relacionamento existia em um equilíbrio delicado, um ecossistema frágil construído sobre anonimato e telas. Então, em uma terça-feira, eu explodi tudo com um vídeo clicado por engano de um gato caindo de uma estante.

Eu pretendia enviá-lo para minha irmã. Em vez disso, em um momento de descuido por falta de sono, enviei para C.A.

Meu sangue virou gelo quando vi o tique de "Entregue" aparecer ao lado do vídeo em nosso chat. Bati freneticamente na tela, tentando cancelar o envio, mas era tarde demais. Os dois tiques azuis apareceram. Ele tinha visto.

Uma onda de mortificação me invadiu. Era uma coisa tão estúpida e pouco profissional de se enviar. Eu deveria ser sua consultora de branding afiada e espirituosa, não uma garota que lhe envia vídeos bobos de gatos. Uma pontada de culpa me atingiu; eu tinha sido tão fria com ele ultimamente, cortando suas tentativas de qualquer coisa pessoal. Este vídeo acidental parecia uma rachadura na minha armadura cuidadosamente mantida.

Antes que eu pudesse digitar um pedido de desculpas, a resposta dele chegou.

C.A.: Esse gato é seu?

Eu: Não. Foi um acidente. Desculpe.

C.A.: Entendi. Eu estava me perguntando do que você gosta.

A pergunta me pegou de surpresa.

Eu: Do que eu gosto?

C.A.: Sim. Percebo que sei muito pouco sobre você, pessoalmente. Você sabe que eu gosto de dias chuvosos e música clássica. Não sei nada sobre suas preferências.

Antes que eu pudesse formular uma resposta evasiva, uma nova mensagem apareceu. Era um vídeo. Minha curiosidade superando minha cautela, toquei para reproduzir.

O vídeo estava tremido, claramente filmado por ele mesmo. Era um close-up das mãos de Cristiano enquanto ele trabalhava um pedaço de madeira em um torno. A câmera subia lentamente, demorando-se nos músculos de seus antebraços, tensos com o esforço, depois subindo para o peito, o tecido fino de sua camiseta cinza grudado nele. Ele estava suando, um leve brilho na pele. Ele olhou para a câmera por uma fração de segundo, suas bochechas corando levemente, antes de desviar o olhar, um sorriso tímido, quase envergonhado, tocando seus lábios. Ele parecia... incrível. Humano. Real.

O vídeo terminou. Fiquei olhando para a tela preta, meu coração batendo um ritmo frenético contra minhas costelas.

Eu: Mande mais desses.

C.A.: Mais do quê? Vídeos de marcenaria?

Eu: Não. Vídeos de você. Com essa aparência.

Os três pontinhos apareceram instantaneamente. Alguns momentos depois, outro vídeo chegou. Desta vez, ele estava em uma academia, levantando pesos. Claramente era depois do expediente; o lugar estava vazio. O ângulo da câmera era um pouco estranho, mas fazia um trabalho muito bom em mostrar como os músculos de suas costas se moviam sob sua regata. Ele parecia poderoso e focado, mas quando viu seu próprio reflexo no espelho da academia, o mesmo rubor tímido coloriu suas bochechas.

Minha boca secou. Este era um lado de Cristiano Alcântara que o mundo nunca via. O autor intimidador era, em particular, um homem tímido que corava ao se filmar malhando.

E eu era a única que podia ver isso.

Pela primeira vez, admiti para mim mesma: eu estava atraída por ele. Profundamente. Não era mais apenas sua mente brilhante ou seu humor seco. Era o pacote completo.

Ele era viciante.

Aquela noite marcou uma mudança. Nossas conversas se aprofundaram, tornando-se mais íntimas. A linha profissional se desfez até desaparecer completamente. Não éramos mais consultora e cliente. Éramos duas pessoas solitárias que se encontraram no éter digital.

Uma noite, após uma longa conversa que se estendeu até tarde, ele colocou as cartas na mesa.

C.A.: Eu quero ficar com você, Liana.

Meu nome em seus lábios, mesmo digitado, me deu um choque.

C.A.: Eu sei que você não está pronta para nos encontrarmos. Eu entendo. Mas não posso mais fingir que isso é apenas uma amizade. Deixe-me ser seu namorado. Podemos ser o que você quiser, desde que estejamos juntos.

Eu encarei a mensagem, minha mente a mil. Era uma loucura. Um relacionamento com um homem que eu nunca conheci, cuja voz real eu nunca tinha ouvido. Mas também parecia... certo. Ele me via. A verdadeira eu, aquela que se escondia atrás de 'Pixel_Perfeito'. Ele não apenas tolerava minha ansiedade; ele a entendia. Ele me fazia sentir segura.

Eu: Ok.

C.A.: Ok?

Eu: Ok. Podemos tentar. Mas há regras.

Eu as estabeleci, um escudo contra meus próprios medos.

1. Apenas online. Sem ligações, sem videochamadas. Apenas mensagens e fotos ou vídeos pré-gravados ocasionais.

2. Sem detalhes pessoais. Sem sobrenomes (embora ambos já soubéssemos), sem endereços, sem falar em nos encontrarmos.

3. Se um de nós quiser terminar, terminamos. Sem perguntas.

Ele concordou, embora com relutância. E assim, eu tinha um namorado secreto, anônimo e online que por acaso era um dos autores mais famosos do mundo.

Por dois anos, foi perfeito. Nosso relacionamento era uma bolha protegida, um mundo de fantasia onde minha ansiedade não podia me tocar. Eu o ajudei a navegar por sua fama crescente, e ele se tornou meu maior incentivador, encorajando-me a aceitar projetos freelancers mais ambiciosos. Ele era meu confidente, meu melhor amigo, meu amante. Eu estava feliz.

Até que a editora o forçou.

C.A.: Minha editora está me forçando a fazer uma turnê de lançamento. Pelo país inteiro. Preciso te encontrar.

A mensagem estilhaçou nossa bolha perfeita. O mundo real estava invadindo nosso espaço seguro, e eu entrei em pânico.

Eu: Não podemos. Essa era a regra.

C.A.: Eu preciso de você, Liana. Não sou bom com pessoas. Você sabe disso. Não consigo fazer isso sozinho. Apenas um jantar. Por favor.

Meu peito se apertou. Ele não entendia. Para ele, era apenas um jantar. Para mim, era um pesadelo. A ideia de sentar à sua frente, em carne e osso, sem ter onde me esconder... me deixava fisicamente doente. A mulher brilhante e confiante que ele conhecia seria substituída por uma bagunça gaguejante e desajeitada. A fantasia acabaria.

Eu: Não. Eu não posso.

C.A.: Por que não? Você tem vergonha de mim? Ou está escondendo algo?

Suas palavras, nascidas do desespero, pareceram um tapa.

Eu: Isso não está funcionando. Queremos coisas diferentes.

C.A.: O que isso significa? Liana?

Eu: Então talvez a gente devesse terminar.

Joguei meu celular no sofá como se estivesse pegando fogo. Ele ligou. Eu ignorei. Mensagens inundaram minha tela, uma torrente de pânico e confusão da parte dele. Silenciei minhas notificações, meu coração doendo com uma dor tão aguda que me roubou o fôlego. Esta era a única maneira de me proteger. De proteger nossa história de amor perfeita e impossível da dura realidade de quem eu realmente era.

Na manhã seguinte, entrei no escritório da editora que me contratou para um contrato freelancer de longo prazo — a mesma editora que representava Cristiano Alcântara — sentindo-me oca por dentro. Genoveva Guedes, a ambiciosa assessora de imprensa responsável pela campanha de Cristiano e meu principal ponto de contato, estava de péssimo humor.

"Ele está sendo impossível", ela estalou, sem nem mesmo levantar os olhos de sua mesa quando entrei em seu escritório. "Cristiano está ameaçando cancelar toda a turnê. O maior lançamento de sua carreira, e ele decidiu se tornar ainda mais recluso. É um desastre."

Ela suspirou dramaticamente, finalmente olhando para mim. Genoveva era o tipo de mulher que era profissionalmente encantadora e pessoalmente implacável. Ela havia deixado claro que considerava Cristiano não apenas seu cliente estrela, mas seu projeto pessoal. Sua obsessão por ele era um segredo aberto no escritório.

"O humor dele é veneno", ela continuou, esfregando as têmporas. "Não consigo nem falar com ele ao telefone. Liana, preciso que você cuide disso. Leve as provas finais da campanha até o escritório particular dele. Ele é contratualmente obrigado a aprová-las hoje."

Meu corpo enrijeceu. "Eu? Por que eu?"

"Porque", disse ela, sua voz escorrendo uma doçura falsa, "eu não quero que ele arranque minha cabeça, e você é sangue novo. Ele pode pegar leve com você."

Eu sabia o que ela estava realmente fazendo. Ela estava me jogando aos lobos, evitando um confronto que não queria ter. A ideia de encarar Cristiano — o Cristiano real, que respirava, que estava atualmente de coração partido por minha causa — me deu uma onda de pânico. Eu não podia fazer isso. Eu tinha que manter a barreira entre minhas duas vidas.

"Não acho que seja uma boa ideia", eu disse, minha voz mal um sussurro. "Sou apenas a designer."

O sorriso de Genoveva se apertou. "E você vai fazer o que lhe foi mandado. Ele está no último andar. Não demore."

A pasta que ela empurrou pela mesa parecia pesar uma tonelada. Eu tinha que encará-lo. O homem que eu amava, que pensava que eu tinha acabado de arrancar seu coração. E ele não tinha ideia de que era eu.

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