
Quando o amor chega
Capítulo 2
Duas semanas se passaram, desde que Ana começou a trabalhar como babá, a mãe não aceitou de primeira, mas depois de muita conversa foi convencida pela filha. O pai da menina ligava, duas vezes por dia, falava com a filha por alguns minutos ou fazia videochamada. Ana não teve chance de falar com o patrão ainda. Lucas sabia que a filha tinha uma nova babá, mas não se interessou em saber quem era.
Sofia, nos 2 primeiros dias, ficou desconfiada com a presença da nova babá, mas depois acabou aceitando a jovem. O pai da menina continuava viajando, e Francesca comentou que as negociações com os clientes alemães estavam demorando bem mais do que o previsto.
O pai de Lucas, o senhor Luciano, era um homem agradável, que gostava de contar histórias para as duas, toda a noite depois do jantar. Ele tinha construído tudo do zero, depois que desfez a sociedade com um antigo amigo. Mas Ana não sabia os detalhes. Sofia tinha uma avó chamada Catarina e uma prima da mãe que chamava Giulia.
Lúcia, a empregada da casa, confidenciou a jovem que Dona Francesca não aceitava nenhuma das duas, na vida da neta e nunca aprovou a mãe de Sofia.
Ana e Sofia montavam um, quebra-cabeças na sala, quando a babá viu que era quase hora do jantar.
— Sofia, vamos é hora de tomar banho, daqui a pouco você tem que jantar e descansar cedo.
— Irmã Ana será que amanhã podemos, dar comidas aos pombos? Meu papai, não está aqui e todo sábado ele me leva para brincar na grama e alimentar os bichos.
— Preciso pensar? Ana fez uma expressão de pensativa, e pegou a menina pela mão e as duas subiram juntas até o quarto. Em poucos dias, elas tinham se tornado amigas e Ana sabia que a menina queria distrair a babá para continuar brincando.
Ana ajudou Sofia a tirar o vestido e as duas seguiram para o banheiro. 20 minutos depois, Sofia, vestida com seu pijama, desceram para jantar.
— Boa noite! As duas cumprimentaram Luciano e Francesca que aguardavam as duas para o jantar.
Ana ajudou Sofia a se acomodar na cadeira, e serviu a menina.
— Querido, Lucas volta de viagem em breve. Ele me ligou ontem, disse, que se tudo correr bem, no domingo estará em casa.
Luciano tocou a mão da esposa, em demonstração de carinho. Ana notou em poucos dias, como a família era unida e os patrões pessoas de bom coração.
— Filha, o que está achando desses primeiros dias? Minha neta está dando muito trabalho?
Luciano questionou com curiosidade.
— Não, não vovô, eu obedeço a tudo que a irmã Ana fala, estou me comportando muito bem.
Todos riram na mesa, e Ana concordou com Sofia.
— Senhor Luciano, além de ser uma boa menina, obediente e estudiosa, ela não me dá trabalho algum — Ana aproveitou para pedir permissão de sair com a menina no dia seguinte.
— E gostaria de pedir permissão, para levar Sofia amanhã até a orla, para dar comida aos pombos. Ela me disse que o pai a leva, todo fim de semana, e se vocês dois não se importarem, eu posso fazer isso.
— Acho uma boa ideia, minha querida. Lucas deve retornar para casa apenas no domingo e semana passada Sofia ficou em casa com você, por ser ter sido o seu primeiro final de semana conosco. Pedirei ao José que leve as duas amanhã após o café.
O jantar seguiu tranquilo, com Sofia contando sobre a semana na escola e fazendo planos para o passeio com a nova amiga no dia seguinte.
Passava das nove da noite, quando Ana colocou Sofia na cama, depois da menina escovar os dentes e fazer a oração antes de dormir. Sofia ainda tentou enrolar a amiga por alguns minutos, mas acabou sendo vencida pelo próprio cansaço.
Ana em seu quarto estava sem sono então decidiu, ler um pouco, quando olhou no relógio já era quase meia-noite. Decidiu preparar um leite quente com canela, quem sabe assim o sono chegava logo ou acordaria com olheiras parecendo um urso panda.
Saiu do quarto, com cuidado caminhou até a cozinha, todos já estavam dormindo, e a moça não quis acender todas as luzes, decidiu ligar apenas uma luz fraca e com a ajuda da lanterna do celular preparou seu leite quente. Ficou por alguns minutos, pensando em como a vida tinha mudado em tão pouco tempo, sua irmã achou loucura renunciar à sua juventude, por conta de um alto salário, mas Ana não pensava em casar-se, ela não tinha boas lembranças do casamento dos pais. Depois de tomar o leite, organizou tudo e decidiu pegar um copo de água e voltar para o quarto.
Quando estava fechando a geladeira, se espantou com uma sombra parada na cozinha, olhando para ela. Pela silhueta era um homem, bem, mas alto que ela, que a olhava fixamente, como estava escuro não conseguia enxergar direito o rosto e com o susto acabou deixando o copo cair.
Quando se abaixou para pegar, as luzes se acenderam, e acabou se cortando com um pedaço de vidro. Ao ficar cara- cara com o estranho, reconheceu o patrão das fotos.
Lucas, observava a garota estranha agachada no meio da cozinha da mansão. Quem seria essa menina? A filha não tinha amizade com garotas mais velhas ao menos ele não sabia.
Quando Ana levantou o rosto corado, viu de perto como o patrão era mais bonito e atraente que nas fotos. Os cabelos negros como da filha, com alguns fios grisalhos nas têmporas, a barba negra lhe dava um ar rude e seus rostos estavam próximos o que deixou Ana sem reação. O patrão tirou um lenço de dentro do bolso do terno, colocando em seu dedo para pressionar o ferimento.
Depois de segurar o lenço no dedo da garota por alguns segundos. Lucas questionou a presença de Ana, deixando a garota sem saber o que dizer.
— Quem é você e o que está fazendo na cozinha da minha casa?
Ana fechou os olhos, e deu um suspiro de tristeza, pela cara do chefe, ela com certeza seria despedida na manhã seguinte.
Você pode gostar





