
Quando o amor chega
Capítulo 3
— Eu... eu... — Sou... Ana, a nova babá da Sofia.
Lucas olhou com suspeita para moça à sua frente, algo não estava certo. Quando a mãe informou que a nova funcionária tinha começado a trabalhar, ela não avisou que era uma garota recém-saída do ensino médio. Aquela moça tinha o quê? Uns 16 ou 17 anos? Jovem demais para tamanha responsabilidade e Lucas não gostou que a mãe omitiu isso dele. Pelo currículo pensou que se tratava de uma mulher mais velha e responsável.
— Senhorita Ana, acho que tem um pequeno equívoco aqui.
— Achei que tinha contratado uma babá e não uma amiguinha para Sofia.
Ana fechou a cara na mesma hora. Quem achava que era para falar assim dela? E só depois reparou no pijama que usava, com os cabelos soltos, parecia um adolescente e não um
mulher adulta de 23 anos. Que péssima forma de se apresentar na frente do patrão.
— Senhor Lucas, posso afirmar que tudo o que a sua mãe disse é verdade. Posso não ser a funcionária que esperava, mas garanto que estou cuidando muito bem da sua filha.
Lucas fez sinal para que a moça ficou calada.
— Amanhã conversando melhor, senhorita. Acabei de chegar de viagem, estou com uma enxaqueca forte, então prefiro que me deixe sozinho.
Ana juntou os cacos do copo, jogado no lixo, pegou o celular no balcão e saiu, mas notou que o chefe não parecia bem e perguntou se precisava de algo.
Lucas agradeceu, avisou que ela dormir poderia, que na manhã seguinte conversaria com a babá.
Depois que Ana se foi, Lucas saiu da cozinha, foi até o escritório. Deixou apenas a luz da mesinha ligada, se serviu de uma dose de uísque, sentou-se na poltrona observando o jardim.
Teve dias péssimos, com tantos problemas no escritório do exterior que parecia que nunca acabaria. Sua insônia tinha voltado, e dormiu pouco nos últimos dias, que só queria encontrar sua filha e matar a saudade.
Saiu do escritório e foi até o quarto da menina. Entrou com cuidado e viu a filha dormindo como um anjo. Quando Giuliana, sua esposa, faleceu no acidente de carro, Sofia tinha pouco mais de 2 anos.
Sempre que pensava na esposa, o remorso tomava conta do seu coração. Os dois se casaram no calor do momento, mas não se amavam como todo mundo achava. O casamento parecia ser de conto de fadas, porém só ele sabia o que passou durante os dois anos que ficaram juntos.
Como brigas, os choros, os problemas que se acumularam dia após o dia.
Giuliana entrou em uma profunda depressão e nada do que o marido fez era suficiente para ela. Quando começaram a namorar, era como se o paraíso fosse à terra, mas depois do primeiro mês de casamento, as brigas pareciam que nunca terminavam. Giuliana suspeitava de tudo, até mesmo das clientes mulheres que Lucas encontrava. Os dois não viviam, mas como marido e mulher até a noite em que Sofia foi concebida...
— Papai, você chegou! Uma Sofia sonolenta se sentou na cama e Lucas foi até a filha. Sua princesa era tudo que tinha na vida, a única coisa boa que ganhou por ter se casado com Giuliana.
— Sim, princesa, estou aqui. Mas é tarde, volte a dormir que ao acordar de manhã, eu estarei aqui com você.
— Mas pai, eu tenho tanta coisa para contar, a irmã Ana…
— Shhh durma, vamos conversar quando você se levantar.
A menina voltou a dormir e Lucas acabou adormecendo ao lado da filha.
*****
Ana acordou com o despertador do celular tocando. Viu a hora e se levantou num pulo, quase 7 da manhã, dormiu demais, o patrão com certeza estava esperando por ela no escritório, pronto para demiti-la por ser uma tonta.
Correu para o banheiro, tomou um banho quente, fez sua higiene matinal e optou por escolher um vestido abaixo do joelho, florido e fez uma trança. Calçou a sapatilha, fez uma maquiagem leve e foi para cozinha ajudar a organizar as coisas para o café da manhã.
Encontrou Lucia cantando e deu um beijo no rosto da amiga, viu tudo que Sofia precisava e avisou que iria ao quarto da criança. Acabou esquecendo de contar a Lucia o péssimo encontro da noite anterior.
Entrou sem bater, cantando a canção favorita de Sofia, que não percebeu que pai e filha dormiam abraçados na cama. Se calou, mas já era tarde, Lucas tinha despertado com o barulho e seu rosto demonstrava irritação.
Só poderia ser sinais do destino, aquele trabalho com não certeza seria dela.
— Bom dia... — Senhor Lucas, me perdoe. — Eu não sabia que estava no quarto da Sofia. — Eu... Eu... vim aqui para…
Sofia se mexeu na cama e logo depois acordou.
— Irmã Ana, você está aqui, olha quem dormiu comigo. Meu pai voltou e ele vai nos levar para alimentar os bichinhos.
A menina acordou com tanta, alegria, que Ana não sabia o que responder.
— Calma, mocinha. É melhor a senhorita se arrumar primeiro, eu vou tomar um banho e a babá vai te ajudar. Senhorita Ana, daqui a vinte minutos, eu espero as duas na mesa do café.
Lucas beijou a testa da filha e saiu do quarto, deixando Ana desesperada com o que iria acontecer.
— Irmã Ana, hoje nós três vamos passear.
— Vem pequena, vamos escolher uma roupa bem bonita para você.
******
Francesca e Lucas conversavam no escritório sobre Ana, e o trabalho dela na mansão. O arquiteto andava de um lado para o outro, nervoso e tentando convencer a mãe de que era melhor mandar a babá embora.
— Filho, a moça é dedicada, trata bem sua filha, não entendo o motivo de tanta desconfiança. Ana é uma jovem esforçada, educada e o principal é profissional e não tem pretensão de se casar pelos próximos anos.
— A babá é perfeita para nossa pequena, o que mais você queria? — Ela ser jovem é um problema para você? Ou acha que pode se apaixonar pela babá da sua filha?
Francesca riu da expressão assustada do filho.
— Claro que isso nunca vai acontecer, mamãe. Só acho aquela moça nova demais para ocupar uma função importante nessa casa.
— Nova? Francesca perguntou sem entender o filho.
— Filho, nossa Ana já é adulta o suficiente para cuidar da sua filha.
Lucas tinha percebido que não adiantava conversar com a mãe, que pelo jeito caiu de amores pela nova funcionária.
— Tudo bem, já que a senhora diz que ela é competente, que tudo sabe, então ela fica. Mas escute bem, no primeiro erro dela aqui dentro, ela será imediatamente demitida.
Lucas saiu com passos largos, enquanto Francesca observava o filho. Conhecia bem o seu menino, mesmo ele sendo um homem de 40 anos sabia quando algo o afetava.
Quando contratou Ana, sentia lá no seu íntimo que aquela menina faria bem não apenas para sua neta, mas também para o seu filho.
******
Lucas conversava com o pai, enquanto Lucia servia o café, logo depois apareceu Francesca com a neta e Ana.
A patroa tinha pedido para conversar com Ana primeiro, pois sabia que a jovem deveria ter ficado assustada com o jeito rude do filho. Quis garantir que a babá tivesse certeza de que continuaria trabalhando na mansão.
Sofia correu até o pai, o enchendo de beijos e um abraço, depois foi até o avô e Ana pediu que a menina se sentasse para tomar o café.
— Minha querida, você conheceu Lucas ontem, espero que ele não tenha te assustado.
— Luciano e eu não queremos que nos abandone logo. — Meu filho tem esse jeito, mas, no fundo, é um homem bom, não é mesmo Lucas?
Lucas se engasgou com o café, e apenas balançou a cabeça em sinal de positivo.
Sofia conversava com Ana e a avó até que tocou no assunto do passeio.
— Papai, a irmã Ana vai conosco, não é?
Lucas já tinha pensado na desculpa perfeita para evitar essa companhia e explicou a filha que daria folga para Ana e a moça voltaria apenas no domingo, assim evitaria uma companhia indesejada ao lado dela e o fim de semana seria tranquilo ao lado da filha e dos pais.
Não estava acostumado a estranhos rondando a mansão nos dias em que ele tinha descanso.
Ana se sentiu aliviada ao ouvir, que teria dois dias de folga, quase se ajoelhou no meio da sala em agradecimento por escapar de ficar ao lado daquele homem por dois dias.
Pediu licença e foi organizar as coisas de Sofia para o final de semana, depois arrumou sua bolsa, se despediu da menina e de Francesca, aproveitando que o patrão mal-humorado estava numa ligação.
Enfim, teria dois dias com a mãe e a irmã, tempo para pensar em como lidar com o chefe.
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